09 de julho de 2026
Geral

Nota de R$ 100,00 lidera falsificações

Marcele Tonelli e Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos Públicas

Do total de cédulas apreendidas, 60% são notas de R$ 100,00

Mais audaciosos e em posse de equipamentos sofisticados que conseguem captar o máximo possível de detalhes, falsificadores de cédulas e moedas do real têm apostado em notas de maior valor. O alerta foi feito pela Polícia Federal, que registrou, só neste ano, nove ocorrências envolvendo apreensão de dinheiro falsificado. Do total de cédulas apreendidas, 60% são notas de R$ 100,00, que há alguns anos era tida como mais arriscada por ter menor circulação no comércio.

 

A desvalorização da moeda e o consequente aumento da circulação de notas de maior valor no País, segundo explica o delegado Carlos Alberto Fazzio, são fatores que influenciaram essa realidade. 

 

“Notamos que há uma tendência de a nota de R$ 100,00 ser a mais falsificada hoje”, alerta o delegado.

 

 “Antigamente, esta cédula era como ‘cabeça de bacalhau’, ou seja, quase ninguém tinha ou via, por isso a de R$ 50,00 era mais cotada pelos falsificadores, por não chamar tanto a atenção”, complementa Fazzio.

 

Queda

 

Apesar da percepção de aumento no volume de notas do tipo, a média mensal de ocorrências envolvendo moedas falsas registradas na Polícia Federal apresentou queda.

 

No ano passado inteiro, foram registrados 67 delitos, uma média de cinco por mês. Lembrando que a Polícia Federal contempla registros em Bauru e mais 57 cidades da região. Das 66 notas apreendidas na ocasião, 29 eram notas de R$ 100,00, cerca de 44%.

 

Para fins comparativos, 30 notas foram apreendidas neste ano e, dessas, 18 eram de R$ 100,00.

 

Fazzio admite, contudo, que grande parte das ocorrências acaba subnotificada, já que os bancos, instituições para os quais as vítimas recorrem, quase sempre, ao perceber a falsificação, não registram o fato pela falta de informações sobre o possível fraudador.

 

Vale lembrar que a vítima desse tipo de golpe, muitas vezes, arca com o prejuízo. 

 

“Se a pessoa perceber que a nota é falsa e passar o dinheiro pra frente mesmo assim corre o risco de ser incriminada”, ressalta Fazzio. 

 

Prejuízo

 

A falsificação é crime previsto pelo artigo 289 do Código Penal, com pena prevista de 3 a 12 anos de prisão. 

 

Quem tentar colocar uma cédula falsa em circulação depois de tomar conhecimento de sua falsidade, pode ser condenado a uma pena de 6 meses a 2 anos de detenção.

 

As notas falsas não são trocadas pelo Banco Central ou pelo governo. O dinheiro suspeito pode ser apresentado a uma agência bancária, que se encarregará de encaminhá-lo para análise pelo Banco Central.

 

Caso haja flagrante ou suspeita do falsificador, o caso deve ser encaminhado à Polícia Federal, que ficará responsável pela abertura de inquérito.

 

Como proceder

 

Ao receber uma nota falsa de um terminal de autoatendimento ou caixa eletrônico, o cidadão deve encaminhar-se ao gerente da agência para pedir providências de pronta substituição. Se não obtiver resposta, o cidadão pode procurar uma delegacia policial mais próxima para registrar a ocorrência.

 

Ao desconfiar da autenticidade de uma nota em uma transação do dia a dia, o cidadão deve observar os elementos de segurança na cédula ou compará-la com outra legítima (veja mais no quadro ao lado). Se for falsa, recuse e chame a polícia.

 

Festas e eventos são alvo

 

Enquanto os falsificadores melhoraram os aparatos tecnológicos para fabricar as notas cada vez mais parecidas com as verdadeiras, o alerta à população também foi otimizado. 

 

Investimentos em câmeras de segurança e a análise cada vez mais detalhadas das notas, principalmente as de maior valor, têm feito com que a desova se dê em eventos grandes, com muita gente de fora, como, por exemplo, shows, festas de peão, boates, casas noturnas ou postos nas estradas, que dificultem a análise detalhada da cédula ou reconhecimento do falsificador. 

 

“Com a aposta em filmagens, o crime foi dificultado. Por isso, eles têm procurado locais com aglomerações”, frisa Carlos Alberto Fazzio.

 

A realidade é confirmada, inclusive pelo presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, Alceu Camargo. “Há muitos anos não ouço falar em golpe com notas falsificadas no comércio central. Os lojistas estão bem atentos”, afirma Camargo.

 

Além de se apresentarem como pessoas simpáticas e conversadoras, os falsificadores quase sempre fazem compras de valor pequeno e pagam com notas mais altas, para receber o troco lucrativo. “Geralmente, eles nunca têm uma nota só”, reforça. 

 

R$ 1,5 mil falsos

 

No início de março deste ano, um casal foi preso, na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), em Bauru, com 15 cédulas de R$ 100,00 falsificadas e outros R$ 1.760,00, que seriam provenientes de trocos recebidos em golpes aplicados na região.

 

Os acusados e uma criança de 9 anos viajavam em um GM/Vectra, com placas de Catanduva, quando foram abordados por viatura do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR), da Polícia Rodoviária, no quilômetro 351 da rodovia conhecida como Bauru-Marília.

 

 O que chamou a atenção foi o fato de as notas terem apenas quatro números de ordem, quando cada nota é única.

 

Os ocupantes do veículo foram conduzidos à Polícia Federal (PF) de Bauru, onde receberam voz de prisão em flagrante. Todo o dinheiro foi apreendido