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Agência Brasil |
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Em busca dos blocos que animam a cidade do Rio de Janeiro, foliões andam fantasiados pelas ruas da cidade |
Parece esquema de guerra: 15,5 mil policiais com 3,3 mil viaturas e 1,8 mil militares do Corpo de Bombeiros. Monumentos cercados com grades, lojas fechadas, prédios públicos protegidos com tapumes, esquema especial de trânsito, ruas interditadas e reforço de contingente nas estações do metrô. Mas a batalha, no caso, só se for de confete ou fanfarra.
O silêncio das ruas desertas do centro da cidade é quebrado por grupos de foliões e vendedores ambulantes em busca do próximo bloco, que seguem o som distante de tambores, metais ou carros de som. Na esquina da Avenida Presidente Antônio Carlos com a Rua Santa Luzia, no centro, um grupo uniformizado de ritmistas guarda seus instrumentos depois da passagem do Cordão da Bola Preta, na tarde de ontem (14).
Um casal mais discreto vem do Aterro do Flamengo em busca de mais folia na Praça 15. Os dois são de Salesópolis, interior de São Paulo, e passam o carnaval no Rio de Janeiro pela primeira vez. Com um amigo que mora no Rio, já tinham ido em blocos na Lapa, no jazz da Rua do Lavradio e em “um bloco de música do Nordeste”, no Aterro.
“Na nossa cidade, o carnaval é só à noite, de dia não tem nada”, diz Natascha Ribeiro, formada em direito, com um chapeuzinho rosa de lantejoulas. Sem adereços, o bancário Denis Renó de Farias curtia o clima de festa da cidade. “Aqui no Rio é todo mundo fantasiado, todo mundo se divertindo, levando a sério o carnaval”. Ele reconheceu a Assembleia Legislativa (Alerj): “não foi aqui aquela confusão nas manifestações?”, questionou. Eles ficam até terça-feira, porque voltam ao trabalho depois da Quarta-Feira de Cinzas, apesar dos blocos saírem no Rio até o domingo dia 22.
No metrô do Largo da Carioca, filas para entrar na estação e acessos exclusivos para sair. Um índio de sunga vermelha compra o bilhete enquanto o Super-Homem abraça a Mulher Maravilha na fila. No metrô é proibido andar sem camisa, mas não no carnaval, quando se torna o principal meio de locomoção, em meio a tantas interdições de ruas. Foliões com fantasias improvisadas se unem a passistas de escolas de samba com roupas elaboradas, nos vagões, e muitas vezes a cantoria de marchinhas continua nos subterrâneos. Um cartaz indica qual a estação mais próxima de cada bloco.
É noite de sexta-feira (13) e a Praça São Salvador, em Laranjeiras, na zona sul, está cheia, mesmo sem batuque. Um Batman está a postos para “salvar donzelas em perigo e proteger os frascos e comprimidos”. É o geólogo Pedro Rossi, que lamenta só poder sair da sua forma original durante o carnaval: “porque se não ninguém entende, o espírito do carnaval compele a gente a sair do óbvio e libertar o morcegão que existe dentro de nós. Amanhã, o Bruce Wayne fica em casa, e quem sai é a Nicolly. Ela é muito vulgar”, adianta. “Este é o clima legal, o dia dos tolos, quando você finge ser uma pessoa que não é, inventa um personagem, é festa”.
Domingo de manhã, a praça está bem vazia, mas a professora de educação física Paula Batista Gonçalves, com uma tiara de odalisca, procura diversão para a filhinha Juliana, 2 anos e 10 meses, vestida de noiva. “A gente está procurando bloco, achei que ia ter alguma coisa aqui na pracinha, mas não tem. Então, vou ao Largo do Machado ou ao Aterro do Flamengo para ver. Não gosto desses blocos de muita muvuca, em Copacabana, Ipanema, esses eu não vou não, prefiro os blocos pequenos, parados”.
No Flamengo, um rapaz passa de bicicleta, vestido com um corpete de oncinha, enquanto outro vestido de paleta mexicana espera o ônibus. No Largo do Machado, vários grupos com saias de tule, tiaras de orelha de coelho, perucas coloridas, colares havaianos ou, pelo menos, roupas coloridas e com brilho, seguem para o metrô. No Catete, passa um grupo de robôs de caixa de papelão. Na Glória, são dois Magnetos (personagem da levando um enorme saco de gelo na moto. Já na Lapa, quem procura a folia é uma obra do Romero Brito.
Na Praça da Bandeira, o painel eletrônico de trânsito avisa: “Acesso proibido [à Avenida] Presidente Vargas. Carros alegóricos na via”. Tudo normal, afinal é assim que as pessoas seguem em busca de folia enquanto o Rei Momo estiver com as chaves da cidade.
Michael Jackson, Roberto Carlos e Raul Seixas são homenageados em blocos de rua
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Agência Brasil |
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Há cinco anos, o bloco Exalta Rei toca músicas de Roberto Carlos para esquenta a folia |
Grandes nomes da música brasileira e internacional ganharam blocos de carnaval exclusivos para tocar suas músicas, no Rio de Janeiro. Na manhã de hoje (15) o Thriller Elétrico levou o rei do pop aos foliões da Vila Isabel, na zona norte da cidade, pela terceira vez. Com uma banda, três cantores e uma bateria completa, a Praça Barão de Drummond pulou ao som de Bad, Billie Jean, Beat It, entre outros, em ritmo de carnaval.
Usando uma coroa, o estudante Mateus Ribeiro Câmara disse que já tinha comprado a fantasia para o carnaval todo e foi coincidência ir ao Exalta Rei. Acabou caindo na zoação dos amigos. “Eu sou o rei da galera, rei do carnaval, rei do verão carioca, rei do camarote agregando valor. Mas o mais importante é o rei Roberto Carlos, sempre. É, com certeza, o rei da simpatia, o rei de quem cuida da cidade, de quem se importa com os outros, é isso que importa mais”.
No fim da tarde, será a vez do “maluco-beleza-poeta-herói-marginal” ser homenageado pelo bloco Toca Rauuul, também na Praça Tiradentes. Com releituras das músicas de Raul Seixas em ritmos carnavalescos como frevo, samba, marchinha e maracatu, “sem jamais perder a pegada rock ‘n’ roll”, o bloco saiu pela primeira vez em 2011.
No domingo passado (8) já teve o Fogo e Paixão, que desfilou pela quinta vez no dia em que foram lembrados os três anos da morte do “muso” do bloco, o cantor Wando. E amanhã será a vez dos beatlemaníacos caírem no batuque do Bloco do Sargento Pimenta, que desfila a partir das 15h, no Aterro do Flamengo.