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Éder Azevedo |
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Marcus Vinicius Fernandes (em pé) em reunião na quarta (25) sobre polêmica . |
A notícia do fechamento da Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes (atualmente em reformas na rua Amazonas, entre rua Amazonas e avenida Cruzeiro do Sul) movimentou a classe artística e outras nas últimas horas. E gera revolta contínua. A situação foi alvo de matérias do JC na quarta-feira (25) e na terça-feira (24).
Na manhã de sábado (28), às 9h, artistas devem se concentrar na praça Machado de Melo, em frente à Estação Ferroviária, e fazer intervenções culturais em cortejo, pelo Calçadão da Batista até a praça Rui Barbosa, ocupando também o coreto com apresentações.
No dia seguinte, no domingo, todas as vertentes artísticas devem se reunir na praça da Copaíba, na quadra 18 da avenida Getúlio Vargas em novo ato público.
Coincidentemente, estava agendada para ontem às 8h30 uma reunião do Conselho Municipal de Política Cultural, na sede provisória da Oficina, na quadra 18 da rua Rio Branco, Jardim América. O local é alugado enquanto a sede oficial, do Estado, é reformada. O custo da obra é de R$ 3,7 milhões.
O secretário municipal de Cultura, Elson Reis, informou que não tem condições de, como secretaria, de oferecer um suporte ao movimento, mas apoia toda a mobilização da classe.
“Não tem como simplesmente fechar [oficinas] como meio de gerenciar crise de orçamento. A mesma [crise] do Estado também atinge, e muito e com mais gravidade, os municípios”, critica.
Para o secretário, se o fechamento se confirmar, será uma perda irreparável. “A cidade perde do ponto de vista econômico, a sociedade perde opções culturais e os artistas perdem um dos seus principais contratantes”.
‘Incoerente’
Para o diretor de Departamentos de Proteção ao Patrimônio Cultural da Secretaria Municipal de Cultura de Bauru, Ronaldo Gifalli, a decisão pelo fechamento é uma incoerência.
“É incoerente investir quase R$ 4 milhões na recuperação de um prédio e em seguida fechá-lo. Isso é falta de planejamento, E arbitrário”. Ronaldo Gifalli é artista plástico e realizou eventos em parceria com a Oficina desde a década de 1990.
Mesmo tom
A reunião de ontem seria entre os conselheiros, mas por decisão do grupo foi aberta. “O que a classe decidir, o conselho dará o total apoio”, indica o coordenador Marcus Vinicius Fernandes, que também é diretor do Wise Madness, grupo de 230 pessoas que trabalham a linguagem hip-hop para crianças, adolescentes e jovens.
Marcílio do Nascimento, conhecido por seu trabalho Chaplin e Cowboy Prateado no Centro da cidade, se diz “da rua”. O artista não trabalha com a Oficina Cultural, mas participou da reunião e, como protesto, percorreu as ruas em caminhão de som com o presidente da Associação de Teatro de Bauru e Região (ATB), Kyn Júnior.
O presidente da ATB alugou o veículo e percorreu as ruas e avenidas das áreas centro e sul da cidade. “Fui muito bem acolhido pela sociedade, junto com o Marcílio. Muita gente buzinava, acenava e saía dos estabelecimentos”, informa.
Questionado por ter saído durante a reunião, ele cobrou ação da classe. “Não adianta ficar fazendo reunião. O que precisamos é de ação”.
Manifesto
A reunião deliberou também por enviar manifesto à Câmara Municipal por meio do vereador Fabiano Mariano, que esteve presente, e pode utilizar a tribuna do Poder Legislativo na sessão do próximo dia 6 de abril.
O vereador disse ser um contrassenso o fechamento das Oficinas Culturais em diversos pontos do Estado. “Em um quadro de violência e uso de drogas crescentes, fechar as portas de quem incentiva a cultura não se justifica”, pontua.
A Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes atende 46 cidades e foi instituída por decreto do Governo do Estado de São Paulo. Foi a primeira do interior paulista.
Por conta disso, um grupo questionou a legalidade da ação (fechamento) e entende que quem deveria determinar é o governador por meio de decreto e não uma Organização Social - no caso, a Poiesis - administradora as Oficinas Culturais.
Deputado Pedro Tobias repudia o fechamento: ‘É um fato lamentável’
A transferência de atividades para Marília é destacada como ‘falta de respeito com Bauru’
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Quioshi Goto |
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Pedro Tobias sai em defesa da primeira oficina cultural do interior |
Diante da decisão tomada pela Organização Social Poiesis de fechar a Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes, em Bauru, o deputado Pedro Tobias manifestou seu “total repúdio” à medida.
O anúncio foi recebido com contrariedade pelo parlamentar, ainda mais sabendo que o prédio onde funciona a oficina é de propriedade do Estado e passa atualmente por uma ampla reforma com um investimento em torno de R$ 4 milhões.
Assim que soube do anúncio do fechamento, o deputado Pedro Tobias encaminhou e-mail ao governador Geraldo Alckmin criticando a decisão tomada pela Poiesis, que quer ver revista.
Indignação
O deputado classificou a decisão como “fato lamentável” e que ficou “indignado” ao tomar conhecimento da mesma. Pedro Tobias lembrou que a oficina de Bauru foi a primeira a ser construída no interior do Estado e atende mais de 45 municípios na região. Portanto, seu fechamento significará uma perda irreparável não só para os moradores de Bauru, mas também para os moradores dessa imensa região.
O deputado encerra o e-mail ao governador afirmando que a transferência das atividades para a oficina de Marília é “uma total falta de respeito com a cidade de Bauru”, com o próprio deputado Pedro Tobias e, portanto, conta com sua total rejeição.
Mais um dia de protestos
Bauruenses dão voz a seu espírito crítico por meio de cartas ao JC e em redes sociais
Nessa quarta-feira (25) o dia foi de mais protestos contra o fechamento da Oficina Cultural de Bauru - fato previsto para outras cinco, efetivamente, a partir de 22-4: Araraquara, Araçatuba, São João da Boa Vista, Campinas e São Paulo.
Além dos artistas, produtores e alunos, a população, de um modo geral abraçou a causa e não aceita um “corte” tão brusco no setor cultural, fundamental na educação.
Até um grupo foi criado no Facebook para reunir pessoas em um cortejo artístico no sábado (digite Amigos da Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes).
O espaço Tribuna do Leitor do Jornal da Cidade também recebeu diversas cartas, como a da leitora Denise Berriel Joaquim Taveira, nessa quarta (25).
A artista e diretora Mariza Basso também publicou sua indignação em redes sociais.
“O controverso fechamento da Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes nos pegou de calças curtas mais uma vez mostrando a falta de interesse público pelas necessidades da população, encerrar atividades de um lugar fomentador das artes cênicas, dança, literatura, artes visuais, culturas digitais, entre tantos outros seguimentos mostra o olhar cego...”.
Petição
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Página ‘Amigos da Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes’, criada no Facebook |
Até uma petição pública foi feita e está disponível. O texto de justificativa para o pedido das assinaturas da população, foi embasado pelo seguinte texto (com endereçamento ao secretário de Estado da Cultura Marcelo Mattos) e assinado pela Associação de Teatro de Bauru e Região (ATB).
“Bauru amanheceu chocada e perplexa com a notícia do fechamento da Oficina Cultural Glauco Pinto de Moraes. Esta Oficina é histórica, foi a primeira instalada no interior do Estado de São Paulo, é motivo de orgulho dos bauruenses e região, já que assiste a várias cidades de seu entorno.
Pedimos que as autoridades competentes vejam com mais carinho a possibilidade de continuar os trabalhos desta importante Oficina, que por anos a fio colaborou e colabora em difundir e possibilitar o avanço da cultura. Não podemos, não devemos e nem queremos ficar calados diante da imensa injustiça contra a população bauruense e região.
Nós, associados da ATB (Associação de Teatro de Bauru e Região), estamos indignados com o fechamento, pois historicamente Bauru reverbera arte e cultura para o Brasil e Exterior e nossa cidade é reconhecida como polo de eficiência na região. Consideramos este ato como descaso com a arte e cultura regional”.
Até o fechamento desta edição, quase mil pessoas tinham assinado a petição pública eletrônica. Endereço é https://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR80616
Lacunas
Algumas respostas ainda não foram esclarecidas pela Secretaria de Estado da Cultura. Por isso, o JC solicitou entrevista com o titular da pasta na tarde dessa quarta (25). A resposta do pedido veio da assessoria de comunicação, que informou que o secretário Marcelo Mattos Araújo está com a “agenda cheia”, inclusive hoje. As respostas às perguntas não chegaram até o fechamento desta edição.