08 de julho de 2026
Polícia

Ano começa com queda de crimes em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan/Arquivo

Ricardo Martines e Flávio Kitazume afirmam que os dados refletem a intensificação do trabalho

Todos os índices criminais registraram queda em Bauru no mês passado, em comparação a janeiro de 2014, segundo dados divulgados na terça-feira (24) pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-SP). A única exceção foram os roubos de veículos, que aumentaram de três para oito ocorrências. Os dados foram bons também no Estado.


Segundo as polícias Civil e Militar, os resultados reforçam uma tendência que vinha sendo verificada desde o ano passado e refletem a intensificação do trabalho preventivo e ostensivo que as duas instituições, somadas, desenvolvem. Segundo o  titular da Delegacia Seccional de Bauru, Ricardo Martines, a principal meta da SSP em todo o Estado é a redução dos índices de homicídios, roubo e furto de veículos, bem como roubos de maneira geral.


O número de assassinatos, por exemplo, caiu de oito para duas ocorrências. Já o de furtos de veículos, de

124 para 83 registros, um decréscimo de 33%. Os roubos (excetuando os de carros) tiveram redução de 10% no mês passado, na comparação com janeiro de 2014 (veja mais detalhes no quadro ao lado).


A queda de ocorrências envolvendo furtos de veículos, conforme o Jornal da Cidade já publicou, está intimamente vinculada à entrada em vigor, em julho passado, da lei estadual 15.276, conhecida como Lei dos Desmanches. Ela possibilitou o emparedamento – bloqueio das portas com parede de tijolos – imediato de lojas de revenda de autopeças que não apresentaram comprovação de origem de suas mercadorias.


Somente em Bauru, as atividades de 11 estabelecimentos do tipo já foram interrompidas. “Pela nossa experiência e até pelo que as investigações apontaram, estas lojas podem ter recebido muitas peças de veículos furtados. Extinguimos, portanto, parte da demanda por este tipo de material”, comenta o delegado seccional.


Dejem


Para o comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, os roubos de veículos diferem dos furtos porque, no primeiro caso, quase sempre são cometidos para auxiliar na fuga de um criminoso ou para transportar o bem que ele acabou de subtrair da vítima. “Tivemos casos recentes que vitimaram entregadores de restaurantes e pizzarias. Os criminosos fizeram a encomenda e levaram dinheiro e celular do condutor, além da própria motocicleta, que é mais difícil de ser localizada posteriormente”, pondera.


Além da Lei dos Desmanches, Kitazume destaca que outra novidade, instituída em maio do ano passado, foi a Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho (Dejem), que permitiu o reforço do efetivo. “Eles contribuem para a ampliação do patrulhamento nas áreas e horários mais críticos, que são indicados pelo diagnóstico que a Polícia Militar realiza quase diariamente, com base na análise dos dados criminais”, observa.


Em relação à queda de homicídios, o delegado Ricardo Martines ressalta que o alto índice de esclarecimentos, com pedidos de prisões temporárias e preventivas dos autores, tem sido fundamental para conter este tipo de ocorrência. “Os percentuais chegam a 80% ou mais, resultado de um trabalho de investigação criterioso, desde as primeiras horas em que o crime chega ao conhecimento da polícia”, destaca.


Celulares e tráfico de drogas


Já os roubos vêm sendo combatidos, principalmente, por meio das ações policiais contra o tráfico de drogas e da identificação de receptadores de objetos levados das vítimas por usuários de drogas. Isso porque, segundo Kitazume, em boa parte dos registros, os alvos são aparelhos celulares ou outros pertences de menor valor carregados por pedestres.


Segundo Martines, a Polícia Civil também está orientada a requerer da vítima o número do Imei (sigla, em inglês, para Identificação Internacional de Equipamento Móvel) dos celulares roubados, que possibilita o bloqueio do equipamento.


“Esse procedimento é feito diretamente do departamento de inteligência policial para a operadora de telefonia. Quanto mais celulares roubados forem inutilizados, menos atrativo este tipo de crime será para quem o pratica”, finaliza.