08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Golpe no eleitor


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Estamos há pouco mais de um mês do começo do segundo mandato da presidente Dilma e o que vemos é uma total contradição do discurso de campanha. A presidente, em toda a sua campanha para a presidência, veio com um discurso que a economia brasileira estava um mar de rosas, que superamos todas as dificuldades sem perder a força do crescimento, que as vagas de empregos estavam em alta e por aí vai.

Passadas as eleições, tudo mudou, até parece que estamos em um outro país, a presidente mudou totalmente o discurso, o que estava bom anteriormente se transformou em verdadeiro caos. Primeiro o governo não conseguiu fechar suas contas e mudou a regra do jogo para ter as suas contas fechadas, mexeu em direitos dos trabalhadores, dos aposentados e pensionistas, autorizou o aumento das contas de energia elétrica em mais de 40% - lembrando que a mesma disse em campanha eleitoral que haveria maiores investimentos no setor elétrico e que a conta de luz iria diminuir. Pra quem duvida, basta pesquisar a época das eleições.

O preço do petróleo está em queda em todo o mundo e por aqui, para equilibrar as suas contas, houve aumento de impostos, impactando diretamente na cadeia produtiva do Brasil. Os financiamentos para habitação foram dificultados e informações vindo da Caixa Federal dão conta de que todos os financiamentos para casas do Minha casa, Minha Vida estão suspensos desde agosto de 2014. A informações vindas de várias regiões do Brasil que o repasse federal do convênio do SAMU não está chegando às prefeituras e a crise neste setor está alarmante. Quem está pagando a conta destes desmandos é a população mais pobre, justamente aquela que depositou as maiores esperanças no governo Dilma.

Pelos lados de São Paulo, tivemos um governador que afirmava categoricamente que a crise hídrica era coisa passageira e que não havia racionamento na Capital. Passadas as eleições, o que mais vemos em todos os noticiários é que existe sim um verdadeiro racionamento velado e que poderá em pouco tempo ser oficial e aplicar uma dura rotina as moradores da Grande SP.

Os governos, tanto o federal como o estadual, pregam que todos devemos ter a nossa parte de sacrifício para superar essa crise, mas não vemos neles a mesma disposição, não vimos ninguém falar em diminuir os cargos de confiança, reduzir os ministérios ou secretarias (alguém pode aqui me explicar o porquê de 39 ministérios?).

Ao contrário, por causa da eleição da presidência da Câmara vimos o candidato do governo com o aval do Executivo fazer um verdadeiro leilão dos cargos de segundo e terceiro escalão. Tudo isso nos leva à conclusão de que tivemos o maior golpe visto em tempos de eleições, pois os candidatos nos venderam um produto que não podem entregar.

Paulo Corrêa