09 de julho de 2026
Esportes

É hoje! Bauru tem decisão internacional no Basquete

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 7 min

Depois de quase 15 anos, Bauru voltará a decidir um título internacional no Ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. Em 1999, o Tilibra/Copimax ficou no quase e perdeu para o ‘super time’ do Vasco da Gama na antiga Copa dos Campeões Sul-Americanos. A competição é outra. E o agora Paschoalotto/Bauru tem a chance de colocar mais um caneco em seu acervo, disputando a final da Liga das Américas hoje, às 20h15, após vencer o Peñarol de Mar del Plata ontem à noite, por 80 a 61, na semifinal. O adversário desta noite será o Pioneros, que no jogo de fundo ganhou do Flamengo por 82 a 81. Na preliminar, a decisão do terceiro lugar, a partir das 18h. Todos os jogos desta etapa, chamada de ‘Final Four’, estão acontecendo no Maracanãzinho.

 

Henrique Costa/Bauru Basket

O time bauruense se impôs, ontem, diante dos argentinos e chega à inédita final sem ter perdido nenhuma partida na competição

 

Mesmo sem uma peça importante, o ala/pivô Jefferson, Bauru se impôs ontem contra o Peñarol, dominando praticamente todo o duelo. Se vencer nesta noite, o Dragão será campeão invicto (ganhou os sete jogos que fez até agora), irá para o Mundial contra o campeão europeu, no segundo semestre. Ontem, manteve ainda a invencibilidade internacional na temporada – foi campeão da Liga Sul-Americana, em novembro, com oito vitórias em oito jogos. O triunfo sobre os argentinos neste sábado, no Rio, foi o 27º consecutivo dos comandados de Guerrinha, somando-se os sete jogos da Liga das Américas e os últimos vinte do Nacional (NBB), competição em que o Bauru lidera, e cuja última derrota foi em 3 de dezembro.

 

O trio Alex Garcia, Rafael Hettsheimeir e Murilo Becker teve atuação destacada, com 18 pontos de Alex e 17 dos outros dois. O armador Ricardo Fischer, com 14 pontos e sete rebotes, foi outro nome importante, sobretudo no primeiro tempo. Pelo lado argentino, Massarelli (16 pontos), Leiva (14) e Boccia (12) foram os destaques. O campeão olímpico em 2004, Leo Gutierrez, teve atuação discreta, com apenas nove pontos.

 

Boa, Bauru!

 

Logo no primeiro período, o Dragão abriu frente no placar – que falhou, e teve de ser improvisado em um menor, no canto da quadra, e com os instantes finais no ‘grito’ do locutor. Ricardo Fischer e Murilo comandaram as ações ofensivas, fechando a parcial em 22 a 8. No segundo quarto, o Peñarol diminuiu para apenas cinco pontos, graças a boa atuação de Leiva, mas no intervalo Bauru já abriu novamente: 41 a 29.

 

O terceiro quarto consolidou a vitória bauruense, com Alex e Hettsheimeir inspirados no ataque. A defesa voltou a marcar com eficiência, e no último período o Peñarol de Mar del Plata não teve forças para reagir. Bauru fechou o duelo com vitória por 80 a 61.

 

‘O time soube jogar’, diz Alex

 

Para o ala Alex Garcia, cestinha da partida com 18 pontos, reagir no final do segundo período, quando os argentinos esboçaram reação, foi fundamental. “Em partida decisiva, errar pouco é importante, e a gente soube controlar o jogo no momento em que o adversário começou a crescer. É esse espírito que temos de levar para a final, que é um momento único para todos”, disse ao JC.

 

O pivô Rafael Hettsheimeir manteve sua impressionante regularidade, anotando 17 pontos e capturando sete rebotes. “A gente deu a impressão de que foi um jogo fácil porque soube jogar no ataque e trabalhar bem na defesa, mas o jogo foi intenso. Todos entraram bem e conseguimos depois do intervalo controlar o jogo. Agora é pensar na final”, reiterou o pivô.

 

O técnico Guerrinha enalteceu o trabalho defensivo. “Levamos somente 61 pontos em uma semifinal de Liga das Américas. Só de ter jogado o Final Four já é histórico, e agora estamos classificados para a decisão, que será ainda mais dura. Final é final, mas hoje (ontem) nosso time provou que tem de onde tirar mais. Mesmo sem o Jefferson, que é um jogador importante, a equipe atuou bem”, mencionou o treinador.

 

Sobre a queda de produção no segundo período, Guerrinha pondera. “É natural em um campeonato desse nível, do outro lado também há um adversário forte. O importante foi ter reagido bem, administrado no segundo tempo e conquistado essa vitória brilhante”, concluiu.

 

Diário de bordo

 

Outro sonho

 

Vencer uma edição de Liga das Américas é sonho de qualquer clube, mas para o Paschoalotto/Bauru, a estada no Rio de Janeiro alimentou ainda outro desejo, o de ter um grande ginásio na Cidade Sem Limites. Isso porque todos admitem que seria impossível a Panela de Pressão concorrer com o Maracanãzinho para sediar um Final Four como este, que exige estrutura mais ampla. Só a acomodação para a imprensa tinha mais de uma centena de lugares, para veículos de todo o continente. As torcidas de fora também foram ao Rio, como a de Bauru (cerca de 80 pessoas, com excursões das torcidas Fúria e Loucos da Central) e do Peñarol de Mar del Plata, em número menor. Os flamenguistas, donos da casa, foram chegando aos poucos, durante o jogo preliminar entre Bauru e Peñarol, para prestigiar o duelo de fundo entre cariocas e o Pioneros, do México. Para os próximos anos, o Bauru Basket quer ser presença constante em competições como Sul-Americana e Liga das Américas, além de estar nas cabeças do próprio NBB, o que vai exigir mais capacidade de público para jogar em casa.

 

Quase

 

O secretário de Esportes de Bauru, Roger Barude, veio ao Rio de Janeiro e almoçou ontem com o técnico Guerrinha e o presidente da Paschoalotto Serviços Financeiros (patrocinadora máster da equipe), Rodrigo Paschoalotto. Barude disse que resta apenas a conclusão do projeto hidráulico do novo ginásio, que já tem outras etapas concluídas. O escritório Ricci e Higa, ganhador do concurso que escolheu quem faria o projeto, através da Assenag e Paschoalotto, está dentro do prazo, e deve finalizar tudo até o começo de abril. Já nos próximos dias, Bauru vai fazer o cadastro da nova Arena no setor de projetos do Ministério do Esporte, para buscar verba.

 

25 milhões

 

O custo estimado para a construção da Arena era inicialmente de R$ 20 milhões, porém o valor detalhado só será conhecido quando todo o projeto for concluído. Roger Barude já cogita pedir até R$ 25 milhões ao governo federal, buscando viabilizar tudo o que envolve o ginásio e seu entorno. A área escolhida é a Nações Norte, mas o secretário revelou ao JC que um terreno próximo a Rodovia Bauru-Ipaussu, que estava na ‘disputa’ com a Nações para receber a Arena de 5 mil lugares, segue como plano B, pois o terreno na Nações Norte pode ter dificuldades técnicas no que diz respeito ao relevo, o que ainda será melhor avaliado.

 

Na última hora

 

No momento em que Paschoalotto/Bauru e Peñarol já se aqueciam, no final da tarde de ontem, funcionários da organização ainda colocavam os adesivos na quadra, que só foi totalmente liberada quando faltavam apenas 40 minutos para o duelo. Aí, foi a vez de mexerem nas tabelas, exigindo que os dois times parassem o aquecimento por alguns minutos. Com a bola quicando, o placar eletrônico não funcionou – nem o scout no site da Fiba estava no ar – e um placar menor foi improvisado no fundo da quadra.

 

Estourou

 

Não é só a Panela de Pressão que sofre com problemas. Se em Bauru várias vezes as goteiras incomodaram jogadores e torcedores, ontem dois vestiários do Maracanãzinho tiveram estouro em encanamentos de água. Curiosamente, os que seriam usados pelos clubes brasileiros, o Bauru e o Flamengo. Como o ginásio carioca possui vários vestiários, as duas equipes foram realocadas em outros. O Peñarol e o Pioneros não tiveram contratempos em seus vestiários. Na torcida, a maior reclamação foi de flamenguistas que pagaram o ingresso mais caro (R$ 600,00 para os dois dias), para ficar perto da quadra, e uma grade de um metro instalada entre as cadeiras e o palco dos jogos atrapalhava a visão.

 

Rap ou pagode?

 

Bauru fez um treino leve pela manhã, no local do jogo, apenas com arremessos. À tarde, a delegação seguiu de Copacabana, onde está hospedada, até o Maracanãzinho, por volta das 15h30, e apesar de ter um rapper no elenco - Larry Taylor -, o som escolhido pelos atletas antes da semifinal com os argentinos foi o pagode. O Alienígena está gravando um CD de rap, e quer investir na carreira artística quando encerrar seu tempo nas quadras de basquete.