08 de julho de 2026
Bairros

Disparam denúncias de mato alto

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 5 min

Fotos: Alex Mita

Na quadra 5 da alameda das Margaridas, no Vista Alegre,  mato alto incomoda - e muito - os moradores do bairro

Imagine chegar em casa depois de um dia puxado no trabalho e se deparar com um rato ou um escorpião caminhando pelos cômodos. Segundo alguns moradores, essa é a rotina nas imediações da quadra 5 da alameda das Margaridas, no Parque Vista Alegre. E não é uma exclusividade dessa região. Por toda a cidade, há terrenos com mato alto, que funcionam como um depósito de lixo e criam um ambiente ideal para a proliferação de animais peçonhentos e do mosquito transmissor da dengue.

De acordo com o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), Bauru conta com 66 mil terrenos sem edificação, sendo que a maioria deles (57 mil) é formada por áreas particulares. “É importante ressaltar que os terrenos que estão em áreas urbanizadas são nossa maior preocupação. Eles representam 45% do total”, pontua o prefeito.

E o prefeito tem de se preocupar mesmo. Por conta da situação desses terrenos, a população já perdeu a paciência e passou a denunciar mais. Dados levantados pela Secretaria Municipal de Saúde dão conta de que, em janeiro deste ano, a prefeitura recebeu 516 queixas de terrenos particulares com mato alto, lixo e outras irregularidades, sendo que, no mesmo período de 2014, foram 240 denúncias, um aumento de 115%.

O motivo recai sobre o excesso de chuvas e o medo de um surto de dengue (algo que é realidade na região e já preocupa Bauru). É o que afirma a chefe da Seção de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde, Nathalia Salvadeo Parizoto. “As chuvas fazem com que o mato cresça mais rápido, mas o fator determinante para esse aumento é o medo da população de passar por uma epidemia de dengue”, argumenta.

Quanto ao excesso de chuvas, o Centro de Meteorologia (IPMet) de Bauru da Unesp comprova a tese de que, em janeiro de 2015, houve mais precipitação do que no mesmo período do ano anterior. Para se ter uma ideia, no mês passado, a instituição registrou um acumulado de 178,8 milímetros de chuvas. Em janeiro de 2014, foram apenas 104,6 milímetros.

Além disso, o estado de alerta dos bauruenses em relação à dengue também faz sentido. Tanto que, segundo o JC apurou, em janeiro do ano passado, a cidade não registrou um caso sequer da doença. Por outro lado, no mesmo período de 2015, foram 19 ocorrências, sendo nove autóctones, dez importadas e nenhuma morte. Mas os casos não param de crescer (leia mais abaixo).

Fiscalização

De acordo com Nathalia Salvadeo Parizoto, da Secretaria Municipal de Saúde, o setor utiliza o Código Sanitário, instituído pela Lei Municipal 3.832, datada de dezembro de 1994, e outras leis que se fizerem necessárias para fiscalizar e autuar os proprietários de terrenos particulares que não mantêm as áreas limpas, roçadas e capinadas.

“A vistoria é feita através das denúncias e do efetivo que está na ruas”, pontua Parizoto. Ela acrescenta ainda que é difícil mapear áreas com maior concentração de terrenos “esquecidos”, porque eles estão por toda parte. “Muitas pessoas adquirem terras para investir, ou seja, esperam que elas venham a se valorizar adiante e isso tem em qualquer lugar da cidade”, diz.

Quando um terreno irregular é identificado, o proprietário recebe um auto de infração e tem 15 dias para fazer a limpeza ou apresentar recurso. Se, dentro desse prazo, o problema não for resolvido, o dono é multado em até R$ 4,9 mil e tem 30 dias para pagar, além de fazer a limpeza. Caso nada seja feito, o processo vai para a dívida ativa da prefeitura.

Como denunciar?

Se alguém identificar um terreno com mato alto, depósito de lixo e entulho ou outras irregularidades, basta fazer uma denúncia através do Poupatempo, localizado na avenida Nações Unidas, 4-44, no Centro, em Bauru. O atendimento ocorre de segunda à sexta-feira, das 8h às 17h, e aos sábados, das 8h às 13h.

Outra opção é ir até a Seção de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde, que fica quadra 2 da rua Henrique Hunziker, na região do Jardim Redentor, e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Mais informações podem ser obtidas por meio do telefone (14) 3103-8050.


E mais dengue...

E uma das maiores preocupações da população com o descaso em terrenos é a dengue. Em cidades da região, a doenças se espalha até com mortes. Em Bauru, a situação já preocupa.

Para se ter uma ideia, só na última sexta, a prefeitura confirmou, de uma só vez, 15 casos. Assim, a cidade já alcança a marca de 161 registros da doença, sendo 136 autóctones e 25 importados. Felizmente, não foi registrado óbito na cidade neste ano. Em 2014, foram registrados 432 casos, sendo 380 casos autóctones e 52 importados, também sem mortes.


Moradores sofrem com a‘invasão’ dos bichos

Na quadra 13 da rua Jorge Schneyder Filho, no Parque Bauru, um terreno de cerca de 5 mil metros quadrados está com mato alto e lixo. Os moradores da região não aguentam mais os ratos e escorpiões dentro de casa. “Como a área está aparentemente abandonada, tem gente que joga até sofá velho por lá”, denuncia o segurança Antonio Madeiros Almeida, 49 anos.

Outro morador que sofre com o problema é o comerciante Alvaro de Oliveira Graça Neto, 46 anos. Perto da casa dele, na quadra 4 da rua Altair Leite de Campos, no Jardim Carolina, um terreno mal conservado incomoda a vizinhança. “Quando chove, o entulho jogado no local vai para a rua, atrapalhando o trânsito e entupindo os bueiros”, reclama.

No primeiro caso, a assessoria de imprensa da prefeitura informa que os fiscais da Secretaria Municipal da Saúde irão vistoriar o local e notificar o proprietário para que faça a limpeza. Quanto à segunda denúncia, a pasta já havia encaminhado uma notificação ao dono do terreno. Inclusive, ele é reincidente.

 

Quioshi Goto

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