11 de julho de 2026
Cultura

Entrevistados do JC comentam Oscar e se dividem entre aplaudir "Birdman" e lamentar a derrota de "Boyhood"

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Danny Moloshok/Reuters  

Aos 54 anos, Julianne Moore levou estatueta de melhor atriz por atuação em ‘Para Sempre Alice’

Nicholson Lucy/Reuters

O mexicano Alejandro González Iñárritu só sorriso: melhor diretor por ‘Birdman’

Mike Blake/Reuters

Britânico Eddie Redmayne, melhor ator, recebeu ontem elogio público do astrofísico Stephen Hawking, que ele interpretou

 

 

 

 

 

 

 

 

Teve de tudo um pouco no Oscar. O evento realizado domingo, em Los Angeles, mostrou até o apresentador Neil Patrick Harris de cueca no palco em  paródia de “Birdman” (vencedor em quatro categorias, inclusive a de melhor filme).

Em Bauru, também existe uma “academia própria” formada por cinéfilos que, além de gostarem muito de cinema, entendem da arte. Teve até bolão de amigos na noite do Oscar. E a jornalista Júlia Dantas, 27 anos, foi a ganhadora do bolão deste ano. São cinco anos analisando como a academia escolhe seus ganhadores.


“Encaramos o bolão como um evento entre amigos. Tem gente que até se reúne para assistir. Como participo do bolão, aprendi a entender um pouco como a academia vota. Não teve surpresa para mim, mas acho que ‘Boyhood’ devia ter ganhado”, opinou.


O jornalista e cinéfilo Gustavo Cândido, 43, foi além dos comentários. Fez questão de reproduzir cenas de filmes como “Forrest Gump” e “Boyhood” em fotos com ele mesmo de “protagonista”. A produção foi na Praça Dom Pedro II (Centro de Bauru) e no tapete de sua própria casa. Quem viu pelo Facebook, aprovou.


“Muita coisa está envolvida no prêmio, além da qualidade. Então quando falamos em ganhar, existem injustiças que o tempo irá corrigir. Como, por exemplo, quando ‘O Resgate do Soldado Ryan’ perdeu para ‘Shakespeare Apaixonado’. Com o passar dos anos o ‘O Resgate do Soldado Ryan’ foi se tornando cada vez mais referência, mais clássico”, avalia ele.


Seguindo a mesma linha de raciocínio, o jornalista comparou “Boyhood” e “Birdman”. “‘Boyhood’ é uma ideia fantástica! E ‘Birdman’, com a maneira de filmar com a câmera contínua, trouxe história lúdica sem deixar de ser crítica e original”.


No seu ponto de vista, acredita que Michael Keaton deveria ter levado a estatueta de melhor ator, ao invés de Eddie Redmayne, protagonista de “A Teoria de Tudo”.


“Nós já vimos atores fazerem personagens com deficiência, alterações físicas. Você sabe que é um papel que exigirá muito do ator, mas eu acho menos sutil do que o papel do Michael, de ator atormentado pelo passado, pelo desejo de mudar a vida. Eu senti sim do ‘Boyhood’ não ter faturado a direção ou talvez até filme”.


Análise e emoção


Já Lucius de Mello, autor do livro “Eny e o Grande Bordel Brasileiro” e que trabalhou em Bauru, aprovou os donos das estatuetas deste ano. “Gostei muito da vitória de ‘Birdman’. Sou fã do Alejandro González Iñárritu desde “21 Gramas” [2003]. O filme realmente mereceu o prêmio de melhor do ano, melhor roteiro original e melhor direção”. Sobre a cerimônia em si, destaca: “O momento mais emocionante foi Lady Gaga e o tributo aos 50 anos do filme ‘A Noviça Rebelde’”.


Também consultado pelo JC, o produtor Willian Volponi justificou que a produção diferente de “Boyhood” e “Birdman” foi crucial.


“Os dois projetos foram audaciosos: o ‘Boyhood’ e o ‘Birdman’ tiveram uma ideia de montagem muito diferenciada. O fato do ‘Birdman’ ter passado a imagem de que foi gravado em um ‘take’ só acaba chocando mais do que o ‘Boyhood’, que foi gravado em 12 anos. Acaba não sendo surpresa que ele tenha ganhado mais prêmios do que o ‘Boyhood’”.


Brasil na vontade


Disputando a estatueta com o elogiado documentário “O Sal da Terra”, codirigido pelo brasileiro Juliano Salgado, filho do fotógrafo Sebastião Salgado, tema da produção, o Brasil perdeu para “CitizenFour”, sobre Edward Snowden.

Reprodução

Gustavo Cândido ‘vira’ Forrest Gump em ensaio no Facebook