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Alex Mita |
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O massoterapeuta Fernando Barbosa instalou telas nas janelas de casa para evitar a entrada de mosquitos e, também, usa um repelente feito com álcool e cravos |
Até a útltima quinta-feira (19), Bauru contabilizava 985 casos de dengue: 952 autóctones, 33 importados e três mortes. Em 2014 foram confirmados 432 casos, sendo 380 autóctones e 52 importados, e nenhuma morte. Em meio ao medo e preocupados com o crescimento de casos confirmados da doença, a população passa de boca em boca soluções caseiras para espantar o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. Entretanto, especialistas advertem para a eficiência relativa e, em alguns casos, até perigosas de muitas dessas medidas.
“É importantíssimo destacar que a melhor maneira de combater o mosquito continua sendo a localização e extermínio dos criadouros, como vasos de plantas, calhas, caixas d’água, água em pneus e todo tipo de material que acumule água parada”, alerta o professor associado do Departamento de Parasitologia e Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu, Paulo Eduardo Martins Ribolla.
Além de manter a casa e o quintal sempre em ordem, o massoterapeuta e estudante de educação física Fernando Barbosa, morador da rua Venâncio Cabello, no Núcleo Geisel, decidiu apostar nas telas protetoras de janelas para tentar impedir a entrada dos mosquitos.
Outra alternativa encontrada por Fernando e a esposa foi um repelente caseiro, feito com álcool e cravo, receita ensinada por um parente. “Nós usamos esse inseticida nos aparelhinhos de tomadas, desses comprados em supermercados. Quando o veneno que vem dentro acaba, colocamos a nossa mistura. Acreditamos que, ao menos em casa, estamos protegidos”, diz.
Efeito temporário
Entretanto, o professor da Unesp de Botucatu lembra que as várias formas de repelentes caseiros têm eficiência relativa. A citronela, por exemplo, é apontada com uma planta de ação repelente. “Mas os repelentes não são 100% eficientes, e se a população de mosquitos cresce muito, a eficiência dos repelentes cai.”
Outro problema apontado por Ribolla são as “armadilhas caseiras”. Segundo ele, elas representam uma contradição, uma vez que a forma mais importante de combate do mosquito é a eliminação dos criadouros, e essas “iscas” nada mais são do que criadouros. Os detergentes, assegura o especialista, realmente combatem as larvas, mas qualquer descuido pode gerar larvas que sobrevivam até se tornarem insetos adultos.
“O uso de repelentes apenas diminuirá a chance de ser picado por eles, mas não diminui a população do mosquito. As ações devem se concentrar na busca dos criadouros e eliminação destes”, relembra.
Urbano
Ainda de acordo com o professor, é muito importante ter em mente que o Aedes aegypti é uma espécie de mosquito totalmente urbana, ou seja, não é encontrada em matas e florestas. É o homem que, por descuido, cria este vetor da dengue.
Fernando faz questão de lembrar que o mau hábito de parte da população, que pode parecer simples, como jogar latinhas e embalagens plásticas na rua, são atitudes irresponsáveis que contribuem com o surgimento dos casos de dengue. “Às vezes as pessoas fazem coisas pensando no bem, mas não se atentam aos detalhes. Exemplos são os potinhos de alimentos deixados nas calçadas e destinados aos animais abandonados, como ocorre na faculdade onde estudo. Tais recipientes acabam ficando cheios de água, principalmente nesses dias de chuva. Somente na minha turma da faculdade há duas pessoas com dengue. E, na família, tenho tios e primo, moradores da Vila Cardia, que também foram contaminados”, observa.
Para afastar o mosquito, as pessoas utilizam de citronela a detergente
Moradores tentam de tudo para afugentar o transmissor Aedes aegypti; nos bairros mais atingidos, é difícil encontrar quem não aponte uma casa com vítima da dengue
A equipe do JC nos Bairros percorreu as regiões com maior número de casos de dengue registrados em 2015 para relatar as medidas caseiras que os moradores estão adotando na tentativa de afastar o mosquito transmissor. São regiões que abrangem bairros como o Jardim Redentor, Núcleo Geisel, Jardim Cruzeiro do Sul, Jardim Carolina, Vila Antártica, Vila Cardia, Parque Jaraguá e Santa Edwirges.
Na rua Presidente Kennedy, Vila Cardia, a fumaça do chá de citronela diariamente percorre o interior da casa de “seu” Antônio Cortezini Marangon. Ele ostenta com orgulho a moita com as folhas da planta que mantém há anos na entrada da porta da residência que divide com a esposa.
“Nós plantamos para espantar a dengue mesmo. Isso já há alguns anos, porque a dengue, entra ano e sai ano, sempre nos atormenta. Quem nos ensinou foi um parente morador de Marília. Temos muitos vizinhos e parentes que já sofreram com a doença aqui no bairro. Todo cuidado é pouco”.
Segundo o aposentado, um chá é feito com as folhas da planta e a fumaça liberada é passada pelos cômodos da casa. O chá ainda fica sobre o fogão para exalar o cheiro. “Achamos que espanta mesmo, além disso, o cheirinho do arbusto, que fica perto da porta, também deve ajudar”, acredita.
‘Todos os dias capturo os mosquitos que entram em casa’
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João Rosan |
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A dona de casa Roseli Fátima Nascimento mostra o prato com mosquitos capturados e mortos com a isca feita com detergente |
Um prato com água limpa e algumas gotas de detergente de coco. Esta é a receita da dona de casa Roseli Fátima Nascimento, moradora da rua dos Cajueiros, no Geisel, para “fisgar” e exterminar os “mosquitos da dengue” que entram em sua casa.
O resultado, mostra a moradora, é um prato cheio de insetos adultos e mortos. Uma vez ao dia, o prato é lavado e a mistura é renovada, para garantir que o líquido, feito para matar, não se transforme em criadouro. “Eu coloco um prato com a isca caseira em cada quarto e, assim, a gente vai tentando se livrar das picadas”, defende.
O quintal de dona Roseli está livre de criadouros, mas ela lembra que o perigo mora ao lado, para ser mais precisa, o problema está em um terreno baldio usado por moradores como lixão. “Nós limpamos nossos quintais, mas muitos jogam lixo neste terreno. A prefeitura limpa, vez ou outra, mas não demora para estar cheio de lixo novamente. Precisa haver fiscalização e multa. Aqui na minha rua, por exemplo, há um moço internado com dengue hemorrágica”, enumera.
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João Rosan |
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Dona Iracy Orti Lopes coloca detergente no compartimento que fica atrás do refrigerador para evitar que este sirva de criadouro |
Detergente também atrás da geladeira
No Jardim Redentor, outra moradora faz uso do detergente para não deixar os mosquitos se reproduzirem na residência. Trata-se de dona Iracy Orti Lopes. Ela coloca detergente no compartimento que fica atrás do refrigerador, na tentativa de evitar que os mosquitos coloquem seus ovos ali.
“As meninas que trabalham como agentes da saúde me orientaram a fazer isso, dizem que a medida espanta os mosquitos que podem procurar essa água para depositar os seus ovos. De qualquer maneira, eu sempre tiro essa água, limpo o recipiente e coloco mais detergente”, afirma.
Apaixonada por plantas, dona Iracy mantém o seu quintal repleto delas. E o quintal é “no capricho”. A maior parte dos vasos não tem pratos sob eles e, os poucos que têm, estão sempre secos. “Eu gosto muito de mexer com flores e folhagens, por isso todo esse cuidado especial. Em casa, nada de água parada”, ensina.
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Sintomas, transmissão e tratamento ainda geram dúvidas na população
Segundo médica infectologista, a angústia é ainda maior com as incertezas sobre os sintomas da dengue hemorrágica
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João Rosan |
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Segundo a infectologista Paula Pinhão, pacientes com suspeita de dengue devem permanecer em repouso e ingerir líquidos em grande quantidade |
Embora as campanhas sejam constantes, a dengue, seus sintomas e prevenção ainda geram dúvidas em parte da população. As incertezas crescem quando o assunto é a dengue hemorrágica e seus sintomas, segundo comenta a médica infectologista Paula Pinhão Coelho de Paula.
“De maneira geral, os pacientes de dengue chegam aos consultórios muito preocupados com a dengue hemorrágica. Eles Ficam angustiados em saber sobre os sintomas que estão associados ao quadro mais grave da doença e o que fazer para evitá-lo.”
Outra dúvida dos pacientes com dengue e seus familiares é sobre a recuperação e alimentação capaz de ajudar nessa jornada. Nos casos suspeitos de dengue, a orientação da infectologista é utilizar alimentos leves e frescos, sem gordura, em quantidade razoável, respeitando a tolerância do organismo.
Ainda segundo a médica, pacientes com sintomas suspeitos de dengue devem permanecer em repouso e ingerir líquidos em grande quantidade. A dengue é uma doença causada por vírus, para o qual não há remédio específico para o combate. Apenas trata-se com medicação sintomática. O repouso é importante para que o organismo tenha energia suficiente para combater a infecção.
“E a hidratação é a única forma que temos para tentar combater a evolução da doença para formas mais graves. Por isso orientamos que, caso o paciente esteja vomitando e não consiga ingerir líquidos, deve-se procurar o serviço de saúde para hidratação venosa. Sempre evitar medicamentos que contenham AAS e anti-inflamatórios. A febre faz parte do quadro e não deve gerar pânico, pois pode acontecer durante uma semana”, esclarece.
Repelentes caseiros: é preciso cuidado
Quando o assunto é espantar o mosquito da dengue, há quem aposte em repelentes caseiros feitos com plantas e álcool. Segundo especialistas, tais questões não são bem resolvidas do ponto de vista científico e é preciso ter cuidado ao administrar as soluções, principalmente porque podem causar alergias e até queimaduras.
De acordo com a médica infectologista Paula Pinhão Coelho de Paula, popularmente acredita-se que a citronela seja um repelente natural de mosquitos e que pode diminuir a aproximação desses insetos quando a planta está presente no ambiente.
O mesmo acontece com os repelentes feitos à base de cravo. “Eles também não têm base científica que comprovem a sua eficácia e devem ser utilizados somente em casos de extrema necessidade”. Em casos de dúvidas sobre substâncias com a finalidade de passar sobre a pele, um dermatologista deve ser consultado.
Para combater mosquitos e larvas - A prevenção ainda é o remédio para deter a dengue
•Mantenha a caixa d’água sempre fechada e vedada adequadamente.
•Limpe periodicamente as calhas da casa.
•Não deixe acumular água sobre lajes, imperfeições do piso e recipientes.
•Lave, com escova e sabão, a parte interna e borda de recipientes que possam acumular água, como os bebedouros de animais.
•Não exponha recipientes à chuva; conserve-os sempre em lugares cobertos e de cabeça para baixo.
•Jogue desinfetante, detergente ou sabão em pó em ralos pouco utilizados.
•Não deixe acumular água nos pratos dos vasos de plantas.
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