"Pareceu fácil, mas não foi, não”, resumiu Carol, a maior pontuadora da partida, com 15 pontos, para definir o que foi o 3 a 0 aplicado pelo Concilig/Bauru no Sogipa/RS e se tornar campeã da Superliga B de Vôlei Feminino, na manhã de ontem, e conquistar o direito de disputar o ano que vem a Superliga, com times de jogadoras de nível internacional e da seleção brasileira. “Tecnicamente éramos superiores, mas foi um jogo em que os dois times se estudaram, lento, cadenciado, tivemos que conter os nervos, pensar bem ir devagar para fechar o jogo”, complementou Carol, que está em Bauru na sua primeira temporada e espera continuar na equipe.
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Malavolta Jr. |
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Que venha a Superliga. O Concilig/Bauru conquista acesso inédito no vôlei feminino |
O jogo
As parciais foram: 25 a 20; 25 a 18 e 25 a 20. No primeiro set, um “sustinho”: após abrir quatro pontos de vantagem, logo no início, o adversário reagiu e passou à frente em 6 a 8. Mas foi a única vez que o Sogipa ameaçou o marcador. Bauru vencia bem o bloqueio de rede, acertava ataques no fundo da quadra e foi construindo assim uma vitória. No segundo set, o Sogipa tentou barrar o estilo de jogo bauruense que ia construindo a vitória “degrau a degrau”, ponto a ponto. Chegou a fazer 12 a 5, depois 18 a 10, 20 a 13 para fechar com 25 a 18.
O último set foi justamente o mais disputado da partida, quando Bauru chegou a abrir uma vantagem de 8 pontos – 20 a 12, mas viu o adversário ir chegando. Nos minutos finais, a diferença chegou a cair para 3 pontos, 22 a 19.
A torcida, que desde o início do 3º. set já cantava “está chegando a hora” com ares de vitória, começou a ficar apreensiva. Mas Soninha, a número 13, ponteira, definiu bem um rali fazendo o 23.º ponto. Na sequência, Bauru desperdiçou o saque e o placar ficou a 23 a 20. Daí o alívio e a torcida já começa a gritar: é campeão, é campeão, é campeão!
O 24º ponto foi o mais sofrido. Após cinco defesas seguidas do Sogipa, foi difícil dar a resposta. Mas depois da definição de Soninha, que já havia tentado duas vezes antes na mesma jogada, fechar em 25 a 20 foi mais fácil. Animadas, o ataque se definiu rápido. Hellen Abreu, ponteira, número 7, pôs a bola no chão da quadra adversária e o time bauruense, enfim, colocou a mão na taça.
Exigente
Se há um mérito na equipe, todos concordavam ontem, além do espírito de grupo, um dos acertos para esta temporada foi trazer um técnico vencedor. Chico dos Santos chegou em Bauru em agosto de 2014 e já cumpriu seu objetivo principal: ser campeão.
Ao estilo Bernardinho, ele não para na quadra: grita, levanta, reclama, gesticula, xinga as jogadoras quando elas erram, se enfurece com a arbitragem e torce a cada ponto conquistado quando a jogada é bem executada como se fosse um torcedor na arquibancada. Mas na hora de dar o mérito é para a torcida e atletas que vai o “parabéns”: “A torcida é que foi fundamental para estimular as atletas que tiveram atuações fantásticas. Elas são vitoriosíssimas e deram 110% de si para esse título”. Chico ainda confidencia que já está negociando para ficar por aqui. “Gostei de Bauru. Quero ficar, espero que dê certo”. E a diretoria já tem planos para a próxima temporada.
É campeão
Eram 12h38 minutos do dia 29 de março de 2015. Uma data esperada há mais de um ano (há quem diga que há mais de uma década) pelo Concilig/Bauru, mas ninguém sofria mais ao lembrar da derrota do ano passado.
Ao contrário, a partir daí foi só festa na quadra e da torcida que não precisou pagar em dinheiro para assistir ao jogo. Bastava levar 1 kg de alimento não perecível que, além de entrar, o torcedor também recebia uma camiseta azul-marinho com o logotipo do time e dos principais patrocinadores para usar durante a partida. E todo mundo dava um jeito de vestir a sua. Assim, o que se viu foi um mar-azul-escuro de gente na arquibancada, levantando as mãos e aplaudindo a cada jogada.
No espaço destinado à torcida adversária o que seu viu foi menos de uma dúzia de “gaúchos” a favor do Sogipa. E no intervalo do primeiro para o segundo set, chega ainda outro time de azul: o Valinhos, terceiro colocado.
De Valinhos, por sinal, vem a centro Alanna, número 16. Mas ela já pode se considerar bauruense, pois está na equipe há seis anos. “Esta vitória estava engasgada”, disse ela já passando uma borracha sobre a derrota que aconteceu no ano passado, contra o São José. “Aqui em casa, o sabor é outro, sem dúvida, e a torcida foi fundamental”, dizia exibindo o troféu de campeã.
O time entrou em quadra com Hellen Abreu, Alanna, Soninha, Fernanda Mello, Carol, a capitã Camila Adão e a líbero Mariana (uma sempre em esquema de revezamento com a levantadora). Completam a equipe: Natasha, Camila, Deka, Bianca e Nayara. Técnico: Chico dos Santos.
Diretoria acreditava
Já no intervalo do segundo para o terceiro set, quando a vitória por 3 a 0 já se desenhava, o diretor Adriano Pucinelli, aproveitava para elogiar a presença do público. “Na verdade, é isso que está fazendo a diferença. As meninas do time adversário estão sentindo a pressão da torcida”. E pressão e entusiasmo não faltaram mesmo para que Bauru agora possa estar na elite nacional do vôlei. Duas mil pessoas assistiram à final e alguns torcedores foram premiados com uma camiseta que já comemorava o feito, como estampa a foto acima.
Reuião
O empresário Rodrigo Mandaliti, da Concilig, patrocinadora máster da equipe, estava eufórico. Segundo ele, hoje, segunda-feira, já haverá a primeira reunião para a formação do time que disputará a Superliga. “Já temos todo o planejamento traçado, mas, claro, precisamos de mais colaboradores. Bauru não é só Paschoalotto, nem só Concilig. Sempre quisemos isso. Nosso objetivo já foi atingido. Agora, vamos em busca de outro, vamos montar um time competitivo. Aliás, já tenho esse time montado na cabeça”, declarou.
Time 110%
Quem também fez coro com o técnico vitorioso e que se integrou à equipe nesta temporada foi o fisioterapeuta Fábio Rodrigues. Ele elogia as atletas. “Tivemos muitas lesões, elas foram muito exigidas e deram mais que 100%. Muitas delas jogaram com dor, mas espírito de campeã é assim. Estão de parabéns”.
1 ano de atraso
Quem estava presente também era o presidente da Federação Paulista de Vôlei, Renato Pera, que lembrou o fato de Bauru ter perdido o acesso o ano passado. “Este é o reconhecimento de um excelente trabalho. Já era para Bauru ter subido no ano passado. Mas na frente da sua torcida o resultado é muito melhor. Foi feita justiça e esperamos muito do Bauru agora como equipe de elite”.