Foi-se o tempo em que o momento econômico no País propiciava para o fechamento dos clubes associativos, sobretudo, aqueles localizados nas cidades do interior. Afinal, quando as instabilidades financeiras apertavam e o desemprego aumentava, com a inflação ultrapassando o teto da meta, isso nos últimos 20 anos, a primeira medida no âmbito familiar era cortar o investimento no lazer. Consequentemente, o desligamento dos títulos nos clubes. E eu fui um deles. Quando a situação lá em casa apertou, quando eu ainda era pré-adolescente, nada de renovar as carteirinhas, dizia meu pai.
Nos últimos anos, porém, outro temor que assombrou as diretorias dos clubes de Bauru e região foi a ascensão dos condomínios com áreas de lazer, quadras de tênis, campo de futebol e piscina. Isso, mais recentemente, entre 2005 e 2011, foi um grande choque e muitas pessoas se afastaram de vez de clubes tradicionais, fechando suas portas.
De acordo com o Sindicato dos Clubes do Estado de São Paulo (SindiClube), dez nomes tradicionais fecharam no Estado de São Paulo. Entre eles, o Bauru Atlético Clube (BAC), onde o Rei Pelé deu seus primeiros passos e dribles no futebol.
Recentemente, os principais clubes de Bauru passaram a ser liderados por equipes de diretores que arregaçaram as mangas, tomando decisões difíceis, trazendo os associados de volta e articulando parcerias com empresas. Deu certo.
Hoje o público não procura mais um lugar para simplesmente praticar um esporte ou levar a família para tomar banho de piscina. Foi notado que, tantos os jovens casais e os mais experientes querem agora a convivência. Apesar da alta do dólar, do combustível e demais tributações do Estado, os clubes estão lotados de crianças nos períodos de férias. No verão, os parques aquáticos recebem bom público, mas, sobretudo, o que mantém um clube de Bauru funcionando o ano todo, principalmente no frio, são os campeonatos, as academias, os happy hours com música ao vivo, as festas e as iniciativas das diretorias de criarem e manterem escolinhas de várias modalidades esportivas.
O Carnaval deste ano nos clubes, com bailes noturnos e matinês, garantiu local reservado, seguro e com vasto estacionamento para atrair o público, que compareceu em peso.
Empresários da cidade e multinacionais começaram a ver nos clubes uma ótima opção de mercado com retorno de públicos alvos daquilo que empreendem.
Hoje, estas empresas patrocinam campeonatos de tênis, times de futebol e os eventos sociais. Além do mais, eu que iniciei a minha carreira jornalística em um destes clubes, percebi que o setor é mesmo um campo fértil para profissionais recém-formados de diversas áreas, para buscarem parcerias, desenvolverem um trabalho que terá o clube como vitrine, fazer contatos e, principalmente, aprender. E aprende-se muito.
Investir em comunicação é outro viés importante neste novo momento. Seria necessário que cada clube possuísse um jornalista para fazer a sua própria assessoria de imprensa. Em números de crescimento, juntos, O Bauru Tênis Clube e a Associação Luso Brasileira de Bauru somaram mais de 900 associados nos últimos 12 meses. A Associação Hípica de Bauru continua firme e forte, assim como o Sesc, o Thermas Águas Quentes de Piratininga e tantos outros.
O autor é integrante do portal de notícias JCNET