09 de julho de 2026
Cultura

Bauru perde Oficina Cultural

Chico Siqueira
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto

Oficina Cultural de Bauru deve funcionar até dia 22 de abril; atividades serão remanejadas

As oficinas culturais são novas vítimas do aperto orçamentário do governo do Estado de São Paulo. A queda de 30% no repasse das verbas levou a organização social Poiesis a decidir pelo fechamento de nove das 23 oficinas instaladas na Capital paulista e no Interior - entre elas a de Bauru - e a demitir a maioria dos funcionários.

 

A notícia do fechamento de cinco oficinas no Interior e quatro na cidade de São Paulo, a partir de 22 de abril, pegou produtores culturais, artistas e usuários de surpresa. Diversos abaixo-assinados coletam adesões. Na noite de domingo passado, revoltadas com a notícia, cerca de 200 pessoas foram às ruas protestar contra o fechamento da oficina em Araçatuba.

 

Está programado o fechamento das oficinas de Campinas, Araraquara, Bauru e São João da Boa Vista. Na Capital, segundo os coordenadores, duas delas já estariam com as atividades encerradas e com pessoal demitido. Outras duas - em São Miguel Paulista e na Vila Brasilândia - devem fechar as portas em abril. “É um retrocesso. Faz 17 anos que temos o espaço dedicado aos artistas e que reúne os coletivos da região e a oficina existe desde 1999”, diz Sasha Arcanjo, coordenador da oficina Luiz Gonzaga, de São Miguel Paulista, na zona leste da Capital. “Em São Paulo, duas oficinas já fecharam, a Mazzaropi e um projeto que funcionava no parque da Água Branca, cujos funcionários já foram demitidos”, afirmou. “Embora ainda existam no papel, na prática essas oficinas estão desativadas.”

 

As oficinas são administradas pela Organização Social (OS) Poiesis - Instituto de Apoio à Cultura, à Linga e à Literatura, por meio de convênio com a Secretaria da Cultura. O contrato com o Estado prevê um repasse de R$ 134 milhões para desenvolvimento das oficinas até 2018, mas, para 2015, dos R$ 28 milhões previstos, o governo confirmou o repasse de apenas R$ 19 milhões. A redução levou a Poiesis a optar pelo fechamento das sedes alugadas e demissão de pessoal para reduzir os custos.

 

Para a Poiesis, não se trata de fechamento, mas de reestruturação porque as atividades das oficinas fechadas serão transferidas para as que continuarão abertas. E os cursos que atendem cerca de 300 municípios no interior continuarão em parcerias com prefeituras e entidades municipais. Com isso, as atividades em Araçatuba, por exemplo, serão transferidas para Presidente Prudente, a 200 quilômetros de distância. Apenas um coordenador de cada oficina continuará trabalhando - os demais serão demitidos. A Poiesis não informou quantos funcionários serão demitidos.

 

Bauru

 

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Cultura, Bauru agora deverá ser atendida por Marília (100 quilômetros de Bauru), ou seja, todas as atividades previstas pela Oficina Cultural da cidade serão transferidas para Marília. No entanto, não há informações sobre quando essas mudanças ocorrerão.

 

“O Programa Oficinas Culturais, administrado pela organização Social Poiesis - Instituto de Apoio à Cultura, à Língua e à Literatura, será reestruturado a partir do dia 23 deste mês. Nesse novo formato, a Oficina Tarsila do Amaral, em Marília, passará a desenvolver, também, as atividades antes realizadas pela unidade Glauco Pinto de Moraes, em Bauru. A medida assegura a continuidade das oficinas promovidas em Bauru e o atendimento da população, sem prejudicar a intensa programação de atividades culturais oferecidas pelo programa. A difusão de atividades para outros municípios da região será mantida, no mesmo modelo de parceria com prefeituras”, informa a assessoria.

 

A reportagem tentou contato com o coordenador da Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes, Paulo Rogério Pereira, no entanto, as ligações não foram atendidas até o fechamento desta edição. Vale lembrar que o antigo prédio da entidade ainda passa por reforma.