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Aceituno Jr. |
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Embalados pela solidariedade: cerca de 60 participantes caminharam aproximadamente seis quilômetros, neste domingo (22) pela manhã |
Poderia ser apenas uma caminhada capaz de garantir bem-estar pessoal e integração entre colegas da mesma empresa. Mas não foi. Funcionários da Plasútil marcharam firme, neste domingo (22) pela manhã, em solidariedade aos trabalhadores da Ajax que, sem salário, enfrentam dificuldades, em Bauru. Com a “Caminhada Solidária”, arrecadaram 40 cestas básicas e aproximadamente 200 quilos de alimentos como arroz, feijão, óleo, leite e açúcar.
Os mantimentos (no total 1.570 quilos) serão encaminhados à Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), que os distribuirá aos mais necessitados. “Faz tempo que queríamos fazer uma caminhada. Mas gostaríamos que ela tivesse um princípio. Como tem gente que trabalha na Plasútil e tem filhos, netos, parentes que trabalham na Ajax e a cidade toda está se mobilizando para ajudá-los, decidimos também participar”, comenta Débora Morales Massarente Bincoleto, coordenadora de Recursos Humanos da Plasútil.
De acordo com ela, a ideia que reuniu cerca de 60 pessoas surgiu na academia da empresa e recebeu o apoio da Associação Bauru pela Diversidade, Lab Ação Social, 96,9 FM, Lume Light e Confiança Supermercados. Animados, os participantes caminharam cerca de seis quilômetros. Dentre eles, três são funcionários da Ajax, já que ainda não tiveram baixa na carteira de trabalho.
Relatos
“Como fizeram isso por nós, achei que tinha de participar. Minha situação só não está pior porque conto com meu marido”, afirma Silvana de Oliveira Fernandes, que trabalhou por três anos como auxiliar de produção na Ajax. Mãe de três filhos, cuja faixa etária varia de 10 a 18 anos, explica que não consegue colocar as contas em dia.
Ela e o marido Odair Soares de Oliveira se emocionam ao contar que atrasaram as prestações e compartilharam o medo de perder o imóvel onde vivem. Nestas situações, ainda mais com as negativas diante dos pedidos dos filhos, difícil manter a harmonia entre o casal.
Já Jane Macedo dos Santos, que trabalhava na montagem da Ajax, contava com seu próprio salário para pagar as despesas fixas da casa.
Como o marido não tem registro e é autônomo, difícil saber quanto entra no final de cada mês. “Sorte que não pagamos aluguel. Estou procurando emprego, como os outros 1.600 da Ajax e mais os trabalhadores também desempregados fora de lá. Não está fácil”, comenta.
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Aceituno Jr. |
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Entre os vários alimentos, foram arrecadadas 40 cestas básicas para ajudar os funcionários |
Contexto
A crise da Ajax é algo que já se arrasta há alguns meses. Os cerca de 1,1 mil trabalhadores da empresa estão sem receber salários desde dezembro de 2014 e com décimo terceiro, férias e cestas básicas atrasadas. A Ajax, inclusive, está com as atividades paralisadas desde 5 de janeiro deste ano.
Há dez dias, uma nova assembleia entre representantes da fábrica e credores foi realizada, em Bauru. Por maioria dos votos, a Ajax ganhou prazo de mais 90 dias para definir seu futuro – inclusive em relação à eventual venda da unidade a um grupo de investidores.
Enquanto isso, o Ministério Público de Trabalho (MPT) protocolou ação pedido o bloqueio de bens dos proprietários da fábrica e da empresa Cachoeira Metais, processadora de chumbo da Ajax localizada em Cachoeira de Goiás (GO). Contudo, até agora, o MPT ainda não obteve resposta favorável.
‘Ritual’ diário em busca de novidades
Não passa um dia sequer sem que Léa Santos Sanches siga até a Ajax, no Distrito Industrial, para checar eventuais novidades sobre o futuro da empresa. Funcionária há dois anos, criou vínculos afetivos com o local de trabalho e admite ter ‘um fiasco’ de esperança de reavê-lo.
“Não tem cabimento o proprietário não retomá-la”, comenta. Outros funcionários antigos de casa também pensam como ela. Alguns com 20 ou 22 anos na empresa, entregaram toda sua força produtiva à Ajax, comenta Magda Caetano de Carvalho, que perdeu a caminhada, mas esteve na Plasútil.
“Fazíamos horas extras e trabalhávamos aos finais de semana. Muitos não tiveram nem tempo para se qualificar”, comenta. Ela mesma, que trabalhou na Ajax por 14 anos, planejava terminar o Ensino Médio e fazer um curso para voltar ao mercado de trabalho em outra função que não a cozinha. Há um ano, aproximadamente, fez acordo com a empresa e foi demitida junto com outros 350.
No entanto, todos eles receberam apenas algumas parcelas do acordo. Como é sozinha, consegue sobreviver com “bicos”. “Mas não é fácil. Têm colegas meus passando fome”, destaca. Ela e os outros trabalhadores cobram também eficiência da Justiça para dar uma solução ao caso.