08 de julho de 2026
Geral

Sapab corre risco de fechar as portas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Conhecida por seu trabalho de excelência e por ser a única entidade assistencial da região que abriga pessoas infectadas pelo vírus HIV, a Associação de Apoio às Pessoas com Aids de Bauru (Sapab) corre o risco de fechar as portas. Sem recursos e com redução do número de doações e de voluntários, a instituição se viu obrigada a interromper, desde ontem, dois dos três serviços que vinha prestando.

Dezessete dos 30 funcionários já foram informados de que serão demitidos. Diante da grave crise financeira, a entidade pede socorro.

Fundada há 22 anos, a Sapab permanecerá atendendo somente soropositivos na Casa de Apoio Adulto do Núcleo de Apoio PositHIVo (NAP), que oferece atendimento integral durante as 24 horas do dia. Atualmente, sete adultos de ambos os sexos estão acolhidos no local.

Desde ontem, contudo, o Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes, conhecido como Lar Social Cori, foi paralisado. Os 16 abrigados não têm HIV e possuem como característica o fato de possuírem irmãos dentro do grupo. Eles foram encaminhados, ainda ontem, para outra instituição assistencial de Bauru.

A Sapab oferecia, ainda, o Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosos e suas famílias (Seid), com atendimento prestado na residência dos assistidos, parte deles também infectada por Aids. “Agora, iremos manter o serviço apenas para soropositivos. Devido às nossas dificuldades, atuaremos apenas dentro do que era o nosso foco inicial. É a única forma de não comprometer a qualidade do nosso trabalho, algo que sempre foi uma preocupação nossa. Vamos dar um passo atrás para, futuramente, dar novos passos adiante”, informa Márcia Pereira da Silva, coordenadora administrativa e de prevenção da associação.

Além do encolhimento no volume de atendimentos, o enxugamento no quadro de profissionais foi a estratégia encontrada para manter, pelo menos por enquanto, a entidade viva. “Não sabemos quando conseguiremos pagar as rescisões, mas é um compromisso que assumimos com os trabalhadores, que, em sua maioria, estão compreendendo nossa situação”, frisa Márcia.

Crise

O escritório da instituição mudou para novo endereço e a diretoria também não sabe com quais recursos conseguirá honrar o custo do aluguel. “Nosso maior desejo é conseguir manter a Sapab atuante, mas realmente, sem ajuda, corremos o risco de parar um trabalho tão importante e que não é prestado por qualquer outra entidade na macrorregião”, observa.

A crise que afeta a instituição já se arrasta há alguns anos, mas se intensificou em fevereiro de 2015, quando os convênios mantidos com a prefeitura, que representavam um aporte de mais de R$ 500 mil anuais, foram interrompidos. Conforme a própria diretoria da associação reconhece, no ano passado, recursos foram utilizados para o pagamento de despesas que não estavam previstos nos planos de trabalho dos convênios, como rescisões contratuais de funcionários administrativos e aluguel do escritório.

O montante, de R$ 116,5 mil, deverá ser devolvido aos cofres municipais. Enquanto estiver inadimplente, o convênio junto à Secretaria Municipal do Bem Estar Social (Sebes) permanece temporariamente suspenso. “Legalmente, era a única alternativa que tínhamos, mas também estamos chateados”, frisa a titular da pasta, Darlene Tendolo. “Mas, assim que a dívida for quitada, iremos retomar o convênio. A Sapab presta um serviço de qualidade e possui uma história importante para Bauru”, completa.


‘Dificuldade das entidades é algo generalizado’

A coordenadora administrativa da Sapab, Márcia Pereira da Silva, comenta que praticamente todas as entidades assistenciais de Bauru enfrentam dificuldades financeiras devido à redução na arrecadação de recursos e doações, bem como pela diminuição do número de voluntários. “Não acredito que o bauruense esteja menos solidário, mas sim que seja um reflexo do momento que o País está atravessando. Tentamos de todas as formas evitar a suspensão de atividades, mas não teve jeito”, lamenta.

Ela cita que, desde 2013, a associação rompeu o contrato com uma empresa de telemarketing que realizava a captação de recursos por telefone.

Desde então, este trabalho vinha sendo feito somente com a ajuda dos voluntários.

“Eles também colaboravam com a venda de ingressos e com a própria realização de eventos, como pizzadas e pasteladas, importantes para gerar receita e manter o equilíbrio financeiro da instituição”, completa Márcia da Silva, acrescentando que a doação de itens alimentícios para estas festas também caiu.

“Mas, mesmo com todas as dificuldades, nunca deixamos de pensar na qualidade do nosso serviço, na história de excelência que a Sapab construiu ao longo de todos esses anos. Nosso objetivo foi garantir, sempre, um bom atendimento. E é por isso que estamos suspendendo alguns serviços, neste momento”, completa.


Ajuda

Para tentar manter as atividades neste momento difícil e se reestruturar, a Sapab pede ajuda de empresários e pessoas físicas que possam contribuir com qualquer valor em dinheiro. Os depósitos podem ser feitos no Banco Santander, agência 0004, conta nº 005306-6.

Outras doações também podem ser encaminhadas diretamente à sede administrativa da associação, atualmente localizada na rua Inconfidência, 2-27, em frente ao Consórcio Intermunicipal de Promoção Social (Cips).

Éder Azevedo

A coordenadora Márcia Pereira da Silva se emociona ao comentar crise enfrentada pela associação