09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Animais que puxam as carroças


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Se os animais que puxam as carroças tivessem cartão de ponto, o banco de horas trabalhados por dia seria de aproximadamente dez horas, isso depois de contar as oito horas seguidas de suor, peso e lágrimas. Muitos condutores/carroceiros se revezam no período noturno, mas o animal é o mesmo. Durante algum tempo, próximo às duas da manhã, passava na quadra onde moro uma carroça que arrancava o silêncio da madrugada. Não era o barulho da carroça, mas o trotar das patas do cavalo que ecoava como um grito de dor. E o soar destas patas no asfalto era como se pregos enferrujados encostados nos seus pés/patas fossem aos poucos dilacerando o que restava.
O animal, no mais absoluto silêncio, recebendo chicotadas, seguia obedecendo cegamente o seu condutor. Até que um dia, no horário de almoço, estando em casa, ouvi o mesmo som doído que estava na minha memória emotiva. Conseguindo assim, aproximar da carroça e de seu condutor, que após alguns questionamentos meus, afirmou veementemente que seu animal era bem tratado. Dizendo também que o animal "cochilava" enquanto ficava aguardando a sua ordem de retornar ao trabalho. Depois de mais algumas perguntas, o condutor sem responder, foi se afastando e o animal novamente obedecendo-o, mas sorrateiramente me olhava com aqueles grandes olhos e parecia pedir socorro. Este foi o último dia/noite que ouvi e vi a carroça e seu carroceiro.
Portanto, o projeto de lei que está em discussão: proibição de carroças em nosso município e a requalificação dos condutores/carroceiros, através do posicionamento/projeto de Renato Purini, é um avanço que demorou demais para acontecer, mas felizmente está nas tramitações com o acompanhamento eficaz da UIPA (União Internacional Protetora dos Animais). Grata.


Regina Ramos