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João Rosan |
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Região central ficou sem coleta de lixo pelo segundo dia; Emdurb pede aumento de multa e sindicato critica índices impostos em liminar |
Servidores municipais em greve, segundo a Emdurb, não cumpriram a decisão judicial que impôs a garantia de 70% dos serviços de coleta de lixo domiciliar e de 100% do atendimento inadiável de saúde, entre eles os prestados nas unidades de urgência e emergência. Nessa quarta-feira (25), dezenas de bairros ficaram tomados por sacos de lixo, já que os 150 coletores e motoristas do setor não foram trabalhar.
No Centro, onde a coleta precisa ser realizada diariamente, o acúmulo de resíduos é ainda maior. A paralisação, que completou dois dias, nessa quarta (25), também gera efeitos em algumas unidades de urgência e emergência, onde, segundo a liminar concedida pela 2.ª Vara da Fazenda Pública de Bauru, o quadro de pessoal deveria ser integralmente mantido.
Segundo dados da assessoria de imprensa da prefeitura, a adesão dos servidores foi de 29% na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bela Vista, de 23% na UPA do Ipiranga, de 13% no Samu e de 11% no Pronto-Socorro Central (PSC). Nas demais, o atendimento ocorria normalmente.
Segundo o diretor do Departamento de Urgência e Unidades de Pronto Atendimento (Duupa) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, somente técnicos de enfermagem decidiram cruzar os braços. Em razão disso, ele garante que o atendimento a pacientes com risco de morte continua sendo realizado sem prejuízos e que apenas serviços de menor complexidade, como a administração de medicamentos, está ocorrendo com maior lentidão.
“Com menos gente, este atendimento pós-consulta tumultua, mas continua. A grande dificuldade é que o número de pacientes aumentou cerca de 20% por conta da dengue, principalmente nas UPAs, onde está havendo certa demora para liberar o paciente”, frisa. Por conta da greve, o Samu, ontem, funcionava apenas com cinco das sete viaturas que operam a cada turno.
Audiência
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João Rosan |
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Em reunião, Sinserm apresentou nova proposta à prefeitura, que prevê reajuste salarial de 7,2% |
Na Emdurb, 33,5% dos 851 trabalhadores estão de braços cruzados – acima, portanto, dos 30% autorizados pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em Campinas. Destes, 150 atuam na coleta de lixo.
Segundo o presidente da empresa, Nico Mondelli, o TRT já foi comunicado sobre o descumprimento e será novamente alertado hoje, quando representantes da Emdurb e do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru (Sinserm) participam de uma audiência de conciliação para tentar pôr fim à greve. “Nosso entendimento é de que, ao descumprir uma liminar, a greve se tornou ilegal”, diz.
Ainda de acordo com Mondelli, o lixo da cidade não deverá ser coletado até que os servidores reassumam. “Pedimos para que o TRT revise o valor da multa para que a medida judicial seja obedecida”.
Além da coleta, os funcionários da Emdurb devem garantir 70% dos serviços de limpeza de ruas, praças e avenidas, administração das funerárias e cemitérios, assim como o gerenciamento do trânsito e transporte local, sob pena de multa diária de R$ 1 mil. Ontem, conforme informou a assessoria de imprensa da autarquia, os agentes de operações de trânsito (GOT) voltaram ao trabalho.
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João Rosan |
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Após passeata, servidores realizaram protesto em frente ao Palácio das Cerejeiras |
Passeata
Após assembleia que decidiu pela continuidade da greve, na manhã dessa quarta-feira (25), os servidores municipais saíram em passeata pelas ruas de Bauru. Empunhando cartazes de protesto, os manifestantes saíram do prédio do Sinserm, localizado na quadra 14 da rua Saint Martin, no Centro de Bauru, e seguiram rumo à Praça das Cerejeiras, onde a diretoria foi recebida para nova rodada de negociações.
Prefeitura estuda contraproposta do sindicato e resposta deve sair hoje
O Sinserm apresentou nova contraproposta à prefeitura, em reunião realizada entre diretores da entidade, o chefe de Gabinete Arnaldo Ribeiro e os secretários Marcos Garcia (Finanças) e Célio Bucceroni (Administração). Para retornar ao trabalho e suspender imediatamente a greve, os servidores reivindicam aumento salarial de 7,2%, referente à inflação, a todos os funcionários ativos e inativos.
Metade deste percentual seria retroativo a março e a outra, garantida a partir de abril. Os trabalhadores pedem, ainda, que o pagamento em dinheiro do vale-refeição, a ser reajustado de R$ 220,00 para R$ 300,00, contemple todos os aposentados, sem limite de teto salarial.
O vale-refeição é assegurado aos funcionários que trabalham oito horas diárias ou mais e o abono, não incorporado ao salário, seria dado aos ativos que recebem até R$ 2,3 mil. O Sinserm afirma aceitar esta proposta desde que o prefeito Rodrigo Agostinho firme compromisso de se reunir com a entidade em maio, após fechamento do quadrimestre, para negociar o aumento do vale-compra, benefício a que todos os trabalhadores têm direito.
Nova Negociação
Nesta nova negociação, o vale-compra teria de ser reajustado para R$ 400,00 e o salário, alcançar o índice de aumento de 10%.
O sindicato pede, ainda, a não reposição dos dias parados e que não haja nenhuma outra medida que traga prejuízo aos servidores. Caso isso não ocorra, segundo o Sinserm, uma nova assembleia seria realizada em maio para discutir os rumos do movimento e a retomada da greve.
Os secretários informaram que levariam as reivindicações ao conhecimento do prefeito e que, após analisar o impacto da proposta no orçamento, daria uma resposta ao sindicato ainda na manhã de hoje. Uma assembleia entre os servidores, que deverão votar pela continuidade ou fim da paralisação, está marcada para as 9h.
‘Os índices impostos são absurdos’
Na área de saúde, 113 servidores aderiram à greve, resultando no descumprimento da liminar não apenas nas unidades de urgência e emergência, mas também em outros serviços considerados inadiáveis, como Caps Álcool e Outras Drogas Infanto-juvenil 24 horas, onde a paralisação atingiu 53,8%, e na Divisão de Vigilância Ambiental (3%).
Nas unidades de assistência farmacêutica do Bela Vista e do Centro, a adesão foi de 42,8% e 71,4% dos servidores, respectivamente.
O descumprimento da liminar expedida pela Justiça prevê multa ao Sinserm de R$ 5 mil por dia. Mesmo com a penalidade, o sindicato, segundo a diretora Sônia Carvalho, não está orientando os funcionários a cumprir os percentuais estabelecidos pela Justiça. “O trabalhador é livre para fazer suas escolhas, até porque os índices que foram impostos são absurdos. Na prática, proíbe o direito de greve para um setor da saúde”, pondera.
A assessoria da prefeitura informou que a Justiça ainda não foi comunicada sobre o descumprimento da liminar.
Adesão à greve se manteve estável
A assessoria de imprensa da prefeitura informou que 1.066 servidores municipais estavam mobilizados pela greve até o final da tarde dessa quarta-feira (25). No primeiro dia de paralisação, foram contabilizados 1.051 trabalhadores.
Além da Saúde e da Emdurb, os setores mais afetados são a Educação, com 21,6% dos funcionários parados, e a Secretaria Municipal de Obras (11%). Segundo o titular de Obras, Sidnei Rodrigues, os serviços mais prejudicados são os de implantação e reforma de galerias pluviais.
“Nesta semana, iríamos, por exemplo, instalar o sistema de drenagem próximo à Faculdade Anhanguera. E este serviço foi adiado”, cita. Além disso, o início da pavimentação do viaduto inacabado (Falcão/Bela Vista) também foi suspenso temporariamente.
“Como não posso liberar o viaduto (cujo laudo só deve ser concluído em abril), avaliei que seria melhor esperar a greve. O material para pavimentação é caro e não posso correr o risco de disponibilizá-lo e, no dia, não ter pessoal para trabalhar”, finaliza.