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Bruno Freitas |
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Antes de seguirem até a rodovia Marechal Rondon, manifestantes se reuniram no Parque Vitória Régia |
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Trânsito Bauru/Facebook |
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Trabalhadores da Ajax durante protesto na manhã desta quarta-feira (25) |
Em um dia marcado por quatro protestos em Bauru, em um deles, funcionários da Ajax interditaram, nessa quarta-feira (25) de amanhã, uma das rodovias de maior fluxo que cruzam o município, a Marechal Rondon (SP- 300). A barricada em chamas, formada por pneus e pedaços de pau, impediu, por aproximadamente três horas, o trânsito na altura do quilômetro 339 mais 800 metros da via, no sentido Interior-Capital. Veículos chegaram a seguir na contramão ao se deparar com o bloqueio.
O protesto, segundo os trabalhadores, ocorreu como forma de pressionar a Justiça a resolver a situação dos trabalhadores, que estão sem salário há quatro meses, após a paralisação da empresa que vive uma ampla crise financeira.
O ato precedeu uma reunião realizada ontem à tarde na sede da Justiça do Trabalho, na avenida Cruzeiro do Sul.
Protesto
Durante o ato, os policiais rodoviários desviaram o fluxo da rodovia para as avenidas Nuno de Assis e Cruzeiro do Sul, na tentativa de diminuir o congestionamento.
Nenhum acidente foi registrado no trecho durante o período, segundo a polícia, mas antes da chegada das viaturas no local, às 8h35, várias denúncias alertando sobre veículos trafegando na contramão, na tentativa de fugir do congestionamento, foram registradas.
O trânsito só foi liberado após o Corpo de Bombeiros conter a chamas e os resquícios dos materiais serem retirados da pista.
Segundo JC apurou, o movimento recebeu apoio de estudantes da Unesp de Bauru e alguns diretores do Sindicato dos Bancários também foram solidários ao movimento, forneceram o caminhão de som da entidade. Após a presença do procurador do Trabalho, José Fernando Ruiz Maturana, no local, no final da manhã, o grupo se dispersou, e se reuniu novamente na sede da Justiça do Trabalho.
Reunião e prazo
Na sede da Justiça, uma comissão formada pelos trabalhadores da Ajax conversou com o procurador e com o juiz da 4.ª Vara do Trabalho, Júlio César Marin do Carmo, que marcou uma nova audiência para o dia 7 de abril.
“Estamos tentando buscar alternativas. É um processo complexo e demorado, que envolve dois tipos de ações, da rescisão dos contratos trabalhistas e da recuperação judicial da empresa”, comentou Maturana.
Após o encontro, os trabalhadores seguiram para a sede da empresa, no Distrito Industrial.
Outro protesto ocorreu na porta da Ajax e perdurou até às 16h30. No local, os trabalhadores utilizaram um caixão em alusão à indignação com a situação da empresa.
“Tem gente passando fome, sendo presa por não pagar pensão e até despejada. Mas não vamos desistir. E se não houver nenhuma decisão nessa próxima reunião, vamos interditar a rodovia de novo”, alerta o motorista Manoel Rodrigues, representante da comissão dos trabalhadores da Ajax.
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Trânsito Bauru/Facebook |
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Os manifestantes chegaram a atear fogo em pneus e interditar um trecho da rodovia SP-300 |
A crise
Paralisada desde janeiro, a Ajax segue em crise. Os 1,1 mil trabalhadores estão sem receber salários, décimo terceiro e benefícios.
Uma assembleia entre representantes da fábrica e credores foi realizada há duas semanas e a empresa ganhou mais 90 dias para definir seu futuro. Foi aventada, inclusive, a possibilidade de venda a um grupo de investidores.
A pedido dos funcionários, o Ministério Público de Trabalho (MPT) protocolou ação pedindo o bloqueio de bens dos proprietários e da empresa Cachoeira Metais, processadora de chumbo da Ajax localizada em Goiás. No entanto, o MPT ainda não obteve resposta favorável.
“Apenas o bloqueio de bens da empresa foi determinado”, explica Maturana.
O procurador diz ainda que é preciso a reunião de mais elementos probatórios para conseguir o bloqueio de bens dos sócios do grupo.
Os trabalhadores pedem a penhora imediata de 50% da empresa em Cachoeira e a aprovação do plano de recuperação judicial sobre a coordenação do administrador judicial em parceria com os investidores, trabalhadores e sindicato.
Confira vídeos do protesto:
Imagens: Malavolta Jr.