Muitos dos que participaram dos Festivais de Águas Claras são empresários atualmente. Alguns só se dispuseram a falar desde que fosse mantido o sigilo de fonte. Outros, nem quiseram falar. Paulo Roberto Penatti, o Paulão do Armazém, participou do festival em 81 e contou parte daquilo que viveu nos três dias de festival.
“Eu participei com uma barraca que vendia miudezas como sabonete, papel higiênico, fósforo, cigarro e até camisinha de lampião. Eu não perdi a oportunidade de viver aquele momento como único. Participei de tudo. Assisti shows e foi muito bacana. Foram momentos inesquecíveis. Deveria ter mais. É que no Brasil tudo é sempre complicado.”
Paulão lembra com saudade que pleiteou um espaço e montou duas barracas grandes para comercializar miudezas. “Só participei de uma edição, provavelmente a de 81. Como a gente estava se firmando e seria interessante para projetar o nome do bar Armazém, então fomos. No outro festival, não pudemos ir. Eu e minha sócia já tínhamos uma linha de trabalhos diferenciados no bar e não podíamos se dar ao luxo de sair. Demos sorte porque choveu muito.”
O movimento era muito grande e trabalhávamos com uma equipe legal. “Tinha uma equipe trabalhando em turnos o que possibilitava que todos se divertissem nas horas vagas. Montamos cinco dias antes. Fomos a 5ª barraca a ser montada. Dormíamos e no dia seguinte o espaço diminuía porque novas barracas eram montadas. Um dia antes do início do festival, a gente tropeçava nas cordinhas que seguravam a ‘moradia’ dos campistas. Virou uma cidade de barracas.”
Ele não se lembra se pagou o aluguel do espaço. “Eu lembro que só nós vendíamos cigarros, fechamos com a Souza Cruz. Tinha um punhado de coisas pequenas. Não me lembro se vendia pinga. A gente não sabia o que de verdade ia rolar. A ideia era trabalhar com alimentação, mas já tinha gente nesse setor.”
Mistura
Na opinião de Paulão Penatti, o festival deveria se repetir. “Deveria ter mais. Só que num nível mais internacional que é o que funciona. Se avaliarmos o Rock In Rio houve muita mudança. Eles misturam música brasileira coisas que o público de rock nem curte. Eu sou eclético, gosto de som nacional também.”