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Malavolta Jr. |
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Viveiro não recebe novas mudas e mato alto motiva queixas de vizinhança em sede da avenida Cruzeiro do Sul
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O Instituto Ambiental Vidágua, que completou 20 anos no último dia 29 de dezembro, passa por reestruturação. O caule da Organização Não-Governamental (ONG) (projetos desenvolvidos) está em “tratamento” para a retomada do sustento de sua seiva, a causa ambiental. Os viveiros estão mortos, sem a plantação de novas mudas. O cenário lembra abandono e gera críticas diretas da vizinhança.
Moradores próximos, na quadra 26 da avenida Cruzeiro do Sul, Redentor, reclamam do estado de abandono das instalações e na praça ao lado, o que seria bosque. Eles denunciam mato alto, lixo, plantas mortas e até foco de dengue (doença que já matou três bauruenses neste começo de ano).
Algumas horas após o contato da reportagem com representantes do Vidágua, equipe de cinco voluntários deu início a uma “faxina” no local. Por volta das 17h45 o cenário ainda não era muito diferente.
O alerta contra a dengue se justifica pelo fato de apenas na quadra 2 da rua Noé Onofre Teixeira, que fica aos fundos da ONG, três pessoas estão infectadas e uma já foi há pouco tempo. Mulher de 73 anos morreu há 15 dias vítima de dengue hemorrágica.
A vizinhança, em especial o autônomo Adauri José Fernandes, 54 anos, questiona motivos de nenhum agente de saúde vistoriar a região.
“Fui infectado, minha esposa está com dengue, vizinhos passam pela mesma situação, um delas morreu. Acreditamos que o foco seja o abandono desse lugar há muito tempo”, manifesta.
O imóvel teria sido cedido pela Prefeitura logo na sua fundação, em 1994.
A saída dos principais ativistas nos últimos anos por motivos de concurso público ou novos projetos, além da redução no repasse de recursos públicos teria e enfraquecido a militância ambiental, conforme alertou o Jornal da Cidade em junho do ano passado. Uma das alternativas pela manutenção da causa seria a inserção de membros na política.
A reportagem questionou a presente situação e o futuro do instituto a lideranças antigas e atuais. As respostas se contradisseram.
Transição
Cofundador do Instituto Vidágua, o biólogo e presidente da executiva municipal do Partido Verde (PV) de Bauru, Clodoaldo Gazzetta, afirma que o momento é de transição.
“O instituto passa por um período de transição, onde o último projeto já foi concluído e os que virão pela frente não devem contar com viveiros”, disse.
Em relação à limpeza do local, Gazzetta disse que a manutenção é feita regularmente. “Existe equipe contratada para limpar o terreno, inclusive agora há pouco (manhã de ontem) passei por lá e o trabalho estava sendo feito”, garantiu. Contudo, a reportagem do JC esteve no local minutos antes da entrevista e constatou o contrário, com fotos. Ninguém estava lá, mas horas depois cinco voluntários foram vistos.
Ainda segundo Gazzetta, o prédio deve ser devolvido à Prefeitura. “Como não será mais utilizado o espaço devido ao fato do viveiro não ser mantido, devemos devolver [o prédio] ao município para que esse possa dar um destino apropriado para ele”, fechou questão.
Mesmo afastado da diretoria do instituto desde as vésperas do período eleitoral de 2014, quando disputou o cargo de deputado federal pelo PV, Gazzetta foi acionado por uma das militantes, Renata Takahashi, que encaminhou as questões da reportagem.
Cuidador
O estudante de jornalismo Adham Felipe Marin entrou em contato com o JC e se identificou como cuidador da ONG. Ele teve acesso às questões feitas via e-mail, meio que foi orientado pela mesma Renata.
Adham informou que com a saída do ex-presidente Leandro Tessari, Gazzetta teria pedido para ele cuidar da manutenção, que seria feita quase que diariamente. “Todas as semanas vai alguém (ao prédio) verificar se tem água parada ou qualquer outro tipo de irregularidade. Ontem (anteontem) mesmo fui e constatei estar tudo ‘ok’”, garantiu.
Já em relação ao estado de abandono, Adham informou que somente não é mais aberto todos os dias. “Mas as atividades existem e estamos com dois projeto na mata ciliar do Tietê-Jacaré e Tietê-Batalha”.
Presidente responde
Por fim, o e-mail encaminhado ao Instituto Vidágua foi respondido pelo presidente em exercício, José Pili Cardoso, que garante a não devolução da área ao município e corrobora com as informações do cuidador Adham.
“O prédio não é cedido pelo município, na verdade o terreno foi doado e as demais benfeitorias como a casa/sede, as instalações do viveiro de mudas, o sistema de irrigação, o poço artesiano e as bombas, bem como o bosque plantado na área foram executados com recursos próprios do Vidágua”, garante.
E ainda refuta as denúncias de abandono. “O local em hipótese alguma está abandonado, ao contrário, continua recebendo todos os cuidados necessários para sua manutenção”.
Ainda de acordo com Pili, como é conhecido o presidente em exercício, existe uma articulação junto à Prefeitura de Bauru para uma parceria pela utilização do viveiro de mudas, já que o Vidágua não desenvolve mais esta atividade.
Atualmente a instituição participa do Conselho Municipal do Desenvolvimento do Meio Ambiente (Comdema), Conselho do Município de Bauru (CMB), nos conselhos das Áreas de Preservação Ambiental (APAs) , Comitês das Bacias Hidrográficas dos rios Tietê/Jacaré e Tietê/Batalha, além de estar como parceiro em projetos de recuperação florestal.