09 de julho de 2026
Política

Emdurb diz que aterro particular é mais caro

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Qioshi Goto

A Prefeitura de Bauru terá 90 dias para buscar uma alternativa ao já esgotado aterro sanitário municipal. Após todas as propostas técnicas apresentadas pelo poder público terem sido rejeitadas e diante do intervalo de pelo menos um ano para que a cidade obtenha a licença para construir um novo aterro, a única saída viável parece ser o envio do lixo doméstico produzidos pelos bauruenses a um aterro particular. Presidente da Emdurb, Nico Mondelli acredita que a privatização do serviço deve encarecê-lo em pelo menos 18%.


Atualmente, o município paga à empresa municipal, que gerencia o aterro, o valor de R$ 67,91 por tonelada de lixo aterrado. Segundo Nico, mesmo com uma licitação - já que o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) descarta a contratação de aterro privado em caráter de urgência -, esse valor não deve ser inferior a R$ 80,00.


“O preço cobrado pela Emdurb é subsidiado. Não cobre o custo. Muita coisa aumentou nos últimos tempos. É como a Petrobras, que subsidia os combustíveis. Mesmo com o volume grande de lixo que Bauru produz, dificilmente conseguiremos um valor menor ou igual”, diz Mondelli.


No cenário imaginado por Nico, considerando que Bauru produz 300 toneladas de lixo doméstico por dia, o custo anual para a destinação desses resíduos pode subir de cerca de R$ 7,3 milhões/ano para, aproximadamente, R$ 8,6 milhões. Diante do cenário de queda de arrecadação e aperto fiscal, a diferença superior a R$ 1 milhão é proibitiva.


MAIS CARO


Alguns preços praticados na região, no entanto, são ainda maiores do que o de R$ 80,00 por tonelada cogitado pelo presidente Emdurb. O único aterro particular no raio de 100 quilômetros de Bauru com capacidade para receber o lixo produzido na cidade, segundo Nico, é o instalado em Piratininga (a 19 quilômetros), no ano de 2012.


Para ter seu lixo transportado e aterrado, a uma distância de aproximadamente 70 quilômetros, a Prefeitura de Jaú paga R$ 95,91 por tonelada à Estre, empresa responsável pelo serviço. A cidade produz, ao dia, mais de 100 toneladas de resíduos domésticos.


Mesmo a Prefeitura de Piratininga, que não depende de longas distâncias para enterrar o seu lixo, gasta R$ 83,20 por tonelada. A demanda diária do município é de 12 toneladas.


A exceção, dentre as cidades consultadas pela reportagem, fica por conta de Santo Espírito do Turvo, que apesar de estar a quase 50 quilômetros do aterro da Estre, paga R$ 77,24 por cada uma das 9 toneladas destinadas por mês ao local.


MAIS LONGE


A Emdurb já mapeou outros aterros privados que teriam condições de receber a produção de lixo diária de Bauru. Além do que opera em Piratininga, o existente em São Carlos é o mais próximo, a 161 quilômetros da cidade.


A prefeitura local destina o lixo do município para esse aterro, mas, consultada pelo JC, não informou o valor pago por tonelada pela destinação dos resíduos. A empresa São Carlos Ambiental Ltda, responsável pelo serviço, também não prestou a informação.


Outro aterro elencado como opção pela Emdurb é o localizado em Quatá, a 207 quilômetros de Bauru. O local recebe o lixo produzido na cidade pelo valor de R$ 74,00 por tonelada, custeado pela prefeitura do município.


Apesar dos estudos do poder público, a distância dos aterros dessas duas cidades praticamente inviabiliza a destinação do lixo daqui para esses locais.


“Há ainda um aterro em Botucatu [94 quilômetros de Bauru], mas ele é pequeno e não suportaria o volume dos nossos resíduos”, pontua Nico Mondelli.