Pego o jornal pela manhã já esperando ser confrontado novamente com a notícia. Fatídico. Ela está lá, estampada na primeira página: "Dia seguinte à morte de estudante é marcado por prisões, dor e revelações". Eu paro um minuto para pensar em tudo, e várias coisas se passam pela minha cabeça, mas a única coisa que consigo exprimir é um ar de tristeza e angústia junto com um ?tem misericórdia de nós, Senhor?. Me questiono como conseguimos nos permitir chegar a esse ponto. Questiono Deus sobre o mesmo. As palavras do Eclesiastes passam a ecoar na minha cabeça: "Tudo é ilusão...tudo é vaidade...é correr atrás do vento."
Essa mentalidade que envolve a universidade (mas não só ela) e a vida de muita gente me incomoda muito neste aspecto. Existe no nosso meio a falsa ilusão de que há uma liberdade a ser experimentada e um mundo a ser descoberto, como em nenhum outro lugar! E então é tempo de provar tudo, ver tudo, beber de tudo e deixar a vida me levar! Sem preconceitos, sem barreiras e sem valores. Afinal, sou livre e no fim tudo vai dar certo. Nas palavras de Lorena Chaves: "Se estou triste abro um uísque, devo ter um bom motivo, se não tenho, invento, hoje eu só quero me livrar de mim".
E assim caminhamos escravos do consumo desse amor por nós, fugindo de nós mesmos e do confronto que a vida nos faz em momentos como esse: qual o sentido de tudo isso? Não precisamos responder. Uma festa atrás da outra e uma vida de ilusão nos bastam para caminhar. A festa é boa, mas quando a cabeça vai para o travesseiro o coração dói. Temos copos cheios, mas corações vazios.
O que suprirá toda nossa necessidade de amor e de sentido? Nos apegamos a ideologias baratas, prazeres passageiros e descompromissados, uma vida de festas e ostentação vivendo em função das pessoas. É correr atrás do vento. É tudo ilusão.
Mas Deus não desiste de nós. E coisas assim, por mais que doam, nos confrontam e nos convidam a uma mudança de atitude. Realmente, Deus nos chama para mais. A vida vale mais - muito mais que 30 copos de vodka - e só há liberdade, satisfação verdadeira e alegria em Cristo. O resto é prisão. Prisão que escraviza. E Ele quer nós salvar de nós mesmos. Ele me salvou de mim. Minha oração é que Deus abra os meus olhos e os da minha geração para vermos só a Ele, e encontrarmos o sentido somente naquele que pode dar verdadeiro valor a vida. Eu decidi me lembrar do meu Criador nos dias da minha mocidade. "E eu escrevo aqui as últimas memórias de um narciso".
Lembre-se do seu Criador nos dias da sua juventude, antes que venham os dias difíceis e antes que se aproximem os anos em que você dirá: "Não tenho satisfação neles" - Eclesiastes 12:1.
Lucas Pegoraro, estudante de Design na Unesp.