O universo das artes marciais mistas (MMA), esporte que mais cresce na atualidade, com milhões de fãs espalhados pelo mundo, inclusive em Bauru, está em choque mais uma vez. Na verdade, nem tanto. Casos de doping se tornaram uma lamentável rotina neste meio competitivo e os episódios recentes no Ultimate Fighting Championship (UFC) foram de Wanderlei Silva, Cung Le, Jon Jones e agora a dobradinha Anderson Silva e seu adversário Nick Diaz. Anteriormente, Chael Sonnen e Vitor Belfort foram flagrados com reposição de hormônios (TRT), já que possuem produção insuficiente no organismo. O fato gerou até a aposentadoria de Sonnen.
Agora, com a polêmica de que Anderson teria sucumbido à pressão de resultados e utilizado substâncias metabólicas, emagrecedoras e de definição muscular, como atesta um laboratório dos EUA, após a luta do último domingo, milhares de pessoas utilizaram as redes sociais para fazer piada e massacrar o brasileiro, que divulgou mais tarde que estava chateado com o ocorrido e que tem certeza que existe erro no teste. Uma outra amostra será colhida para a contraprova.
Onde eu quero chegar com isso? É evidente que o culpado não são os atletas, mas sim as organizações de MMA. A perda sobre-humana de peso para lutar é inaceitável e passou da hora de ser revista. Tem competidor que precisa perder 20 kg para lutar na categoria que se adequa ao seu tipo físico e estatura. É claro que o atleta considerado profissional precisa se manter em boa forma, mas como manter uma alimentação rígida durante 15 ou 20 anos de carreira? Não dá. É impossível. Então eles voltam a comer normalmente depois das lutas e, na véspera de outras, precisam cortar carboidratos e fazer perda de líquido, chegando a desidratar até 30% do corpo.
Vejo por mim, que não consigo seguir dieta por mais de um mês. Quem consegue? É preciso mudar as categorias. Cito o brasileiro Renan Barão, que perdeu o cinturão dos pesos-galos no final do ano passado por estar nitidamente apático e desnutrido no octógono. Levou uma surra e perdeu o título porque não estava 100% fisicamente, devido ao choque de perda de nutrientes necessários no corpo. A rotina de treinos é extremamente cansativa, estressante e a cobrança por resultados segue o mesmo ritmo.
O esporte tem dividido os sonhos das crianças com o futebol, mas não é todo lutador que ganha R$ 2,6 milhões por luta, igual a Anderson Silva. Assim como o próprio futebol, a maioria dos profissionais fica nos eventos pequenos. Mais de 90% trocam socos por puro amor ao esporte. Veja como o UFC divide as categorias nos seguintes pesos: Peso Palha (Strawweight) - até 52,2 kg; Peso Mosca (Flyweight) - até 56,7 kg; Peso Galo (Bantamweight) - até 61,2 kg; Peso Pena (Featherweight) - até 65,8 kg; Peso Leve (Lightweight) - até 70,3 kg; Peso Meio-Médio (Welterweight) - até 77,6 kg; Peso Médio (Middleweight) - até 83,9 kg; Peso Meio-Pesado (Light Heavyweight) - até 93,0 kg; Peso Pesado (Heavyweight) - até 120,2 kg.
A contraprova solicitada por Anderson Silva deve sair na próxima semana. Vamos aguardar e torcer para que os fãs e praticantes de artes marciais não sofram mais esse duro golpe.
O autor é jornalista no portal de notícias JCNet, faixa laranja de kickboxing e faixa azul de jiu-jítsu pela Gracie Barra. Rumo à faixa preta.