10 de julho de 2026
Geral

Baixo efetivo é o maior entrave da Polícia Federal, diz sindicato

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto

Alexandre Sally iniciou por Bauru a série de visitas a cidades 

“Para trabalhar da maneira ideal, a Polícia Federal deveria contar com o triplo da quantidade de profissionais que o órgão possui atualmente”. A afirmação do presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Federal no Estado de São Paulo (Sindpolf-SP), Alexandre Santana Sally, dá a tônica do que deve ser a principal reivindicação da categoria a ser levada à mesa de negociações com o governo federal neste ano.


Segundo ele, este é o principal entrave enfrentado pelas delegacias regionais não apenas em âmbito nacional, mas também no Estado. “Hoje, contamos com cerca de 1,2 mil policiais federais em São Paulo. Deveríamos ter 4 mil. As contratações por meio dos concursos públicos que têm sido abertos conseguem apenas repor os que se aposentaram, faleceram ou mudaram de carreira”, frisa.


Sally esteve em Bauru, ontem, para iniciar uma jornada que terá cerca de um mês de duração.


Neste período, o presidente sindical percorrerá todas as 15 cidades paulistas que são sedes de delegacias da Polícia Federal para dialogar com as bases sindicais e saber delas quais são as principais dificuldades de trabalho enfrentadas pelos servidores.


“Além da falta de efetivo, a defasagem salarial gritante também é outra reclamação recorrente”, pontua ele, referindo-se à diferença de reajustes oferecidos nos últimos 12 anos à PF e a outros órgãos, como a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a Receita Federal. “E é importante destacar que, ao longo dos anos, os policiais federais foram acumulando atribuições, como a emissão de passaportes, o controle de armas, de produtos químicos e de segurança privada, apenas para citar alguns exemplos”, cita.


O levantamento a ser feito nos próximos 30 dias deverá subsidiar o sindicato para elaborar a pauta de reivindicações da categoria, embora Sally reconheça que será difícil obter qualquer reajuste salarial ainda neste ano.


“Aguardamos para março uma resposta sobre um estudo elaborado por um grupo de trabalho nosso, mas não para ter efeitos ainda neste ano. Essa probabilidade é zero. Esperamos que seja estabelecida uma tabela progressiva a partir de 2016”, adianta o presidente do Sindpolf-SP.


Racha


Alexandre Santana Sally destaca, contudo, que irregularidades trabalhistas pontuais denunciadas ao longo de suas visitas às bases e que demandem a adoção de medidas imediatas serão encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF) e à própria Superintendência da PF em São Paulo. “E as condições internas pioraram muito desde a greve de 2012, quando um racha dividiu a Polícia Federal. A convivência ficou muito difícil e o embate de interesses, até mesmo no Congresso, se intensificou”, pontua.


Sally cita que, desde a última paralisação, estabeleceu-se um tipo de “apartheid institucional” entre agentes, escrivães e papiloscopistas, de um lado, e delegados federais, no outro polo. Os primeiros seguem reclamando dos entraves para a ascensão profissional em funções de chefia, atualmente centralizadas pelos delegados.


Reivindicam remunerações mais próximas e reconhecimento profissional, salientando que a falta de desafios leva, quase sempre, ao desestímulo.


“E esta situação só faz com que aumentem os afastamentos de ordem psicológica e as desistências da carreira, o que contribui para reduzir ainda mais o efetivo já defasado”, finaliza o presidente do Sindpolf-SP, Alexandre Santana Sally.