09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Relações Internacionais brasileiras e impeachment da presidenta


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Nós, estudantes do 7º semestre de Relações Internacionais na Universidade do Sagrado Coração, nos surpreendemos com as declarações do estudante do 5º semestre deste curso, Vinicius Bessa, em matéria veiculada pelo Jornal da Cidade da última quarta-feira, 11 de março, defendendo o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, uma atitude clara de esperneio político, e tecendo comentários a respeito da credibilidade do Brasil no mundo. O Brasil nunca foi tão respeitado como é hoje internacionalmente. A política externa "ativa e altiva" do ex-presidente Lula e do ex-ministro Celso Amorim nos trouxe mais autonomia por termos diversificado nossas relações internacionais. Paramos de nos alinhar política e economicamente aos Estados Unidos e passamos a atuar em diversas frentes, principalmente na liderança dos países da América do Sul e África.
Como resultado disso, elegemos o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, e o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), José Graziano. Além disso, consolidamos os Brics, grupo composto também por Rússia, Índia, China e África do Sul, gerando um contraponto ao domínio dos EUA e da União Europeia nas decisões políticas econômicas dentro das organizações internacionais, inclusive com a recente criação do Banco dos BRICS. Contribuímos fortemente para a integração regional, com a criação da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), além do aprofundamento das políticas comuns no âmbito do Mercosul, criando os alicerces para ampliar ainda mais o livre-comércio regional, a criação de uma infraestrutura integrada e de um sistema de defesa comum do continente, aos moldes da União Europeia.
O Brasil respeita também as soberanias dos países, ponto fundamental das relações internacionais. É muito comum dizerem que o Brasil "defende o Estado Islâmico", "é parceiro do Irã", ou "compactua com a "ditadura" venezuelana". Não, o Brasil respeita a soberania e a autonomia de TODOS os países, inclusive dos EUA, que é o Estado hoje que mais promove guerras, persegue adversários políticos e tortura prisioneiros.
As relações internacionais brasileiras são pragmáticas, visando o interesse nacional, e é essencial que permaneçam multilaterais, pois o mundo de hoje é multipolar e qualquer alinhamento, seja ele político ou econômico será fatal para o nosso desenvolvimento. Nosso horizonte é o da cooperação, e esse é um ponto fulcral, previsto em nossa Constituição. Nas palavras do grande Chico Buarque: "Não falamos fino com os EUA nem falamos grosso com a Bolívia".
Importante salientar que passamos de início pela crise econômica mundial sem adotar políticas de austeridade como na Europa, mantendo empregos e o aumento real dos salários, um dos fatores que nos tornaram exemplo para o mundo.
Nossas políticas de combate à fome e à desnutrição são modelos internacionais. Temos diversidade na matriz energética e damos respostas rápidas a crises de abastecimento, como a que vivemos agora com a queda dos reservatórios. Além disso, o Brasil é o 5º maior destino em Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no mundo, tem relações de importação e exportação com todos os países do globo, é um dos maiores destinos turísticos internacionais, e passou pelo teste de realizar um grande evento internacional, como a Copa do Mundo, reconhecida com uma das melhores de todos os tempos. Portanto, estamos muito longe de "estar sem credibilidade mundo afora", segundo as palavras do estudante.
A nossa grande mídia, notadamente os Gafe (Globo, Abril, Folha e Estadão) ainda é essencialmente colonizada e financiada por grandes grupos ligados a interesses estadunidenses. O complexo de inferioridade dessa grande mídia contamina boa parte da população, que não tem acesso a outros canais de televisão e à Internet.
Tanto também se sabe que há pleno interesse de petrolíferas estrangeiras na privatização da Petrobras, e muitos destes grupos tem financiado, além da grande mídia, ONGs, grupos e atividades no Brasil, sob o disfarce da defesa da liberdade e do livre-comércio, mas com o claro intuito de conquistar corações e mentes brasileiras para os fins que interessam apenas a eles. Preocupa-nos também o fato do estudante, filiado ao PSDB, defender o impeachment da presidenta, cujo mandato tem menos de 03 meses, sem nenhuma base jurídica para tal. Sendo estudante de Relações Internacionais, a defesa dos processos democráticos e da Constituição Federal deveriam ser obrigatórios. Por isso, essa perspectiva nos assusta. Defender a reforma política é ponto pacífico, pois sabemos que nosso sistema político chegou a um limite.
Sermos contra a corrupção é condição sine qua non de luta na maior eficiência do setor público, mas não se pode esquecer que a maior corrupção é praticada pelo setor privado, que chega às cifras de 1 trilhão de reais em sonegação de impostos (vide caso HSBC).
O que não se deve é criminalizar, com falsos argumentos, apenas a presidenta, ou um partido, sendo que o problema é do sistema político, com um exagero de partidos, sem nenhuma ideologia ou projeto de país, e com um financiamento privado de campanhas que impede que a democracia exista de fato.
Portanto, gostaríamos de deixar aqui nosso contraponto e dizer que defendemos que tenhamos ainda mais democracia, e não apelar a golpes de quem não aceitou a derrota nas eleições do ano passado. Justamente por isso, enquanto estudantes de Relações Internacionais, desejamos um país ainda mais autônomo e mais soberano, e lutamos por reforma política radical, com financiamento público de campanhas, voto em partidos e fim das coligações proporcionais; a regulamentação dos pontos que tratam da democratização dos meios de comunicação, conforme descrito em nossa Constituição; e a defesa da Petrobras e do pré-sal como instrumentos de nosso crescimento educacional e tecnológico.

Alexandre Criscione de Oliveira; Ana Lívia Rodrigues; Débora Ani Marchi; Felipe Félix Cosmo; Julia Concuruto Reche; Julieth Pereira; Kauê Vétere de Brito; Lisa Simões; Mariana Florenzano; Matheus C. S. Contreira; Matteo Lista Netto; Natalie Alves; Raphaela Lilian Momesso; Vanessa Trizzi