Com 101 casos confirmados de dengue somente neste ano, Pirajuí (58 quilômetros de Bauru) vive uma epidemia da doença, uma vez que o município registrou apenas cinco pessoas infectadas em 2014. A situação preocupa a prefeitura, que intensificou os trabalhos de combate à dengue, realizando nebulização diariamente na cidade.
Ao todo, de acordo com informações prestadas pelo Centro de Saúde Municipal, já foram notificados 179 casos. Destes, 101 apresentaram resultado positivo, 10 negativo e 68 ainda aguardam análise laboratorial. O surto da doença foi constatado há 15 dias, quando a equipe de controle de vetores encontrou grande foco de dengue em três residências localizadas na Vila Ortiz.
Além dos imóveis, em menos de 10 dias, informou a diretora de Saúde de Pirajuí, Yara Marques Falavinha, a Vigilância Sanitária identificou 28 terrenos em bairros distintos do município com acúmulo de entulhos, pneus e objetos que favorecem a propagação do mosquito Aedes aegypti.
“A maioria dos proprietários não reside na cidade. Sendo assim, fazemos a notificação e aguardamos que o dono do terreno receba o documento e tome as providências exigidas. A prefeitura, por sua vez, não pode entrar na propriedade para fazer a limpeza sem autorização do proprietário”, ressaltou Yara Falavinha.
Punição demorada
Fiscal da Vigilância Sanitária, Silvana Coelho de Oliveira explicou que o proprietário do terreno, após ser notificado, tem prazo de 10 dias para limpá-lo. “Caso não cumpra a medida, expedimos um auto de infração e ele ganha mais 10 dias. Só após esse tempo que a multa é aplicada”, completou.
Como se não bastasse o prazo extenso dado para que o munícipe regularize o terreno, o valor da multa é baixo: R$ 80,00. “Muitos preferem pagar a multa do que um profissional para limpar o terreno. O Código de Postura do Município é de 1970 e ainda não foi atualizado. A prefeita Juliana Nagano deve encaminhar ao Legislativo para que seja votada a modificação”, pontuou Falavinha.
E o exemplo?
A falta de conscientização da população também pode ser estendida ao poder público. Pelo menos em dois casos. Segundo a reportagem do JC apurou, três caixas d’ água que abastecem a rodoviária da cidade permaneciam ontem destampadas. O recipiente, segundo funcionários do local, já apresentavam grande quantidade de lodo.
No início da semana, um vídeo circulou nas redes sociais, mostrando diversos pneus, sem nenhuma proteção contra a chuva, espalhados pelo chão da garagem municipal, a céu aberto. Dois dias depois da denúncia o material teria sido retirado do local.
Combate
O controle de vetores, realizado em Pirajuí pela empresa terceirizada Gestão de Projetos da Noroeste Paulista (Gepron), foi intensificado na última semana. De acordo com o Centro de Saúde Municipal, além de visitas constantes às residências e trabalho de orientação e conscientização junto aos moradores, agentes de fiscalização sanitária realizam pulverização todos os dias tanto na região central da cidade quanto nos bairros.
Alerta
Em Marília, conforme o JC noticiou na semana passada, uma professora aposentada morreu por dengue hemorrágica no dia 26 de janeiro, na Santa Casa local. Em Lins, um dia depois, um homem de 44 anos também veio a óbito na Santa Casa da cidade com suspeita da doença do tipo hemorrágica. A vítima deu entrada no hospital com quadro febril, dor no corpo e abdômen. Um laudo que irá apontar as causas da morte deve ficar pronto nos próximos dias.