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Éder Azevedo |
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Síndico Sérgio Sanches conta como a obra de interceptores perto do condomínio gera queixa dos moradores e cobra a solução |
Parece inacreditável, mas as obras de interceptores de esgoto que darão fim ao despejo de esgoto no Rio Bauru e o levará para a futura Estação de Tratamento de Esgoto (ETA) no Distrito Industrial voltaram a apresentar problemas.
Os moradores do condomínio Chácara Odete, na avenida Antenor Almeida, Jardim Colonial, reclamam que o esgoto está correndo a céu aberto com a instalação de novos tubos em um trecho do córrego Água Comprida que fica próximo às casas (leia mais abaixo).
Só que o problema ainda mais grave do que o mau cheiro é que naquele local já havia interceptores instalados pelo DAE em 2003, mas de pequena dimensão, insuficientes para redirecionar o esgoto.
Agora, com o crescimento populacional daquela região, eles não atendem mais à demanda e a autarquia está investindo no trecho pela segunda vez, em clara falta de planejamento do governo daquela época não tão distante assim.
De acordo com Rodrigo, os interceptores foram instalados em 2003, no governo Nilson Costa.
“Os condomínios residenciais Campo Limpo e Campo Belo começaram a ter interceptores de 200 milímetros. Depois fizeram uma extensão até a Chácara Odete e mais uma extensão para buscar o Jardim Niceia. Acontece que a cidade está crescendo muito naquela região e o tubo não comporta mais. Agora, o DAE está redobrando o tamanho daquele interceptor e instalando os de 450 mm”.
O problema é que deveriam ter instalado tubos maiores naquela época, pensando no crescimento populacional futuro. E só se passaram11 anos. “O problema é o custo. Na época, o pessoal fez essa opção por uma questão de ser caro instalar os maiores e por ter, naquele trecho, pouca ocupação. Agora está saindo bastante prédio, ocupação que não existia”, diz o prefeito.
Essa reinstalação poderá acontecer no futuro, ressaltou Rodrigo.
“Daqui 15 ou 20 anos vamos ter que colocar um interceptor maior ainda, porque a cidade vai crescendo. O problema mesmo de instalar maiores é o custo. Mas esses de 450 mm que estamos instalando são grandes e o serviço está adiantado. Nós estamos com a possibilidade de também jogar nessa bacia esgotos de outras regiões que hoje não contam com rede de esgoto, como o caso do Jardim Marambá”.
Transtornos
Enquanto isso, a instalação dos novos interceptores tem gerado transtornos para os moradores do condomínio Chácara Odete. O síndico Sérgio Sanches informou que a empresa Stemag Engenharia e Construções, responsável pela instalação dos tubos, retirou os interceptores antigos para colocar os novos, mas ainda não fez a interligação.
“O esgoto já era jogado aqui no córrego, mas dentro dos antigos interceptores. O problema é que os antigos foram retirados, os tubos novos foram assentados, mas não foram interligados. Dessa forma, o esgoto que vem de outros bairros, como o Jardim Niceia, não tem para onde ir. Ele vaza e acaba sendo despejado aqui, ficando a céu aberto. Como pode sentir, está um forte odor que incomoda a todos nós. Com o calor e o sol, o cheiro piora ainda mais e até moradores que têm casas mais distante do córrego também sentem o cheiro”, contou.
Para Sérgio, o problema é referente à continuidade de serviço. “Eles adiantaram bastante instalando os tubos, mas não adianta instalar e não interligar. Ficamos preocupados se irá demorar e se continuaremos com esse esgoto a céu aberto que não tem para onde ir”, enfatizou.
Junior Aguirre é um dos moradores que possui a casa de frente para o córrego. “O odor está muito forte por causa da tubulação aberta. Está bastante complicado mesmo. À noite, é horrível para dormir”, disse.
Interligações
A reportagem entrou em contato com a empresa Stemag Engenharia e Construções, mas não obteve retorno. Porém, a assessoria do DAE, que é responsável por contratar as obras, informou que o processo está correto e consiste em retirar os interceptores antigos, assentar os tubos novos e, por fim, realizar a interligação.
Segundo a autarquia, a empresa está no prazo para finalizar as ligações naquele trecho do córrego e os moradores do condomínio precisam aguardar até que as interligações sejam realizadas.
Conforme o JC publicou, a instalação de interceptores no córrego Água Comprida começou no final de janeiro e já teve 550 de 1.548 metros de tubulação assentados.
Na margem direita do córrego serão assentados 4.805,40 metros com tubulações de 450 e 750 milímetros, com início na altura da foz com o Rio Bauru até transpor a avenida Nações Unidas.
Já bem na margem esquerda, da avenida Rodrigues Alves até o ponto de lançamento existente na altura do Parque Camélias, a tubulação terá extensão de 1.548 metros e tubulações de 450 milímetros.
Entenda
Iniciadas em agosto do ano passado, as obras representam um investimento de R$ 16.758.474,00 e vão possibilitar que todo o esgoto despejado atualmente no Rio Bauru seja coletado e transportado à futura Estação de Tratamento de Esgoto Vargem Limpa, no Distrito Industrial I.
No dia 21 de janeiro deste ano, funcionários da empresa Stemag Engenharia, contratada do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru, iniciaram a implantação dos interceptores de esgoto na margem esquerda do Rio Bauru. A instalação teve início no cruzamento das ruas Alto Purus com a avenida Nuno de Assis, com tubulações de 1.200 milímetros de diâmetro.
No total, segundo informações do DAE, essa margem receberá 3.082 metros, sendo aproximadamente 200 metros através do método não destrutivo Tunnel Liner, realizado por meio de perfurações no subsolo na horizontal. O restante da obra será realizado através do sistema tradicional, que consiste na abertura de uma vala para instalação dos tubos.
Na margem direita do Rio Bauru já foram implantados mais de 1.900 metros de interceptores através de valas, restando 100 metros para conclusão dos serviços neste trecho. No córrego Água Comprida as obras tiveram início pela margem esquerda, onde até o momento foram assentados 550 metros de tubulações, de um total de 1.548 metros. A margem direita terá extensão de 4.805 metros.
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Éder Azevedo |
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Problema com interceptores antigos e novos em trecho do córrego Água Comprida: ‘efeito colateral’ de uma situação histórica que gera reclamações e expectativa |
Não faltam ‘intercorrências’ na trajetória dos interceptores
Não é de hoje que as obras de interceptores de esgoto, que é fundamental para a retirada in natura dos resíduos de esgoto despejados no Rio Bauru, geram queixas e problemas.
Conforme o JC publicou, obras deveriam estar prontas em dezembro de 2012, mas houve problemas no processo de instalação de interceptores e em processos licitatórios. Naquele ano, um laudo da consultoria Falcão Bauer apontou que pelo menos 1.000 metros de interceptores de esgoto em um trecho às margens da avenida Nuno de Assis, instalados pela construtora Passareli, apresentaram fissura.
Em 2013, o novo trecho de interceptores de esgoto na margem direita do Rio Bauru, para quem “sobe” da Rodoviária em direção ao Jardim Chapadão, rodou. Os interceptores se romperam em razão do assoreamento do Rio Bauru e o trecho teve de ser reinstalado pela construtora Passareli, que também precisou realizar a recomposição da margem e a contenção de erosão na margem do leito d´água na região. Em 2014, a empresa Stemag Engenharia e Construções Ltda, de São Paulo, venceu a licitação para implantação do último trecho de interceptores no segundo pedaço da área urbana no Rio Bauru e no Córrego Água Comprida, pelo valor de R$ 16,7 milhões.
No dia 11 de janeiro de 2015, o JC mostrou motoristas reclamando da baixa qualidade da pavimentação da avenida Nuno de Assis devido à instalação dos interceptores no rio Bauru. O que ocorreu é que a maior parte das obras exigiu a abertura de valas, o que danificou o asfalto da Nuno.
Diante disso, a empreiteira Stemag Engenharia e Construções foi obrigada a recuperar o asfalto, mas a qualidade desse serviço não foi aceita pelos condutores. Na época, o DAE alegou que o serviço executado é paliativo e toda a via será recapeada após o término da instalação dos interceptores, que deve ocorrer somente em abril. E conforme o JC publicou na última semana, as obras de interceptores de esgoto, custeadas pelo Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE), estão causando afundamentos na parte do aterro próxima ao começo do viaduto inacabado e preocupam a Secretaria de Obras.