09 de julho de 2026
Carnaval 2015

Eles ficam nos bastidores do samba

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O Carnaval é uma data muito esperada por conta da alegria e beleza transmitida ao público. Ao verem cada fantasia, cada carro alegórico, luzes e cores pelo no Sambódromo, as pessoas muitas vezes não pensam em quem está por trás disso. São eles os bastidores do Carnaval.


A reportagem do JC percorreu os bastidores da cada escola que desfilou na noite deste sábado: Tradição da Zona Leste, Acadêmicos da Cartola, Imperatriz da Grande Bauru e Mocidade Unida da Vila Falcão. De cada uma delas, o JC conheceu alguns foliões que, apesar de ficarem atrás de todo o cenário, também são destaque.


Dando o sangue


Ao perguntar quem seria um dos membros fundamentais para que a Tradição da Zona Leste conseguisse sair na avenida, um nome era unânime: Edilson Barduchi, 54 anos. Soldador de profissão, foi convidado a fazer parte da escola quando se aposentou. O convite foi aceito de pronto.


“Eu trabalho ainda em uma serralheria e divido os meus horários com a escola de samba. Estou sem dormir mas a adrenalina é muito grande em ver tudo funcionando perfeitamente. A quadra da Tradição fica ao lado da minha casa, então estou lá a todo momento. Muitas vezes, literalmente, dou o sangue pela escola. Acabo me machucando mesmo”, brincou.


Casal do samba


O casal Amauri Gasquel, 46 anos, e Débora Said, 40 anos, têm 30 anos de Acadêmicos da Cartola e 25 anos de casados. Moravam nas proximidades da escola de samba e sua história de amor não se separa da trajetória que têm com a agremiação.


“Nós ajudamos em tudo o que precisa, e eu também faço parte da bateria, toco surdo treme-terra”, disse Amauri. “Nós vamos todos os dias no barracão, ontem (sexta-feira) ainda ajudei a costurar e colar algumas fantasias. Não tem palavra que define fazermos parte da Cartola”, complementou Débora.


O faz tudo


Apesar de ser filho de José Carlos Zotino, presidente da Imperatriz da Grande Bauru, o tímido Glauber Zotino, 33 anos, cuja profissão é auxiliar de supermercado, é definido como o “faz tudo da escola”. Antes de a agremiação entrar na avenida do samba, ele ajeitou um carro alegórico, o movimentou, e, de repente, estava saindo na bateria.


“Eu não ia sair na bateria, resolvi entrar na última hora”, disse, sorrindo, ao ser questionado se foi um improviso. “Estou na escola desde pequeno, por influência do meu pai e aprendi a fazer de tudo um pouco”.


Personificando sentimentos


Breno Mendes do Amaral, 68 anos, é um grande idealizador na Mocidade Unida da Vila Falcão. Ele já fazia parte da antiga agremiação, desde a década de 70. Com o “ressurgir” da escola, agora “Unida”, totalmente diferente, ele também voltou a fazer o que já fazia: “personificar sentimentos”.


“Tudo o que eu sinto, imagino, eu idealizo junto a outros colegas da agremiação. Isso aqui que você está vendo foi tudo ideia nossa. Tivemos uma indicação de carnavalesco, mas moldamos do nosso jeito. Soldamos, esculpimos, modelamos. É um sentimento que conseguimos personificar, tornar realidade”.