|
Malavolta Jr. |
|
|
|
Gabriel, Vinícius, Rodolfo e Paulo Eduardo são organizadores do ato, cuja concentração se dará na avenida Getúlio Vargas |
Roupas nas cores da bandeiras do Brasil, apitos, buzinas e cartazes. Essa é a proposta dos organizadores da passeata que pedirá o impeachment da presidente Dilma Rousseff, neste domingo, a partir das 9h30, em centenas de municípios do País. Em Bauru, a concentração para o ato acontecerá na avenida Getúlio Vargas, em frente ao prédio da Polícia Federal, e a caminhada seguirá até o Palácio das Cerejeiras, sede da prefeitura municipal.
Após massiva divulgação pelas redes sociais e pelo WhatsApp, mais de 5.600 pessoas confirmaram presença no protesto em evento do Facebook, articulado pelos grupos Movimento Brasil Livre e Direita Bauru.
Motivados pelo clima de insatisfação, incertezas na economia e indignação diante de casos de corrupção na esfera federal, mas distantes das argumentações de âmbitos legal e jurídico, os jovens engajados na organização da passeata relatam que os conteúdos postados na página de divulgação do ato têm recebido intensa adesão da população bauruense.
“Sou universitário e me formo em Relações Internacionais no ano que vem. Se o sistema continuar o mesmo, não consigo enxergar perspectiva de futuro. Esse governo não tem diretrizes e o País está sem credibilidade mundo afora”, desabafa Vinícius Bessa, 26 anos.
Para justificar o pedido de impeachment, o comerciante Paulo Eduardo Ladeira, 40, pontua que Dilma não cumpriu o que prometeu em campanha. “Está fazendo tudo o que disse que seus adversários fariam, com as medidas impopulares. Fora isso, tem Mensalão, escândalo na Petrobras e as manobras fiscais, por ter gastado mais do que recebeu”.
Segundo o universitário Gabriel Moutinho Machado Loureiro, 23 anos, a presidente cometeu um “estelionato eleitoral”.
Sem 3º turno
Vinícius Bessa garante que o movimento não consiste em tentativa de promover um terceiro turno para as eleições de 2014, quando Dilma venceu Aécio Neves (PSDB) em disputa apertada.
“A presidente falou sobre isso em seu pronunciamento, mas quem age como se ainda estivesse no processo eleitoral é ela. Temos consciência de que não é o outro candidato que assumirá caso a gente consiga o impeachment, mas sim o vice-presidente Michel Temer (PMDB). Esse é um discurso mentiroso”, acredita.
O que chamam de “mascaramento da corrupção” é outro ponto que incomoda os organizadores da passeata. “O escândalo da Lava-Jato é o maior da história do País, desde Pedro Álvares Cabral. Mas os petistas insistem em tentar empurrar a culpa para os outros que vieram antes”.
Golpismo?
Os jovens rejeitam ainda os rótulos de “elitistas” e “golpistas” atribuídos por defensores do governo Dilma aos engajados nos movimentos pró-impeachment. Bessa lembra que o impedimento está previsto na Constituição Federal.
Gabriel, por sua vez, afirma que “o verdadeiro golpe vem do Planalto” por meio do aparelhamento governamental. “Essas práticas inviabilizam a democracia. Além disso, não estamos pedindo nem intervenção militar, muito menos a volta da ditadura”.
Outro organizador do ato, o representante comercial Rodolfo Peres, de 20 anos, recorda que o PT se engajou no movimento que, no início da década de 1990, culminou no impeachment de Fernando Collor. “Ele foi cassado por muito menos. O que deve ficar claro é que a saída de Dilma é só a primeira dose para o remédio. Depois, vamos cobrar a reforma política”.
Os jovens esclarecem ainda que o principal objetivo dos movimentos é sensibilizar o Congresso Nacional, que deve conduzir o processo de impeachment.
Segurança
A ata do protesto diz que a passeata não irá tolerar a presença de “arruaceiros, pessoas mascaradas ou que, de qualquer forma, tentem encobrir sua identidade e muito menos os chamados Black Blocks”. Segundo os organizadores, qualquer ato de vandalismo, agressão ou depredação de patrimônio público será denunciado à Polícia Militar (PM), que deve escoltar a passeata da Getúlio à Praça das Cerejeiras. “A ideia é garantir que as famílias, as crianças e os idosos possam participar de uma manifestação pacífica e democrática”, diz Paulo Eduardo Ladeira.