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Ricardo Ursulino/Divulgação |
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Município não recebeu nenhuma dose da tetraviral neste mês e já há falta das vacinas nas UBS |
A falta de vacinas que acomete vários Estados do País já pode ser sentida em alguns postos de saúde de Bauru. A Secretaria Municipal de Saúde confirmou, na quarta-feira (18), que não recebeu do Ministério da Saúde neste mês as doses da tetraviral, que previne contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora) e que, por conta disso, a vacina está escassa na rede pública.
Para se ter ideia da demanda, o município recebe, mensalmente, uma média de até 400 doses da tetraviral. Como forma de contornar o problema, as Unidades Básicas de Saúde (UBS), que já estão sem a vacina, foram orientadas a alertarem os pais e a utilizarem os estoques da vacina tríplice, que protege as crianças apenas contra o sarampo, a caxumba e a rubéola. O fato, no entanto, faz com que os pequenos fiquem vulneráveis à varicela, que também é de imunização obrigatória.
“Estamos fazendo um cadastro dessas crianças e, assim que vacina chegar, provavelmente no próximo mês, entraremos em contato com essas mães para que elas voltem e completem a vacinação dos filhos com a varicela”, explica Drieli Valente, chefe de sessão do Departamento de Imunização da prefeitura.
Apesar de confirmar o problema, a pasta não indicou quais são as unidades não possuem a tetraviral.
Readequação?
A reportagem contatou o Ministério da Saúde para saber os motivos que levaram à falta e qual a data prevista para normalização do abastecimento, mas nenhuma resposta foi enviada pelo órgão até o fechamento desta reportagem.
Em matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, o ministério alegou que problemas de produção de algumas vacinas levaram a pasta a readequar o cronograma de distribuição em vários Estados.
Generalizado
Além de São Paulo, sofrem com a falta de vacinas o Rio de Janeiro, Santa Catarina, Mato Grosso, Tocantins, Minas Gerais e Pernambuco.
Fora a tetraviral, que é considerada obrigatória, estariam em falta, em regiões do País, vacinas como a BCG, contra tuberculose; HIB, contra a bactéria causadora da meningite; febre amarela; dupla adulto, contra difteria e tétano e a vacina antirrábica humana.
Neste mês, a quantidade tetraviral recebida em São Paulo, teria sido 70% abaixo do esperado. Por conta do problema, algumas unidades de saúde têm agendando horários para a vacinação. Mas, a mesma situação não foi verificada em Bauru. A chefe do Departamento de Imunização da prefeitura explica que os agentes das unidades também não têm orientado a população a procurar outros postos que ainda possuem a imunização, já que a escassez é generalizada.
“Este mês não recebemos nenhuma. Como temos as doses da tríplice, então resolvemos usar, como uma forma de amenizar o problema”, afirma Drieli. “Infelizmente, essas crianças ficarão vulneráveis por mais tempo à varicela e não temos o que fazer”, completa a agente de saúde.
As vacinas costumam ser distribuídas pelo ministério no início de cada mês.
Particulares
A vacina tetraviral é como se fosse uma atualização da trípliceviral e consiste na combinação de vírus vivos atenuados contra o sarampo, a caxumba, a rubéola e catapora. Os quatro componentes desta vacina obrigatória são imunogênicos e eficazes, dando imunidade duradoura por praticamente toda a vida. Recomenda-se a aplicação aos 15 meses.
Em pesquisa rápida realizada em algumas clínicas particulares de Bauru, o JC também constatou que há falta da tetraviral. Como alternativa, as clínicas oferecem, normalmente, a aplicação da tríplice, que custa em média R$ 60,00, seguida pela aplicação da vacina contra varicela, que custa cerca de R$ 175,00.
A reportagem também apurou que, apesar do problema nos postos de saúde, não houve aumento da procura dessas vacinas nas unidades particulares consultadas nos últimos dias.