“Será um verdadeiro exército pelas ruas da cidade”. A declaração do prefeito de Agudos (13 quilômetros de Bauru), Everton Octaviani (PMDB), dá uma dimensão de como será o Mutirão de Combate à Dengue hoje, que irá reunir cerca de 500 pessoas entre servidores e voluntários.
A ação, organizada pela prefeitura, acontece pelo quinto ano consecutivo no município e conta com apoio da Secretaria de Saúde e outros setores municipais, além da colaboração de voluntários de diversas entidades desde grupos formados em escolas e igrejas.
O objetivo é recolher materiais inservíveis que possam acumular água e servir como
criadouro do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. “Também para conscientizar os moradores sobre como evitar a propagação da doença”, acrescentou o prefeito.
Agudos, que tem cerca de 40 mil habitantes, contabiliza 31 casos de dengue somente neste ano. Deste total, 29 são autóctones (contraídos na própria cidade) e apenas dois importados. “Ainda não é um número preocupante, mas não podemos deixar sair do controle”, ponderou.
“No ano passado, não chegou a 15 pessoas infectadas”, orgulha-se Octaviani. Para isso, contudo, ele afirma que a recolha do lixo ocorre diariamente (exceto aos domingos), em todos os pontos da cidade.
Mutirão
Os agentes e voluntários se reunirão às 7h, na Emef Coronel Leite (ao lado da prefeitura), onde será servido uma café da manhã. Em seguida, após orientações de profissionais de saúde e também do próprio prefeito Octaviani, que acompanhará a mobilização, serão formados os grupos e cada um será enviado a uma região da cidade.
A ação irá mobilizar oito caminhões basculantes e quatro com carrocerias, três pás carregadeira, uma retroescavadeira e cinco veículos utilitários, além de vans e ônibus para transportar os voluntários. O mutirão segue até as 17h.
“Esperamos recolher, no mínimo, 250 toneladas de materiais inservíveis. Cada veículo deve fazer, em média, três viagens até o aterro sanitário durante o dia todo de mutirão”, enumera o chefe do Executivo.
“Além disso, o trabalho de conscientização é muito importante. Percorreremos de 11 a 12 mil residências. A expectativa é de que a população contribua com os profissionais, que estarão dispostos a tirar todas as dúvidas dos moradores e, claro, orientá-los”, acrescentou Octaviani.
As pessoas que participarem do mutirão receberão um “Selo de Responsabilidade Social”. “É um adesivo que será colocado na porta ou portão da casa, para identificar a participação do munícipe na campanha”, finaliza o prefeito.
Doença preocupa
A região de Bauru está em alerta e o surto de dengue já preocupa tanto a população quanto as autoridades. Em Marília, a doença já matou 11 pessoas somente neste ano. A vítima mais recente foi a psicóloga Delfina da Conceição Guimarães, 64 anos, que morreu na madrugada de ontem na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário. O atestado de óbito menciona queda de temperatura, hipertensão e dengue como causas da morte. A doença tinha sido diagnosticada na segunda-feira (23).
A morte é a décima-primeira na cidade atribuída à dengue. De acordo com a prefeitura, três casos foram confirmados por laudo do Instituto Adolfo Lutz e os outros aguardam o resultado dos exames. Protocolo do Ministério da Saúde exige que a confirmação da dengue como causa principal da morte só seja feita após a contraprova laboratorial por instituição oficial, no caso de São Paulo o Adolfo Lutz. A cidade está em estado de emergência, com mais de 3 mil casos confirmados da doença.
A cidade vive uma epidemia de dengue. Os últimos dados divulgados na semana passada pela Secretaria de Saúde do município apontam 3.939 casos em 2015. Em relação aos óbitos, a prefeitura confirma apenas três, uma vez que aguarda resultado de exames laboratoriais.
Em todo o Estado mais quatro pessoas morreram após contrair dengue no interior de São Paulo, elevando para ao menos 50 os óbitos relacionados à doença.