08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A garganta que se calou...


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"Eu preciso partir, sei que não vou resistir..." era isso o que o famoso José Rico, da dupla Milionário e José Rico cantava - e emocionava -, em rodeios e exposições por todo o país. Conhecido como Garganta de Ouro, o homem de voz marcante e estilo diferenciado ganhou as rádios brasileiras e conquistou o público sertanejo com estilo único e interpretação incomparável.

Suas músicas foram inspiração para uma geração de sertanejos e, mais do que isso, para uma geração de apaixonados. A moda que hoje é conhecida como "sofrência", já havia sido trabalhada há anos atrás pela dupla mais marcante do sertanejo, mesmo que sem querer. Letras de tristeza e dor pela perda de um amor ou músicas de alegria e festa onde o cantor "quebra a taça da amargura" e grita alto: Viva a vida! Essa bipolaridade fez com que a dupla virasse um ícone do sertanejo, e não é de hoje!

Ao saber da morte de José Rico, ontem, fiquei emocionado, me lembrei da época em que meu avô ouvia e cantava suas músicas para eu e meus primos ouvirmos, dos shows que pude assistir e perceber que mesmo à beira dos 70 anos de idade, o homem cantava e honrava o título de "Garganta de Ouro". No palco a postura impecável mostrava que além de bom cantor Zé Rico conseguia prender o público, virtude desejada por muitos cantores de hoje. Ele foi o cara que fez história na música sertaneja, que ditou tendências e que é insubstituível. Perdemos um grande músico, sertanejo de verdade, mas com certeza o som de sua voz ficará eternizado nas nossas memórias e também nos churrascos aos finais de semana. A garganta de ouro se calou, mas sua voz jamais será esquecida.

Welinton Barros