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Éder Azevedo/Reprodução |
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Dino Santos & Renê (com violão que se quebrou uma hora antes de sua morte); ao lado, DVD de divulgação da dupla |
Foram muitas perdas recentes na música sertaneja. Zé do Rancho, Inezita Barroso, José Rico... Antes, Tinoco, Liu (da dupla Liu e Léo) e outros. Pois Bauru também registrou uma ausência há três dias: Renê, 69 anos, da dupla com Dino Santos.
Benedito Pereira dos Santos (nome de batismo de Renê) foi sepultado domingo após sofrer infarto. Ele tinha diabetes.
Eleudino dos Santos Fernandes, 63 anos, o Dino Santos, viu-se como Milionário, que perdeu José Rico em 3 de março.
“Amigos para Sempre” era uma das músicas preferidas de Renê (segunda voz e violão). A dupla, nessa formação, estava junto há mais de 15 anos.
“Ele sempre fazia questão de cantar essa música no encerramento dos nossos shows. Todos se emocionavam”, conta Dino (primeira voz).
Renê nasceu em Paranapamena e aprendeu a cantar e tocar violão com irmão, ainda na adolescência. Dino também é autodidata e a música surgiu através da convivência com amigos. Nasceu em Marília, mas em Bauru criou suas raízes, bem como Renê.
“Não é fácil montar uma dupla sertaneja. É preciso entrosamento grande, principalmente das vozes. Naquele momento não montamos a dupla, mas viramos amigos”, relembra Dino Santos. “Deu certo”.
Estrada da vida
“Nesta longa estrada da vida... Vou correndo e não posso parar...” é o famoso trecho de marcante música da carreira de Milionário & José Rico, que foram uma das inspirações para Renê & Dino Santos. Assim, eles seguiram suas carreiras separadas até se juntarem.
Renê (que também se inspirava em Altemar Dutra) chegou a ser o Delmontino, em dupla com o consagrado Amaraí.
“Eles se apresentaram no ‘Viola, Minha Viola’, com a saudosa Inezita Barroso”, lembra Dino. Renê fez dupla, ainda, com o tenente-coronel Jorge Duarte Miguel, também é músico bauruense.
O encontro musical de Renê com Dino veio perto do ano 2000, quando resolveram, enfim, montar uma dupla com as inspirações nas bases principais de Belmonte e Amaraí, Milionário & José Rico, Matogrosso e Mathias e Pedro Bento e Zé da Estrada.
“Nós, inclusive, costumávamos nos vestir como o Pedro Bento e Zé da Estrada. Uma pena o que aconteceu”, lamenta Dino.
Violão quebra pouco antes
Uma hora antes da morte de Renê, o violão de Dino, que era usado pelo próprio Renê, também não resistiu. O cavalete, que sustenta as cordas no corpo do instrumento, descolou, assim como Renê de Dino.
“Não sei se foi um sinal. Ficamos muito abalados e, agora, conto com o apoio de nossos amigos”, diz Dino.
Uma diabetes também “fazia dupla” com Renê e causava alguns problemas de saúde a ele, que se agravaram nos últimos dias. “Às vezes até desmarcávamos alguns shows por conta desses problemas de saúde. Infelizmente ele piorou nos últimos dias. A diabetes dele era muito alta, ele não resistiu”.
O velório do Cemitério da Saudade ficou lotado de “violeiros” que cantaram em sua homenagem: “Falso Juramento” a “Amigos Para Sempre”, músicas que, respectivamente, eram tocadas na abertura e encerramento dos shows de Renê & Dino Santos.
Já no domingo (15), Dino subiu ao palco em Barra Grande, zona rural de Bauru, para cumprir compromisso de show que seria com Renê. Dessa vez, contudo, foi com Mirassol. “Agora é assim: seguirei cantando com ajuda dos amigos, como o Mirassol (da dupla Mirassol & Monterrey, cujo nome de batismo é Alécio Maldonado) e o Jotha Luiz, que estiveram comigo naquele dia, sempre lembrando do Renê”, finalizou Dino, que é funileiro no Parque Roosevelt em Bauru.
Jurado renomado
O músico e compositor Jotha Luiz lembrou com carinho do amigo de estrada e de rodas de viola. “Renê foi um músico muito importante para a música sertaneja. Um jurado renomado em muitos festivais da nossa região como, por exemplo em São Manuel, Lins, entre outras”, completou.
Assista ao vídeo de Dino Santos e Mirassol cantando na terça-feira (17) em homenagem a Renê