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Henrique Perazzi de Aquino |
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Tito Madi deseja que a cidade de Pirajuí seja muito feliz, assim como “eu sempre fui nessa terra” |
Cidade pacata, com 22 mil habitantes, Pirajuí (58 quilômetros de Bauru) é repleta de boas histórias e grandes artistas, que despontaram no cenário nacional, conquistando espaço e respeito profissional. No próximo domingo (29), o município comemora o seu centenário e recebe homenagem de um pirajuiense ilustre: Tito Madi, mestre do samba-canção.
Em entrevista concedida por telefone ao Jornal da Cidade, o cantor e compositor, que voltou a lançar disco após 14 anos (leia ao lado), fez questão de mandar seu recado. “Pirajuí vai fazer 100 anos no dia 29 de março, mas, infelizmente, não poderei estar lá. Quero, então, desejar que minha cidade seja muito feliz. O povo é bom e espero que todos sejam felizes, assim como eu sempre fui nessa terra”.
Descendente de libanês, Chauki Maddi, hoje com 85 anos, foi embora de Pirajuí quando tinha apenas 18 anos e, desde 1954, vive no Rio de Janeiro, onde constituiu família e se consolidou na carreira musical, sendo um dos precursores da Bossa Nova. Desde 2007, ele se recupera das sequelas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Mesmo longe de sua terra natal, onde esteve pela última vez nos anos 1980, Madi lembra com carinho e saudade do período em que viveu em Pirajuí. “Foi a época mais feliz da minha vida. Passei uma infância e uma mocidade muito boa. Fiz muitos amigos, me formei professor primário e até hoje eu sonho com a possibilidade de voltar e morar na cidade. Mas seria difícil porque sou pai e avô. Tenho dois filhos maravilhosos e cinco netos. Não tenho mais condições de sair do Rio de Janeiro e deixá-los. Sou muito apegado a eles”.
Debilitado por conta da idade avançada e da doença, Madi se mostrou confiante na recuperação e planeja um show para presentear os pirajuienes em breve. “Estou há oito anos na cadeira de rodas, sem poder compor, sem poder cantar, sem poder tocar meu violão. Foi um AVC muito violento, mas graças a Deus eu resisti e, aos poucos, estou melhorando. Quando eu estiver andando normalmente pretendo ir, primeiramente, a Pirajuí”, prometeu.
“Chove Lá Fora”
A canção mais conhecida de Tito Madi, “Chove lá Fora”, foi interpretada por grandes vozes brasileiras como Agostinho dos Santos e Milton Nascimento, além de ganhar versão em inglês do grupo vocal americano “The Platters”. O que muita gente não sabe é que a música foi composta em Pirajuí, nos anos 1950.
“Eu estava de férias em uma fazenda, onde tinha um lago e um barco. Havia uma árvore saída de dentro da lagoa. Remei no barco até o meio da árvore. As folhas ainda estavam vivas. Encontrei uma sombra boa e, ali, compus ‘Chove Lá Fora’. Mas tinha um detalhe: não chovia”, lembrou, aos risos.
Esquecido?
Foram 14 anos em que Tito Madi ficou fora do mercado musical. Mesmo assim, ele diz não ter sido esquecido pela mídia. “Eu dei muitas entrevistas por telefone. Emissoras de TV vieram ao meu apartamento. Tenho muitos amigos na mídia e o lançamento deste disco provou que minha situação ainda é muito boa. Os cronistas elogiaram bastante o novo álbum”, contou.
‘Pirajuí é a cidade irmã de Bauru’, define Tito
Mestre do samba-canção e um dos precursores da Bossa Nova, Tito Madi revela ter grandes laços com a “Cidade Sem Limites”. “Pirajuí é a cidade irmã de Bauru, que também faz parte da minha história, da minha família. Meu pai e minha mãe, quando chegaram do Líbano, se instalaram em Bauru. Ali, meu pai casou-se com minha mãe e tiveram dois filhos bauruenses”, contou.
Madi só não virou bauruense por questões de sobrevivência. “Na crise de 1929, minha família se mudou para Pirajuí, onde eu nasci. Mas teria sido ótimo também ter nascido em Bauru, uma ótima cidade, onde tenho grandes amigos”, elogiou.
Teste no Noroeste
Durante a entrevista, mais uma surpresa: Tito Madi foi jogador de futebol em Pirajuí e chegou a ser convidado para fazer teste no Noroeste. “Não pude aceitar porque já estava contratado pela Rádio e TV Tupi, em São Paulo. Mas estive muito Bauru e ainda tenho muitos parentes na cidade. A família Madi é muito grande”.
Cantor volta a lançar disco após 14 anos
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Divulgação |
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Em parceria com Gilson Paranzzetta, Tito lança novo trabalho |
Desde o álbum “Ilhas Cristais”, lançado em 2001, Tito Madi não apresentava mais trabalho musical. Para a surpresa dos fãs, o cantor voltou à ativa este ano com o disco “Quero te dizer que eu te amo”, gravado há nove anos e lançado pela gravadora Fina Flor.
Em parceria com o maestro e pianista Gilson Paranzzetta, o álbum é composto por 14 canções – oito da autoria de Madi – e contou ainda com a participação de Mauro Senise (sax/flauta), Chiquinho Braga (vilão/guitarra), Paulo Russo (contrabaixo acústico), e João Cortez (bateria/percussão).
O show de lançamento aconteceu no dia 26 de fevereiro, na Sala Baden Powell, no Rio de Janeiro. “Cantei só uma música, mas sinto que não estou pronto. Minha voz ainda não está normal. Mais um pouco de tempo e acredito que conseguirei fazer um show inteiro”, ponderou Tito Madi.
O artista contou que o disco demorou para sair por falta de gravadora. “Todas as grandes gravadoras, hoje, não estão mais gravando. É um problema muito sério para a música brasileira”, criticou.
“Eu fiquei muito nervoso porque não sabia como eu iria me sair. Mas tudo correu bem, fui muito aplaudido e tenho sorte de ter um público carinhoso e bondoso. Entenderam a minha situação e me aplaudiram bastante”, comemorou.
Tito revelou que pretende voltar aos estúdios em breve.