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Éder Azevedo |
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Padres Marcos Pavan e Herman Voss junto com Alexandre Adjalma, integrante do grupo de jovens |
A Comunidade de Jovens da Catedral do Divino Espírito Santo, que fica na Praça Rui Barbosa, em Bauru, se reúne todos os sábados à noite para orações e louvores. Mas, amanhã, a missa será especial, pois serão celebrados os 45 anos da Comunidade e também os 50 anos de sacerdócio do padre Herman Voss, que foi responsável pela Pastoral da Juventude na década de 70. A expectativa é que ex-integrantes do grupo de jovens da Catedral, juntamente com os atuais membros, participem da cerimônia. Após a missa, haverá confraternização e exposição de fotos no salão paroquial.
O grupo foi fundado no mês de fevereiro do ano de 1970 por iniciativa do falecido padre Ivo Martinelli que, na época, era pároco da Catedral. Quatro anos após chegou à igreja o padre Herman, que veio da Bélgica para dar aulas de economia em uma universidade. Em 2006 ele retornou para seu País de origem, mas uma vez por ano visita o Brasil para rever os amigos bauruenses. “Acompanhei de perto o crescimento do grupo e fui o responsável pela Pastoral da Juventude. Eram em torno de 120 jovens e foi o grupo que me acolheu aqui em Bauru. Laços muito fortes de amizades foram criados e até casamentos saíram das reuniões. Fazíamos retiros e encontros nos finais de semana, os quais permitiram que esses jovens repassassem os valores éticos recebidos para a família e vida profissional. Para a época, isso era uma inovação”, relembrou.
Além das questões religiosas, os encontros daquela época também traziam reflexões políticas e sociais. “Era uma época de ditatura militar e muitos jovens refletiam as questões políticas e sociais do País. Havia muitas discussões e a igreja se tornou um lugar seguro para isso. Mas os jovens não deixavam de congregar com o ideal cristão”, contou o padre.
Desafio
Muitos jovens passaram ao longo de todos estes anos. Porém, segundo padre Herman, aos poucos, o grupo de jovens da Catedral, assim como de outras paróquias, diminuiu. “Antes, a igreja era referência na sociedade, mas, depois da abertura política que houve no Brasil, o grupo de jovens ficou menor e houve um distanciamento”, contou.
Atualmente, participam cerca de 40 jovens no grupo da Catedral. De acordo com o padre Marcos Pavan, pároco da igreja, hoje o grupo é voltado para a formação religiosa, oração, aprofundamento espiritual, mas está buscando retomar questões de ações sociais e políticas. “É uma graça de Deus ver esse grupo que começou com o padre Ivo, padre Herman e outros padres que deram apoio. Estamos em uma sociedade em que a juventude não quer deixar sua casa no sábado à noite para rezar. Então, é uma alegria muito grande termos esses 40 jovens que querem buscar a fé. Agora, o próximo passo e o nosso desafio é buscar mais ações sociais e retomar as questões políticas e críticas. Talvez não serão questões tão aguçadas como na época da década de 70, mas queremos retomar essa visão crítica”, disse.
Serviço
A missa festiva para celebrar os 45 anos da Comunidade de Jovens da Catedral do Divino Espírito Santo será amanhã, às 19h, na quadra 3 da Praça Rui Barbosa. Quem celebrará a missa será o padre Herman Voss.
Realização
Padre Herman afirma que a comemoração é muito gratificante. “Eu me sinto realizado quando vejo que laços de amizade foram criados no grupo de jovens e que existem até hoje. Fico feliz quando os jovens daquela época me procuram e falam dos valores criados”, narra o padre.
A expectativa é que cerca de 300 ex-integrantes do grupo,participem da celebração.
‘A minha vida agora é outra’, diz jovem do grupo
Alexandre Adjalma é integrante do grupo de jovens da Catedral há cinco anos. Para ele, a comunidade fez diferença em sua vida. “Fui convidado por uma amiga há cinco anos e, desde então, não consegui deixar de ir. Fui muito bem acolhido por um pessoal de bom coração. Minha vida é outra e sou feliz de poder participar da comunidade. Fiz ótimos amigos e vou às reuniões todos os sábados. Também realizamos confraternizações, saímos para comer algum lanche, vamos em chácaras e temos até um grupo de futebol durante a semana. É muito bom e amo participar”, disse.
Para ele, os 45 anos da juventude é visto como a continuação de um trabalho que deu certo e que permaneceu ao longos dos anos. “É um trabalho que continuará dando certo. Acredito que nosso desafio para os próximos anos é agrupar mais jovens para criar círculos de amizades. Além disso, tem a questão social e mostrar para todos que é possível se tornar uma pessoa realizada profissionalmente sem se esquecer do lado espiritual”, disse.