09 de julho de 2026
Geral

Falta de hidrantes vira desafio ao Distrito Industrial de Bauru

Paola Patriarca
| Tempo de leitura: 4 min

João Rosan

Tenente do Corpo de Bombeiros Eduardo de Souza Costa afirma que seria necessário trocar toda a tubulação para instalar mais hidrantes

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) se mobiliza para combater o déficit de hidrantes em Bauru, que  tem a enorme demanda de mais de 300 hidrantes necessários para atender as exigências da legislação. A instalação de quatro hidrantes por mês na cidade tem ocorrido, conforme prometido pela autarquia o ano passado. Entre 2014 e 2015 foram instalados 35 hidrantes. Porém, nos três Distritos Industriais ainda não há equipamentos suficientes. O motivo é que aquela área não possui vazão de água adequada, o que faz com que os bairros continuem vulneráveis caso ocorram incêndios.


De acordo com o tenente do Corpo de Bombeiros Eduardo de Souza Costa, uma lista com locais prioritários para a instalação de hidrantes em Bauru foi enviada para o DAE. Nela, constam os três Distritos Industriais e outros bairros, como Parque Jaraguá, Vale do Igapó e Jardim Tangarás (leia mais ao lado). “Os Distritos são pontos críticos, pois possuem maior risco para incêndios devido à concentração de indústrias. Há cerca de dois hidrantes em cada Distrito e é necessário ter mais. Porém, a tubulação não é adequada para instalar, pois é preciso de 100 milímetros para ter uma vazão adequada de água e lá é pequeno”, disse.

O ideal, segundo o tenente, seria trocar toda a tubulação dos três bairros. Mas não se trata de uma tarefa fácil, tampouco barata. O investimento para redimensionar a rede é de custo alto, o que pode barrar qualquer iniciativa imediata nesse sentido. “É necessário um investimento grande e a longo prazo. Mas, isso depende da parte técnica do DAE e de engenheiros que adotarão a solução para o local”, afirmou o oficial.


Para o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru, Domingos Malandrino, é preocupante não ter hidrantes suficientes nos Distritos. “Foi feito uma audiência pública e o DAE se comprometeu a instalar hidrantes naquela área. Entregamos o plano com 250 pontos de colocação de hidrantes, entre eles os dos Distritos. O Ciesp trabalha com a seguinte posição: se acontecer um incêndio e não houver um atendimento rápido por falta d’água ou hidrante, iremos orientar o associado a colocar o DAE como corresponsável por falta de instrumento público para atender a segurança das indústrias”, afirmou.


Medidas imediatas


De acordo com o tenente, uma das medidas imediatas para evitar a ausência dos hidrantes foi a compra de viaturas com capacidade de 20 mil litros de água. A compra foi feita pela prefeitura.  “Além disso, como a instalação de novas redes não é imediata, estamos buscando a instalação de hidrantes na região próxima ao  bairro que ainda não tem hidrantes suficientes”, disse.


Em nota, o DAE informou que as redes das áreas próximas às empresas localizadas nos três Distritos Industriais são de duas polegadas. Porém, existem pontos que a rede já têm diâmetro de quatro polegadas. “O Corpo de Bombeiros solicitou à autarquia a instalação de dois hidrantes nos Distritos 1 e 3, onde as redes são compatíveis. As instalações já estão na programação e devem ocorrer nos próximos dias”, informou a autarquia.

Tubulação


O problema da tubulação não ter tamanho suficiente não é apenas em Bauru, mas em muitas cidades brasileiras, segundo o tenente Eduardo de Souza Costa. “O que ocorre é que os municípios não foram planejados para isso. Nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo, existe uma tubulação para o abastecimento de água nas residências e uma tubulação para a parte do incêndio. No Brasil, usamos a mesma tubulação do abastecimento e temos uma tubulação de 50 milímetros. O ideal seria que tivéssemos duas redes paralelas”, disse.


Outros bairros


No Vale do Igapó ainda não há hidrantes e, segundo os bombeiros, é um caso sério. “Em época de estiagem, tem muito incêndio no local e temos que sair para buscar água em outros bairros. Precisa fazer um estudo para ver se há vazão suficiente para a instalação dos dispositivos”, afirmou o tenente Eduardo de Souza Costa.


O Jardim Tangarás, assim como o Parque Jaraguá, precisam de mais hidrantes. “São bairros afastados do Centro e isso é uma tendência. Quanto mais afastado, mais precário são os equipamentos. Por isso, enviamos ao DAE a lista com esses bairros”, ressaltou.


Em nota, a autarquia informou que ainda não instalou hidrantes no Vale do Igapó por se tratar de residencial particular. Os outros locais serão colocados na programação. Até o momento, Bauru possui 163 hidrantes instalados, sendo que 132 estão ativos. O restante, segundo o DAE, necessita de manutenção. Há 31 hidrantes guardados na autarquia, pois algumas peças que foram doadas pelas empresas estão incompatíveis com as redes e terão que ser adequadas.