09 de julho de 2026
Regional

Jovem é morta pelo ex-marido com golpe de faca em Macatuba

Marcus Liborio, Francisco Brunelli e Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 4 min

Reprodução/Facebook

Luciana Aparecida

dos Reis, 23 anos

Uma jovem de 23 anos foi morta a facadas pelo ex-marido em Macatuba (46 quilômetros de Bauru) e o caso foi registrado como feminicídio, o primeiro da região de Bauru. Luciana Aparecida dos Reis foi agredida na frente do filho do casal de apenas um ano e meio. O acusado Fábio Pereira Sander, 28 anos, tentou impedir o socorro da vítima e vizinhos precisaram intervir. Ela foi levada com vida ao hospital, mas não resistiu.


O crime ocorreu no final da noite de quinta-feira (12), no Jardim Planalto. De acordo com o delegado Richard Alberto Serrano, os dois estariam juntos há 11 anos e passaram a morar juntos quando ela tinha apenas 15 anos. “Ele começou a usar drogas e a chegar tarde em casa. Ela não concordou com situação e sempre o enfrentava”, disse o delegado.


Em janeiro deste ano, segundo Serrano, Luciana rompeu o relacionamento porque Fábio a ameaçou com um facão. O fato foi registrado na Polícia Civil. “Só que ela foi intimada várias vezes para fazer as preventivas da Lei Maria da Penha e nunca compareceu”, criticou.


O delgado contou que Luciana iniciou namoro com outro homem já em fevereiro e Fábio ficou sabendo, pois os dois ainda mantinham contato em razão do filho. “Na noite do crime, ele telefonou para ela e descobriu que o rapaz estava na casa. Foi quando ele disse iria até lá matar os dois”.

Reprodução/TV Record Paulista

"Se eu pudesse voltar no tempo eu não faria de novo, mas já que fiz, já foi. Não me arrependo", disse Fábio Pereira Sander, 28 anos

Na frente do bebê


Ao chegar à residência, Fábio foi até o quarto onde o filho do casal, de apenas um ano e meio, dormia em um berço. “Ela ficou acuada, em pé, sobre a cama, quando o ex-marido desferiu a facada entre o coração e o abdômen. O atual namorado dela, ao presenciar a cena, correu para fora da residência e conseguiu escapar sem ferimentos”, relatou o delegado.


Ainda de acordo com Serrano, Fábio foi atrás do homem com a faca, mas não o alcançou e, então, retornou a casa, onde ameaçou matar os familiares de Luciana caso alguém a socorresse. “Só após 30 minutos que os vizinhos perceberam a movimentação e interviram.”


Com ele imobilizado, Luciana foi levada por um conhecido até o pronto-socorro local. “Não havia estrutura para que ela fosse submetida a cirurgia e, então, a levaram  para o Hospital de Base (HB) de Bauru, mas ela não resistiu aos ferimentos”, detalhou o delegado.


Fábio fugiu e se livrou da faca em um canavial,  onde foi preso logo após ter praticado o crime. Segundo o delegado, ele foi recolhido ainda ontem no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru, onde permanecerá à disposição da Justiça. A faca, contudo, não foi localizada.  


‘Muito frio’


De acordo com o delegado Richard Alberto Serrano, Luciana ligava com frequência para o ex-marido para provocá-lo. “Dizia que o atual namorado era melhor que ele e o menosprezava constantemente”. Sobre o crime, Fábio alegou não estar arrependido. “Disse que a intenção era matar os dois. Se mostrou muito frio”, finalizou o delegado.

Entenda o feminicídio


O delegado  Richard Alberto Serrano registou como homicídio duplamente qualificado por motivo fútil, com agravante de feminicídio. “Foi o primeiro caso na área do Deinter 4 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior). Acredito, ainda, que seja o primeiro registro de feminicídio do Estado de São Paulo”, bancou Serrano. “São circunstâncias que irão ser analisadas judicialmente na hora da sentença. Antigamente, alguns casos eram enquadrados como homicídio simples. Agora, só o fato de ser contra a esposa já passa a ser qualificado. A pena, de 6 a 20 anos de reclusão, pode ser prolongada de 12 a 30 anos”, explicou.


O crime passou a ser considerado hediondo após a presidente Dilma Rousseff sancionar segunda-feira a lei 8.305/14, que modifica o Código Penal e inclui o crime entre os tipos de homicídio qualificado. O texto prevê o aumento da pena em um terço se o assassinato acontecer durante a gestação ou nos 3 meses posteriores ao parto; se for contra adolescente menor de 14 anos ou adulto acima de 60 anos ou, pessoa com deficiência. A pena é agravada quando o crime for cometido na presença de descendente ou ascendente da vítima, como ocorreu em Macatuba, em que o acusado matou a ex-mulher na frente do filho.