....do ano de 1.789! Exatamente 226 anos são passados... Revendo seus antigos livros de História do Brasil, deparou-se com a data acima. Daquele ano, nenhum remanescente encontrado. Alguma coisa chamava sua atenção e ele precisava encontrar a razão ou as razões de uma lembrança histórica tão antiga... Jornais modernos e redes sociais moderníssimas informam e convidam o respeitável público para cerrar fileira em torno de um movimento social/popular para dizer ? no dia 15 de março de 2015 - de viva voz, ao governo, da insatisfação reinante contra o aumento do custo de vida, dos impostos e da roubalheira descarada dos bens do Estado ou de qualquer empresa ou organização legalmente estabelecida.
As datas são recorrentes e convergentes guardando entre si intrínsecas semelhanças, exceto por um detalhe, um único detalhe. Vejamos: o Brasil daquela época era dividido em Capitanias e uma delas, a de Minas Gerais, governada por indivíduo arbitrário e violento. Tendo em vista o declínio das atividades mineradoras, ele instituiu sob o nome de "derrama" a cobrança compulsória dos impostos sob pena de punições severas aos recalcitrantes. O dia 15 de março de 1789 ficou marcado na história como a data em que um delator revelou, sob a promessa de perdão de suas dívidas para com o fisco, a existência de um movimento de rebeldia e a busca de autonomia para a província de Minas Gerais. O movimento denominado "Conjuração Mineira" teve seu nome mudado para "Inconfidência Mineira", em razão dessa denúncia.
Em conseqüência da delação o movimento fracassou em seu nascedouro. Dentre os vários inconfidentes ? apenas um, Joaquim José da Silva Xavier, assumiu toda a responsabilidade sendo certo que ele, 3 anos após sua prisão, foi condenado pelo crime de incitar rebelião e de alta traição, sendo enforcado no Rio de Janeiro, em abril de 1792. Outros Inconfidentes receberam penas de degredo perpétuo, exílio de dez anos e condenados à galés, e quem não morreu no cárcere foi absolvido.
O detalhe de que falamos acima refere-se ao enforcamento de Tiradentes, fato que no Brasil de hoje será impossível de se repetir. Aliás, nos últimos movimentos sociais nas ruas das capitais e cidades médias e pequenas não surgiu ainda a figura de alguém candidato a mártir da magnitude de um Tiradentes, Frei Caneca ou sargento Max Wolff Filho. Os baderneiros e encapuzados se encarregam de azucrinar, depredar o patrimônio público e particular e não se vê nenhuma liderança desfraldando a bandeira da ordem e do progresso neste Brasil que se encontra, no momento político/administrativo/social de pernas para o ar.
Roque Roberto Pires de Carvalho