|
Éder Azevedo |
|
|
|
Ao todo, oito barracas foram montadas ontem na Praça São Pedro, na Vila Dutra; moradores aprovaram a qualidade dos produtos
|
A primeira Feira da Reforma Agrária de Bauru reuniu ontem na Praça São Pedro, na Vila Dutra, cinco cooperativas representadas por famílias dos assentamentos do Horto Aimorés e Terra Nossa, localizados nas zonas rurais de Bauru e Pederneiras.
Na sexta-feira, os feirantes já haviam promovido a feira no Parque São Geraldo, cujo projeto tem apoio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra).
A movimentação de caminhões e montagem das barracas neste sábado começou por volta das 16h e, aos poucos, os moradores do bairro já se aproximavam para conferir a novidade. Foi o caso da aposentada Sirlei David de Camargo, 73 anos, que mora a apenas uma quadra da feira.
“Vivo aqui há 20 anos e só tivemos uma feira nesse tempo todo, mas não durou muito. A iniciativa é ótima, pois tínhamos que ir até a Vila Falcão para comprar os produtos. Agora ficou mais prático”, elogiou. Um dos objetivos dos feirantes é prestar contas do que é produzido nos assentamentos. E quem foi até a feira na Vila Dutra se deparou com variedade. Foram instaladas oito barracas padronizadas para comercialização de legumes, frutas, verduras, queijo, frango e, claro, o tradicional pastel. O feirante Paulo Dias, 40 anos, contou que há seis meses percorre o Centro de Bauru para vender seus produtos. “Chego a faturar R$ 2 mil por semana”, disse. Só que para conseguir tal feito é preciso encarar os desafios do dia a dia. “O trajeto do assentamento até a cidade está complicado. Parte do caminho é em estrada de terra ruim e mal cuidada.”
Conquistas
O desafios encarados pelos assentados são compensados. O dinheiro arrecadado na feira é revertido para melhorias nos assentamentos. “A gente investe no sítio e no plantio. Minha família mantém quatro estufas”, ressaltou. Todo produto comercializado na feira vem da mão de obra dos próprios assentados, ou seja, acaba sendo comercializado à população com preços mais baixos. Um maço de alface, por exemplo, estava sendo vendido por R$ 3,50. “Geralmente, em outras feiras custa em torno de R$ 5,00”, observou Paulo.
Além de oferecer produtos mais baratos, as famílias de assentados que integram as cinco cooperativas da Feira da Reforma Agrária de Bauru fizeram um curso preparatório, oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural.
“Todos foram devidamente capacitados. Aprenderam técnicas de vendas, como expor os produtos e como agregar a mercadoria”, explicou o diretor da divisão de varejo da Sagra, Francisco Ramos.
Segundo ele, o interesse em promover a feira é mostrar que os assentados, hoje, têm condições de plantar e comercializar o próprio produto. “Isso mostra que aqui na nossa região a coisa está andando. Eles têm produção suficiente para montar uma feira.”
Serviço
A Feira da Reforma Agrária de Bauru ocorre toda sexta-feira e sábado, das 16h até as 20h, no Parque São Geraldo e Praça São Pedro, na Vila Dutra, respectivamente.