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Douglas Reis |
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No imagem acima, destaque para as baianas estilizadas: Maria Inês Lopes, Marilsa Leite, Aninha Guedes, Lurdinha, Guti Auadi e Terezinha Casalechi; |
Quem são as mulheres que há décadas encantavam as festas de Carnaval em Bauru? Foram muitas. Três dezenas delas, no mínimo. A incumbência de véspera de “terça-feira gorda de Carnaval” era ouvir, pelo menos, duas delas. Afinal, são mulheres que têm muito o que contar sobre os carnavais bauruenses de antigamente e que ainda estão na memória de muitos.
E, como coincidências não existem, quis o destino que encontrássemos ontem para entrevistas, em separado, duas delas, com sobrenomes diferentes. Uma é Aninha Guedes. A outra Lurdinha Araújo. Só que esta repórter que vos fala não sabia, apesar de conhecer as duas, que elas são irmãs. Claro, as duas têm sobrenome Carvalho, porém, hoje, são conhecidas pelos sobrenomes dos respectivos maridos, no caso José Guedes e José Araújo (já falecido), dois grandes incentivadores de suas mulheres.
Conversar com elas rende boas histórias e daria um livro ilustrado sobre as musas dos antigos carnavais bauruenses.
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Douglas Reis |
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Lurdinha exibe com orgulho o álbum dos antigos carnavais |
Maria de Lourdes Carvalho Araújo não desfilava nos anos 60, mas assistia os desfiles na avenida Rodrigues Alves, de “camarote” com o então namorado (com quem se casou mais tarde) José Araújo, em local privilegiado ao lado do Liceu e brincava nos clubes. Alguns anos depois uma turma de pelo menos 12 casais passou a se reunir na casa deles para organizar o que seriam carnavais inesquecíveis e tempos áureos tanto nos clubes, Hípica e Bauru Tênis Clube. Também participaram dos desfiles na rua Primeiro de Agosto e depois na avenida Nações Unidas, antes da existência do Sambódromo.
‘QG’ da turma
Sempre com fantasias luxuosas, a casa de Lurdinha se transformava no “Quartel General” (QG) da turma. Eram dias e dias criando, depois bordando, confeccionando as fantasias. “Paulo Keller só não dormia na minha casa, nesta época do ano, ficava enfurnado fazendo as torres das cabeças que eram os destaques mais bonitos”, diz, em referência ao estilista, designer e carnavalesco bauruense homenageado neste ano pela Mocidade Unida da Vila Falcão. “Ele (Paulo Keller) e Roberto Godoy (outro estilista já morto também) eram as nossas melhores referências. E amigos mesmo, do peito”.
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Fotos: Quioshi Goto |
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Hoje, Aninha e José exibem foto do tradicional Carnaval da Hípica; na imagem ao lado, as irmãs Lurdinha Araújo e Ana Guedes ladeadas por Adelina Mastroiani (à esquerda) e tendo em pé Marinez Lopes, outras das musas |
Foram mais de três décadas de desfiles. “Eu gostava tanto que minha filha Ângela nasceu em novembro de 1982 e em fevereiro de 83 já estava com a turma lá no clube. E eu ainda amamentando”, conta a aquariana que dentro de alguns dias fará 71 anos e esbanja disposição para outros carnavais. “Depois que meu marido morreu, perdeu a graça, mas as lembranças são muito boas, sabe? Tudo tem seu tempo”.
Valeu a pena
A irmã mais nova dela, Ana Guedes, confirma que o burburinho na casa era ótimo nessa época do ano. “Era uma festa já a preparação”, lembra, ao lado do marido que, como o esposo de Lurdinha, nunca cerceou a participação da mulher na festa popular. Aliás, tem orgulho e participava também.
Na segunda-feira (16), ela estava um pouco chateada com a morte da mãe de uma amiga muito querida, mas seu depoimento sobre os áureos tempos das musas dos carnavais bauruenses resume tudo. “Foram mais de 35 anos muito compensadores. Os preparativos eram de muita alegria, a turma muito unida e a gente agradava também os demais foliões. Quem via gostava do resultado final, mesmo não fazendo parte da turma. Valeu a pena”.
Quem sabe elas e demais companheiras não se animam e, no próximo ano, criam o bloco ou a ala de musas. Fica aí a dica!