08 de julho de 2026
Articulistas

Pois é

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Nascer, morrer. Ponto. Final? Entre uma ponta e outra, o que fazer? Muita coisa. De preferência, a diferença. Deixar uma marca. Positivamente influenciar. É. Simples assim. Minha torcida: para cada um que influenciou e se foi, que haja substituto à altura. Temo que, no universo da cultura caipira/sertaneja, isso nem sempre ocorra.

Nos últimos anos, nomes fundamentais do gênero se foram. Só para ficar em dois recentes: Zé do Rancho e José Rico. O primeiro saiu de cena em 15 de fevereiro, aos 87 anos. Violeiro dos bons e músico obstinado, compôs e/ou gravou canções como "Meu Sítio, Meu Paraíso", de letra tão poética e descritiva: "No lugar de fumaceira, desta vida agitada / Quero andar pela invernada / E sentir cheiro de Flor").

O outro Zé é ainda mais famoso e popular. Cheio de manias, José Rico, 68 anos, surpreendeu os fãs ao partir. A melhor definição da extensão de sua fama veio do cantor e compositor de Bauru, Jotha Luiz: Zé Rico está para a música sertaneja como Roberto Carlos para a música popular brasileira. Quem fica no lugar dos Zés do sertão?

Zeca, que fazia dupla com Zico, morreu em 2013, aos 81 anos. Liu, que era irmão de Zeca e fazia dupla com Leo, morreu em 2012, aos 77. Zico e Zeca, Liu e Leo, irmãos. Primos de Vieira e Vieirinha, já falecidos. Família de cantadores. Da época do circo, da vitrola e de sentir saudade rasgada. Dino Franco se foi em 2014. Grande Tinoco, em 2012. Como se vê, todas, perdas recentes.

Inezita Barroso fez 90 anos em 5 de março e foi internada horas depois. Enquanto escrevo, torço para que ela possa, em breve, estar forte por aí para seguir divulgando sua recém-lançada biografia "Inezita Barroso ? Rainha da Música Caipira".

Não podemos, à luz da urbanidade, dar as costas aos bons frutos de um gigante Brasil rural: simples de intenções, espontâneo e produtivo. Temos muito o que aprender sobre arte e vida com gente de viola nos braços e bolo de fubá nas mesas. É isso aí, amigo!

O autor, João Pedro Feza, é editor executivo do JC