09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O prefeito que tirou o vale-compras dos aposentados


| Tempo de leitura: 3 min

Rodrigo Agostinho teve tudo na mão para ficar conhecido como um grande prefeito para a cidade de Bauru. Preferiu entrar para história como o prefeito que tirou o vale-compras dos aposentados (algo que, pasmem, sequer o ex-prefeito cassado, Izzo Filho, fez). Não adiantam conversas, entrevistas, notas na imprensa etc. dizendo que não tinha alternativa. A verdade é que o Tribunal de Contas vem apontando sobre a possível irregularidade há mais de dois anos e, durante todo este período, Rodrigo teve toda a estrutura jurídica da Prefeitura e a caneta na mão para resolver o problema, mas, ao invés de agir, escolheu empurrar com a barriga e nenhuma providência tomou a não ser ir à imprensa iludir os servidores garantindo que não mediria esforços para manter o vale-compras para os aposentados do município.
A ação de autoria do prefeito pedia única e exclusivamente o corte do vale-compras. Pior, pedia que o juiz não esperasse o julgamento da ação (que poderia durar anos enquanto os aposentados continuariam recebendo normalmente), mas que já ordenasse tal corte desde já através de uma liminar. Quisesse o prefeito apenas se resguardar, jamais teria pedido a tal liminar!
Pedido feito, pedido aceito. A Justiça atendeu a solicitação da Prefeitura de Bauru e concedeu a liminar cortando o vale-compras dos inativos. Aí começou mais um ato do grande teatro do Governo Municipal.
A carta publicada pela prefeitura no último domingo, contrapondo o que o Sinserm denunciou no dia 20 de fevereiro, página 04, deste mesmo jornal, dava a entender que a culpa do corte era da Justiça e que o prefeito, no auge de sua bondade, já havia entrado com embargos contra a liminar, solicitando que a mesma fosse adequada para que apenas os aposentados do futuro não recebessem o vale-compras.
A Justiça apenas atendeu ao que o prefeito pediu. Rodrigo pediu, a Justiça atendeu e, depois, num jogo de cena, Rodrigo tentou dizer à Justiça que não era bem aquilo que tinha pedido. Obviamente que a Justiça não acatou o embargo e manteve o pedido inicial do prefeito! Foi uma tentativa pífia de desviar o foco da questão principal: rodrigo agostinho entrou com ação para cortar o vale-compras e pediu uma liminar para garantir o corte desde já, antes mesmo do julgamento da ação.
Com isto, milhares de aposentados terão, já nos holerites deste mês o desfalque de R$ 285,00. A Prefeitura de Bauru possui diversos aposentados ganhando valores em torno de um salário mínimo. Tirar destas pessoas R$ 285,00 é condená-las à miséria. Imaginem quantos empréstimos com desconto em folha foram feitos contando com este dinheiro que sempre receberam? Pra não dizer os gastos que nossa saúde exige com a chegada de idades mais avançadas.
Da noite para o dia, através de ação ingressada, sim, na surdina, no final do mês de janeiro, os servidores se viram sem alternativas, completamente condenados às dívidas, à humilhação de implorar para que Prefeito, vereadores ou quem quer que tenha poder olhe com um pingo de humanidade para eles.
Não falamos apenas de fome, falta de remédios e condições básicas de vida, falamos de forçar nossos aposentados e mendigar por aquilo que lhes é naturalmente de direito. Rodrigo, o prefeito que cortou o vale-compras, tem a obrigação moral de cumprir sua palavra e tomar medidas urgentes pra compensar este golpe. Não importa como ou o nome que ele dará, se será abono, adicional ou qualquer outra coisa. O importante é que não deixe estes servidores na miséria. Nesta segunda-feira, na sessão da Câmara Municipal, os servidores municipais, ativos e inativos, se unirão ao Sinserm para exigir urgentes medidas. Faça sua parte e participe. À luta, servidores!

Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm)