10 de julho de 2026
Nacional

Delator afirma que tesoureiro do PT recebeu US$ 50 milhões em propinas

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

O ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco, afirmou à força tarefa da Operação Lava Jato, que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, recebeu US$ 50 milhões em propinas sobre 90 contratos da estatal petrolífera no período de 2003 a 2013. Barusco declarou que Vaccari recebeu o dinheiro "em nome do PT".

 

Ele disse que "estima que foi pago o valor aproximado de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões ao Partidos dos Trabalhadores". Um dos delatores da Lava Jato, Barusco foi braço direito de Renato Duque na Diretoria de Serviços da Petrobras.

 

Para não ser preso ele decidiu fazer delação premiada. Seus relatos provocaram a deflagração da explosiva My Way, nona fase da Lava Jato. Segundo Pedro Barusco, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, conduzido nesta quinta feira, 5, para depor na Polícia Federal em São Paulo, recebeu US$ 4,523 milhões "a título de propina do estaleiro Kepell Fels".

 

Dinheiro no exterior

 

O ex-gerente de Engenharia da Petrobras Pedro Barusco indicou ter US$ 67,5 milhões no exterior fruto do esquema de propinas na estatal desbaratado pela Operação Lava Jato. Além desse montante que ele se comprometeu a devolver ao Tesouro, ele pagará multa de R$ 3,25 milhões, segundo seu contrato de delação premiada.

 

Segundo Barusco admitiu, US$ 61,5 milhões estão em 12 contas fora do País em nome de empresas offshore usadas para movimentar o dinheiro da propina pago a ele e ao ex-diretor de Serviços Renato Duque - principal foco dessa nova fase da Lava Jato, batizada da My Way. Documentos entregues por Barusco comprovam as operações bancárias por meio dessas 12 offshores.

 

Vaccari afirma que jamais arrecadou propinas para o PT

 

O tesoureiro do PT João Vaccari Neto afirmou à Polícia Federa que todas as contribuições obtidas por ele para o partido "foram absolutamente dentro da lei". Sobre a denúncia do delator Pedro Barusco, de que arrecadou até US$ 200 milhões "em propinas" para o partido, Vaccari desmentiu, por meio de seu advogado.

 

"Essa informação não procede", rechaçou com veemência o criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, que defende o tesoureiro do PT.

 

Em nota que será divulgada ainda na tarde desta quinta feira (5), Vaccari ressalta que "há muito tempo estava ansioso para se manifestar e prestar os esclarecimentos, corrigindo muitas impropriedades que saíram publicadas pela imprensa de modo geral envolvendo seu nome".

 

"Essa oportunidade aconteceu hoje", declarou Luiz Flávio Borges D’Urso. "(Vaccari) compareceu na Polícia Federal, prestou todos os esclarecimentos, respondeu todas as perguntas."

 

Segundo o criminalista, Vaccari "esclareceu (à PF), em especial, que enquanto secretário de Finanças do PT jamais recebeu dinheiro em espécie".

 

"O PT não tem caixa 2, o PT não tem conta no exterior", diz o texto divulgado por Vaccari. "Todas as contribuições ao partido, vindas pela Secretaria de Finanças por mim, foram absolutamente dentro da lei."

 

D’Urso fez uma ressalva sobre o fato de Vaccari ter sido conduzido coercitivamente à PF por ordem judicial. "Entendo desnecessário a condução coercitiva. Bastaria intimar o sr. Vaccari que ele compareceria e prestaria declarações, colaborando com a investigação, aliás, como sempre fez."