08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Passeata da cidadania


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Sem chapa branca, sem a participação de partidos, de sindicatos ou de qualquer organização oficial, convocada pelas redes sociais e pelo boca a boca, mais de 12.000 pessoas (segundo a PM), e eu diria em alguns momentos mais de 20.000 (12 quadras-1200 m x 12 m= 14.440 x 2 = 28.800), estiveram de forma ordeira em um verdadeiro exercício de cidadania.

Sem abusos, sem shows de artistas pra animar, sem violência, sem remuneração, sem transporte grátis, sem sanduíche de mortadela, sem distribuição de material de candidatos ou partidos, sem comunistas e sem fascistas e, principalmente, sem nenhum vermelho, só verde e amarelo azul e branco.

Crianças em velocípedes, ciclistas, motociclistas, jovens, velhos e pessoas de todas as idades se juntaram em uma só voz, tendo como tema o hino brasileiro e entoando ?sou brasileiro?, além de "Quem sabe faz a hora..." (Para não dizer que não falei das flores, de Vandré). Culminando em um emocionante depoimento de um senhor de 82 anos pedindo mudanças e a saída do PT do poder.

Com a assistência exemplar da PM e de forma ordeira, numa demonstração de civilidade e de brasilidade, manifestaram sua inconformidade com a presidente Dilma, com o estelionato eleitoral petista, com a corrupção, com o aparelhamento do estado pelo PT, com a manipulação do ex-presidente Lula, com divisionismo entre brasileiros do norte e do sul ou até mesmo de classe social, já que a maioria dos manifestantes eram brasileiros de classe média, nem ricos nem pobres.

O recado foi dado em primeira instância, cabe à presidente e a sua base de apoio (PMDB) entendê-lo e corrigir os rumos do governo, assumir publicamente sua culpa, separar os interesses antibrasileiros e politiqueiros de seus partidos e de seu padrinho político.

Não tenhamos ilusões de que facilmente a teimosa presidente se dobrará, mas também temos certeza de que o povo está apreendendo o recurso democrático de se manifestar de forma direta. Já que os nossos intermediários políticos pouco ou nada fazem para mudar estas coisas. Põem em primeiro lugar seus interesses e de seus partidos, em um sistema político viciado que tem que ser reformado por inteiro.

Não temos esperanças que isto se fará com os atuais políticos. Sem que ocupemos as ruas em Bauru e em todo o Brasil, muitas vezes e sob pressão legítima, não obteremos mudanças na forma de agir atendendo à agenda do povo sem coloração partidária.

Márcio M. Carvalho