Agora não adianta reclamar das ruas. O PT está colhendo tudo o que plantou não só na mesma forma de fazer política como governos passados cheios de fisiologismos, como também na política que favorece a especulação e enforca o trabalhador, tudo inverso ao que sempre defendeu. Eu que já defendi tanto este partido, por coerência ideológica, por olhar as ruas, ver a luz da razão, não tenho como defender este governo mais.
O caminho que tomará as ruas cabe à verdadeira militância fazer o que sempre coube a ela, conscientizar as pessoas nos pontos fundamentais a serem cobrados para a construção de uma nação melhor e soberana. Independente de quem esteja no governo, esse sempre foi o papel dos que militam. É triste ver boa parte dessa militância ou se perdendo num peleguismo sem fim ou num sectarismo partidário absurdo, o que acaba gerando um ódio bobo nas pessoas, sem direção e perigoso. Essa tática em acusar todos os que se manifestam de golpistas, de elite é pedir cada vez mais não por um conflito de ideias, mas uma barbárie, como se vê hoje, principalmente nas redes sociais.
Claro que existe uma minoria extremamente conservadora que prega absurdos, como uma volta dos militares, gente que sempre odiou a esquerda e ainda vê o PT como esquerda, porém a maioria não é assim, como não era na época do impedimento do Collor, quando fomos para a rua, e o PT também. Assim como em 1999 pedimos pela saída do FHC, o que de alguma forma não era o melhor caminho, como não o é hoje. As pessoas estão insatisfeitas, e com razão. Estão percebendo que vivem uma ilusão a cada eleição, as coisas não avançam de fato e a corrupção comendo solta. O brasileiro não está errado, só precisa saber a direção a ser seguida para não cair nas mãos de oportunistas e reacionários de plantão.
O país precisa discutir o que quer para o futuro, parar de punir poupança, investir em ciência e tecnologia, aumentar a produção, investir com coordenação estratégica na saúde e educação, pois sem esses pilares não há nação que resista. Fazer uma auditoria e parar de favorecer o rentismo e sufocar o investimento público nacional, e claro, juntar as grandes pessoas numa ideia soberana de nação e diminuir os espaços da banda podre, punindo toda e qualquer transgressão política, não adianta falar em mudar sistema eleitoral, se parte das pessoas que compõe uma eleição são corruptas. Esse é o Brasil que precisamos discutir seriamente e parar de rosnar como cães raivosos uns com os outros, porque continuamos num país colonial. Se antes era a coroa portuguesa, hoje são os especuladores que nos sugam. E nenhuma mudança maior se dará sem passar pelos pilares aqui citados. Portanto fica a pergunta: que Brasil queremos para as próximas décadas?
Marcos Paulo Rezende