16 mil quilômetros rodados em cerca de 40 dias e 13 países visitados, por terra, nas Américas. Estes são os números da aventura da vida do músico e fotógrafo Miguel Rosa e do empresário americano James Chubb. A amizade se uniu à paixão por carros antigos e por aventuras, e a dupla trouxe para Bauru uma cobiçada caminhonete F100 Ford 1966 motor 302 - V8 de Washington, nos Estados Unidos.
Em Bauru há mais de 10 anos, James comprou a caminhonete e a deixou nos Estados Unidos, onde frequentemente vai a trabalho. “Eu decidi trazê-la para Bauru, onde vivo com minha esposa e filho. Dava para trazer como carga, mas algo ficou martelando na minha cabeça: traga a caminhonete por terra, dirija a caminhonete”, disse, bem humorado.
E assim foi. James convidou o amigo Miguel e a aventura teve início no dia 1º de janeiro. Até chegar a Bauru, no dia 10 de fevereiro, a vida foi de sucessivas surpresas pelos caminhos traçados nas Américas do Norte, Central e Sul. Enfrentaram a neve, o sol escaldante, a chuva, passaram ao lado de vulcão, por desertos, pântanos... A caminhonete foi transportada de navio pelo mar apenas por um pequeno trecho, já que a ligação entre as Américas do Norte e Central é uma floresta pantanosa, sem estrada.
“Foi uma missão. Traçamos as melhores rotas possíveis para fazer a caminhonete chegar. Atravessamos a maior rodovia do mundo, a Panamericana. E, olha, descobrimos que o Brasil é o paraíso. Passamos por países onde capacetes não existem para motociclistas e o transporte coletivo é um absurdo. As carrocerias de caminhões e caminhonetes andam cheias de pessoas”, conta Miguel.
Aventuras mil
E a viagem que é a dos sonhos de muitos aventureiros foi, sim, de colecionar histórias. Entre belas paisagens, sabores exóticos e típicos dos países latinos (alguns deliciosos, segundo os amigos, outros bem estranhos), costumes diferentes e povo, em sua maioria, acolhedor, a dupla também passou por perrengues e tensão ao passar por bloqueios de rebeldes no México, por exemplo.
“Não sabíamos o que encontraríamos pelos caminhos. Mas um amigo mexicano nos deu algumas coordenadas. E o povo? Ah, sensacional. Demos carona para um mexicano que subiu de guarda-chuva na caminhonete para se proteger do sol. Com uma mão ele segurava o acessório e, com a outra, ia fumando. Paramos no bloqueio e os rebeldes me chamaram de Bin Laden por causa da barba. Começaram a rir. Foi hilário”, narra Miguel.
Se os nativos de boa parte dos países visitados pelos turistas foram acolhedores, por outro lado, dificuldades também foram enfrentadas, principalmente com a corrupção policial de algumas localidades. “Mas estávamos com toda a documentação correta. Não mostramos medo e deu tudo certo. Foi preciso dialogar bastante”, afirma James.
O abastecimento foi um problema encontrado somente na Bolívia, onde o preço para estrangeiros chega a ser três vezes maior do que o valor cobrado para a população local. “E mesmo sendo mais caro, não vendiam. Então aprendemos a artimanha. Pegamos um galão, deixamos a caminhonete escondida e compramos pelo preço sugerido para os nativos”, confessa o americano.
Durante o trajeto, a Carotene, como foi batizada a caminhonete, quebrou seis vezes. Já em Bauru, ela tem destino certo: “Vou reformá-la e da garagem ela sairá apenas para passeios e exposições”, diz James.
Diário de bordo
As experiências inesquecíveis de Miguel e James foram por eles documentas e postadas ao longo do caminho nas redes sociais, em fotos e vídeos que foram ganhando proporção à medida em que os companheiros relatavam o que viam e viviam.
“Comecei a postar algumas coisas e vimos as postagens começarem a contar com interação dos internautas. Já no Brasil, em Campo Grande, por exemplo, um oficial de Justiça veio até a gente e pediu para tirar fotos porque estava acompanhando nossa saga. Na verdade, por onde passamos isso aconteceu”, lembra Miguel. Confira o diário de bordo online de Miguel e James em: www.facebook.com/bringingcarotenedown.