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João Rosan |
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A amazona Roberta Martha executa salto observada pelo tetracampeão brasileiro Francisco José Mesquita Musa durante clínica da modalidade no Santa Rosa Centro Hípico |
Atual campeão brasileiro de hipismo, Francisco José Mesquita Musa, um dos principais nomes da modalidade no País, ministra clínica no Santa Rosa Centro Hípico, que teve início quinta-feira (5) e termina neste sábado (7), transmitindo aos praticantes bauruenses um pouco da técnica e experiência de seus 24 anos de hipismo, que lhe renderam o tetracampeonato nacional e diversos títulos de Grandes Prêmios no País. Além disso, Musa já representou o Brasil em competições internacionais e é um dos cotados para a seletiva dos Jogos Pan-Americanos, que ocorrem em Toronto, no Canadá, em julho.
Nos três dias de clínica, o cavaleiro e técnico, através da observação, busca identificar e diminuir a dificuldade de cada participante da atividade, além de deixar um programa de treinamento para os conjuntos de Bauru praticarem durante o ano e evoluírem para as próximas competições. “Três dias dá para corrigir bastante coisa, mas o mais importante é eles seguirem fazendo o que estamos passando para irem melhorando. Depende da prática e da vontade de cada um”, aponta Musa, que promove exercícios para os conjuntos, onde vai corrigindo deficiências e erros durante a prática.
É a primeira vez que Musa vem à cidade para ministrar uma clínica e o técnico afirma que gostou do que encontrou por aqui. “O nível está ótimo. Tem bastante hípicas e muita gente praticando o esporte aqui. Tem tudo para crescer”, acredita. O cavaleiro afirma que fatores como aptidão e talento pesam no crescimento individual do praticante, mas ter uma montaria de boa qualidade também é fundamental. “Na nossa modalidade temos a dificuldade dos cavalos, tem que ter os cavalos ideais, que lhe ajudem. É um conjunto, você não faz nada sem o cavalo”, analisa.
Musa tem uma definição interessante da relação entre o conjunto no hipismo. “Eu digo que 70% é o cavalo e 30% é a gente. Esta parte do cavalo, às vezes, ele não está em seu 100%. A parte da gente tem que estar sempre impecável para ajudar o cavalo a fazer a dele bem feita. É o cavalo que faz força, que salta. A gente entra com a parte técnica, pensa pelo cavalo nos percursos”, explica.
E esta relação vai sendo afinada justamente com muito treino e tempo juntos, salienta Musa. “Com o tempo, você vai conhecendo. É como se fosse um casamento, vai sabendo as manias, os defeitos. Cada cavalo tem um temperamento, é um indivíduo e a gente tem que saber conviver com tudo que eles têm de bom e ruim”, conclui.
Referência
Roberta Martha, idealizadora e organizadora da clínica, afirma que a presença de uma referência do hipismo nacional, como Musa, propicia aprimoramento técnico e de vivência aos cavaleiros e amazonas bauruenses. “Já estamos com o Centro Hípico há quatro anos e amadurecendo esta ideia de fazer aqui uma referência no hipismo em Bauru. O intuito é trazer sempre gente de fora para ensinar coisas novas. Estes cavaleiros estão sempre correndo o mundo e fazem clínica com cavaleiros de nível internacional. Então, têm uma bagagem grande que nós, no Interior, estamos longe. E o Musa está sempre disposto a ensinar”, declara.
Júlio Azevedo, instrutor e gerente do Santa Rosa Centro Hípico, considera que a clínica foi uma oportunidade para cavaleiros e amazonas bauruenses aprenderem com esportista de alto nível. “Bauru está em crescimento, em uma fase de pequenas hípicas, e nosso intuito de trazer o Musa é agregar para todas as hípicas e clubes, criar eventos para contribuir com conhecimento do hipismo em Bauru e região”, elogia.
Aprendizado e confiança
Para os alunos do Santa Rosa Centro Hípico a convivência com Francisco José Mesquita Musa renderam ensinamentos e muita motivação para seguirem se aprimorando. Carmen Vono Coube, que monta há quatro anos e pratica saltos há um ano e meio, aponta a diferença do treino habitual do dia a dia para a clínica. “Em três dias o Musa traz novos exercícios técnicos, de solo e vai de forma gradativa fazendo a gente evoluir com o cavalo e nos tornando mais confiantes no conjunto. Ele trabalha postura, faz correção em cima do cavalo e vai explicando”, observa a amazona, que participa de uma clínica com um cavaleiro referência no hipismo brasileiro pela primeira vez. “Eu estava saltando 60cm, indo para 80cm. Hoje (ontem) eu terminei um exercício saltando um metro. Isso tudo foi técnica do professor”, atribui.
A pequena Sofia Vono Coube, 9 anos, era a mais nova a participar da clínica. Com cinco anos de hipismo festeja sua nova façanha: ter saltado 1,20m. “Foi um aprendizado muito bom. Superei muitas coisas. Antes, eu saltava 90cm e fiz um exercício saltando 1,20m. Foi uma superação. O Musa me ajudou a saltar pela primeira vez esta altura. Quando ele me disse que eu iria saltar 1,20m eu achei que era brincadeira. Mas com a técnica que ele me passou eu consegui”, comemora. Em meio à felicidade pelo feito, a jovem amazona confessa: “Eu rezei antes de saltar.”