O número de estudantes brasileiros aceitos pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, uma das instituições de ensino superior mais prestigiadas do mundo, foi recorde este ano, segundo os representantes do instituto no Brasil. Quatro alunos tiveram seus pedidos de aplicação aprovados e quatro ficaram na lista de espera do MIT.
O resultado foi divulgado diretamente para os alunos no sábado passado. Entre os aprovados está Allan dos Santos Costa, do COC – Rembrandt Bauru, de 18 anos.
Ele, inclusive, foi contemplado com 91% de bolsa de estudo. O curso de graduação custa, em média, US$65 mil por ano. Agora, ele vai em busca de patrocínio para os outros 9% que terá que pagar. As aulas começam em setembro.
Exemplo
Exultante com a aprovação, Allan Costa fala sobre a experiência, que espera sirva de exemplo para outros alunos do ensino médio.
“Talvez, a questão mais interessante, e acho que o mais bacana de se mostrar, é que eu não um gênio das exatas ou um superdotado, como normalmente se pensa sobre uma pessoa que vai para o MIT ou para Harvard. O interessante é que eu tive um ensino médio bem bom, com muitas viagens, aventuras, olimpíadas e projetos. E isso me levou ao MIT. Tive que estudar, sim. Tive que fazer os vestibulares estadunidenses e fazer as provas de inglês. Mas como um todo, o processo se desenrolou pelo meu ensino médio, pela minha rotina de estudante”, diz ele.
Mensagem
Para o estudante, a mensagem principal é: dá pra ser normal e chegar lá. “Dá pra fazer um ensino médio incrível e ainda entrar na melhor faculdade do mundo sem ter que largar do esporte, das atividades extracurriculares ou das baladas de sexta-feira. Ao contrário. Ter história pra contar foi fundamental na entrevista com o MIT - que levou duas horas. Talvez essa seja a grande jogada. As olimpíadas (representei o brasil três vezes, em duas de Astronomia e Astrofísica e uma de Biologia), os projetos científicos e as atividades extracurriculares foram fundamentais na hora de enviar meu currículo e conversar nas entrevistas”.
Projeto
Enquanto aguarda a definição para qual faculdade irá, Allan se dedica a um outro projeto. Ele passou em outras três e aguarda ainda o resultado final de outros vestibulares, ontem inclusive veio o comunicado de que havia sido aprovado em outra universidade – a Duke e New York University Abu Dhabi.
“No momento, não estou matriculado ainda em nenhuma faculdade. Estou fazendo tutoria em um laboratório Maker no Colégio Rembrandt, o mesmo em que estudei minha vida inteira, e trabalhando intensamente com o Além da Lousa (aliás, lançamos nosso site semana passada - programei boa parte dele!. Vejam é o (https://alemdalousa.com/; ). O projeto é um grupo de apoio científico e empreendedor que visa ensinar e ajudar o ensino em si. Estamos construindo apps educativos, montando cursos de construção de experimentos e planejamos logo virar uma empresa, com o investimento correto”.
Sonho
“Tenho dedicado boa parte do meu tempo ao projeto e, também, creio que foi fundamental para a application. O Além da Lousa se baseia em uma cultura chamada Maker e Hacker, culturas que visam misturar a ciência, a criatividade e o empreendedorismo na construção de praticamente qualquer coisa, de programas a enormes projetos robóticos. Coincidentemente, essas culturas tiveram o berço no MIT e, com certeza, o projeto tem potencial de continuar seu caminho dentro da faculdade. ”
Capoeira
Para provar que dá para conciliar estudos com outras atividades, Allan lembra que conseguiu estes anos todos desenvolver um hobby: a capoeira. E que não vai desistir dela. “A capoeira continua e também foi uma parte essencial do processo: minha principal Essay (Redação), foi baseada em uma roda de capoeira que participei, desenvolvendo meu background cultural por meio das inúmeras metáforas que existem no jogo da capoeira: desde o conceito de Volta ao Mundo à ideia de se ‘dançar com a vida’ ou até mesmo sobre minha brasilidade na hora de resolver problemas por meio de criatividade.”