Segundo receita disponibilizada no site do sanduíche Bauru, no Portal do Município, o famoso lanche possui tomate em sua receita. A lei municipal 4.314, de 24 de junho de 1998, que oficializa a iguaria, coloca "fatias" de tomate em sua composição. A despeito disso, por ser algo de domínio público, compreendemos que por desconhecimento ou empáfia alguns, mesmo não nascendo aqui, se achem donos da receita; a própria Wikipédia coloca entre as variações do sanduíche uma com queijo gruyére e mostarda dijon, confundindo um pouco os que não frequentam o Skinão ou mesmo o Ponto Chic, já que tais lugares não são habituais aos afeitos a locais onde se serve amendoim salgado como acepipe principal.
Aos que possuem a habilidade da leitura e o dom da boa memória, sempre foi objetivo de nosso bloco falar dos problemas de nossa cidade. Apenas e unicamente. Sempre falamos isso e chega até ser chato repetir. Já cheguei a citar Tolstoi ao falar que para sermos universais, devemos falar de nossa aldeia. Poderíamos falar de Petrobras, de Sabesp, de Privataria Tucana, de trensalão, de rombos no Hospital de Base, de escolas estaduais superlotadas, da PM espancando segundo critérios de cor de pele.
Mas não queremos, senão até o nome do bloco deveria ter mudado, algo como "Brasil sem tomate é pizza" ou "Pega na coxinha" e, convenhamos, já tenho tanto trabalho em escrever sobre as enchentes e preço de ônibus que teria de fazer um enorme samba-enredo para falar de tudo que ocorre em nosso lindo e mal cuidado País. Sequer falo de políticos da cidade, apesar dos inúmeros pedidos para fazê-lo, procuro falar de situações que sobrevivem a governos e administradores, esta é nossa proposta. Independente disso, o bloco foi e é uma brincadeira sem partidos. Não pertenço a partidos há anos. Me desfiliei do PSB há uns 10 anos e antes disso, pasme, o PSDB era meu partido. Se fôssemos petistas, sequer criticaríamos os problemas de Bauru, visto que o PT faz parte da administração. Vi amigos artistas, professores, de vários (ou nenhum) partidos, transeuntes e simplesmente sambistas desfilando e por algum tempo, sorrindo e sem se importar com o preço dos tomates ou problemas diários.
O bloco está na rua e sugiro que se criem muitos blocos independentes para o próximo Carnaval, seja falando da Petrobras, do Zé Dirceu, bloco da Maria da Penha e até do professor do cinto largo... O Carnaval de Bauru precisa disso, de blocos, de alegria e bom humor. Dependendo do nível do bloco e do cachê, eu até faço a letra da marchinha, se tiver tempo. Finalizando, eu entendo que comissionados tucanos escrevam cartinhas nos criticando e querendo nos colocar a etiqueta de "petralhas", isto é errado, apesar de abrigarmos alguns petralhas; somos gentalha de péssima estirpe, antes e acima de qualquer coisa.
Mas, reafirmando, eu entendo a necessidade de comissionados em mostrar serviço criticando o PT, se eu recebesse um salário de cinco algarismos para ocupar um cargo de fachada eu defenderia minha "ideologia" com um taco de beisebol nas mãos e, tal e qual alguns comissionados, chegaria a inventar motivos para fazê-lo...
Silvio E. S. Selva - Um (I)responsável do Bloco Bauru Sem Tomate é MiXto