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Quioshi Goto |
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Padre Luiz Antônio Lopes Ricci explica que a Páscoa é a festa da luz por excelência no catolicismo |
Hoje, pela Igreja Católica, é Domingo de Ramos. Um dia em que a comemoração litúrgica recorda a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém onde nessa data Jesus iria celebrar a Páscoa judaica com seus discípulos.
O dia é considerado o portal de entrada da Semana Santa. É no Domingo de Ramos que se inicia a Semana da Paixão, que culmina no próximo domingo com a Páscoa, ressurreição de Cristo. É comum, neste domingo, as pessoas trazerem para suas casas, os ramos benzidos pelo padre simbolizando as pessoas (inclusive crianças) que, em euforia, felizes, receberam Jesus em Jerusalém cobrindo o chão com ramos de palmeira.
“Os ramos que levamos para casa significa que acolhemos Jesus como o nosso Salvador. Portanto, os ramos simbolizam acolhimento de Jesus e de sua proposta de vida nova. Durante o ano os ramos nos recordam que acolhemos Jesus e fizemos com ele uma aliança de amor, pautada pelo compromisso e vivência dos valores por ele propostos, lembra padre Luiz Antônio Lopes Ricci, da Paróquia de São Cristóvão, no Jardim Estoril, em Bauru.
O Círio Pascal
Se muita gente conhece essa simbologia dos ramos, poucos poucos conhecem a importância de uma vela grande, chamada Círio Pascal.
É o símbolo mais destacado do “Tempo Pascal”. A palavra “círio” vem do latim “cereus”, de cera, o produto das abelhas. O círio, em tese é uma grande vela, mas mais importante é o que é aceso na Vigília Pascal como símbolo de Cristo Ressuscitado, que trouxe a luz. Essa peça fica sobre uma elegante coluna ou candelabro enfeitado.
Pela liturgia cristã o círio é benzido no sábado, durante a celebração do fogo santo. E sua luz se reveste de significado profundo e representa a luz da fé que une os cristãos no amor e consequentemente a união entre as famílias.
Chagas de Cristo
O Círio Pascal é já desde os primeiros séculos um dos símbolos mais expressivos da páscoa cristã. Em meio à escuridão (toda a celebração é feita de noite e começa com as luzes apagadas), de uma fogueira previamente preparada se acende essa grande vela, que tem uma inscrição em forma de cruz, acompanhada da data do ano e das letras Alfa e Omega, a primeira e a última do alfabeto grego, para indicar que a páscoa de Jesus, sinal do princípio e fim do tempo e da eternidade, alcança a graça ao cristão no tempo presente. O Círio Pascal tem incrustados em sua cera, cinco cravos de incenso simbolizando as cinco chagas de Cristo.
Na procissão de entrada da missa da Vigília Pascal, na noite do Sábado Santo, se canta por três vezes a aclamação: “Eis a luz de Cristo. Demos graças a Deus”, enquanto progressivamente vão se acendendo as velas dos presentes e as luzes da igreja. Depois o Círio é colocado na coluna ou candelabro que vai ser seu suporte, e se proclama em torno dele, depois de incensá-lo, a pregação pascal.
Uma luz e claridade
Além do simbolismo da luz, o Círio Pascal tem também o da oferenda, como cera que se consome em honra a Deus, espalhando claridade: “Aceita, Pai Santo, o sacrifício vespertino desta chama, que a santa Igreja te oferece na solene oferenda deste círio, trabalho das abelhas. Sabemos já o que anuncia esta coluna de fogo, ardendo em chama viva para glória de Deus... Rogamos-te que este Círio, consagrado a teu nome, para destruir a escuridão desta noite”, diz o celebrante.
Pela tradição católica o Círio Pascal ficará aceso em todas as celebrações durante as sete semanas do Tempo Pascal.
Vigília Pascal ocupa um lugar de destaque
Jornal da Cidade - Como o senhor vê o Círio Pascal?
Padre Luiz Antonio Lopes Ricci - “A Páscoa é a festa da Luz por excelência. Por essa razão, a celebração da Vigília Pascal é a mais rica e significativa de todo o ciclo litúrgico. Apesar dos esforços a participação nesta missa está muito aquém do esperado, dada a sua relevância. Quem participa pela primeira vez, dificilmente deixará de participar no ano seguinte.
JC - Por que precisamos do Círio?
Pe Ricci - O Círio Pascal ocupa um lugar de destaque na celebração da luz. A ressurreição de Cristo confirma que o menino Jesus, que veio como luz na noite de Natal é, de fato, a luz que brilha nas trevas e as dissipa. A luz simboliza a fé. Hoje, mais do que antes, precisamos da luz da fé para orientar bem a nossa vida e as nossas escolhas. Páscoa, portanto, é o resgate da nossa natureza, ser luz no mundo. Passar por esta vida terrena sem deixar um rastro de luminosidade, apesar de nossas fragilidades, seria uma traição à nossa natureza humana.
JC - Isso significa vocação para o bem?
Pe. Ricci – Sim, por isso, nossa vocação é para as boas obras e não para o mal. A Páscoa de Cristo confirma que a luz verdadeira pode sim dissipar as trevas e clarear os nossos caminhos e escolhas. Isso é Páscoa. Se deixar guiar pela luz de Cristo. Alguns ainda preferem as trevas ou a nebulosidade para que suas más ações não sejam vistas. Sigamos como filhos e filhas da luz, na alegria pascal, orientados pelas palavras de Jesus: A luz veio ao mundo, mas os homens preferiram às trevas à luz, porque suas ações eram más. Quem pratica o mal, tem ódio da luz, e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam desmascaradas. Mas, quem age conforme à verdade, se aproxima da luz, para que suas ações sejam vistas, porque são feitas como Deus quer (Jo 3, 19-21).
JC - Neste momento da sociedade qual a importância?
Pe. Ricci - Em tempos de crise e corrupção generalizada resgatar o conceito pascal de luz, simbolizado no Círio, é mais do que um imperativo. Quem se aproxima da luz, identifica melhor seus limites e sombras, acolhe a misericórdia de Deus e busca uma vida nova, o que chamamos de conversão, a mudança no modo de pensar, ser e agir. De fato, todos nós precisamos de uma luz em nossa vida, como diz a chamada desta matéria. A luz nos é dada com amor e gratuidade. Vamos acolhê-la com generosidade e gratidão. A luz que brota da fé faz a diferença substancial na vida quotidiana. Enfrentar questões complexas e tantas vezes dramáticas, à luz da fé, favorece a ampliação do horizonte, a serenidade, a paciência e a fortaleza para saber lidar com a situação.
Exemplo na região
Junto do Círio Pascal, a grande vela que é abençoada na cerimônia do Domingo de Páscoa, também serão abençoadas outras velas em miniaturas, chamadas de Círio da Família. A bênção acontece durante a celebração do fogo santo, no sábado da ressureição para acompanhar as famílias no tempo pascal. O Círio da Família representa a luz de Cristo.Vamos benzê-lo para dar lume às demais velas e à lamparina nas paróquias e será sinal de luz e vida para toda as famílias, explica o padre Antonio Donisete Musachio, pároco da igreja de São José, no Jardim Vera Cruz, em Avaré. Essas velas, reproduções em miniaturas do Círio Pascal, são obtidas pelos fiéis na secretaria da paróquia pelo valor de cinco reais. Junto é cedido folheto explicativo com preces para serem rezadas em casa com a família.
Oração para fazer junto com a família
Junto do Círio da Família é entregue folheto com a sugestão de momentos de oração em família e traz impressa a seguinte oração: “Ó Cristo ressuscitado, da morte vencedor, por tua vida e teu amor, mostraste a nós a face do Senhor. Por tua Páscoa o céu à Terra uniste e o encontro com Deus a todos nós permitiste. Por ti, ressuscitado, os filhos da luz nascem para a vida eterna e abrem-se para os que creem as portas do reino dos céus. De ti recebemos a vida que possuis em plenitude, pois nossa morte foi redimida pela tua e em tua ressurreição nossa vida ressurge e se ilumina. Volta a nós, ó nossa Páscoa, teu semblante redivivo e permita que, sob teu constante olhar, sejamos renovados por atitudes de ressurreição e alcancemos graça, paz, saúde e felicidade para contigo nos revestir de amor e imortalidade. A ti, inefável doçura e nossa eterna vida, o poder e a glória por todos os séculos. Amém!”