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Quioshi Goto |
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No Altos da Cidade, dona Emerita cuida das plantas com atenção redobrada por conta do Aedes |
Cada bairro de Bauru tem uma característica que reflete diretamente na concentração de criadouros do mosquito transmissor da dengue. Para se ter uma ideia, nas regiões do Altos da Cidade e Beija-Flor, a maioria dos focos do Aedes aegypti está acumulada nos pratos de plantas. Tanto que, segundo pesquisa feita pela prefeitura, dos 4.716 imóveis vistoriados por lá entre os 1 e 16 de março, foram encontrados 47 criadouros nesses recipientes.
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No entanto, tal constatação já não serve para aqueles que moram nas proximidades do Redentor, Jaraguá e Santa Edwiges. No mês passado, equipes de Controle de Endemias e da Divisão de Vigilância Ambiental visitaram as residências dessas regiões e constataram que os criadouros estavam concentrados em materiais recicláveis deixados, principalmente, nos quintais de casas.
“É importante reforçar que cada bairro tem um perfil diferente e, por isso, uma concentração de criadouros diferente. No caso do Altos da Cidade, muitos moradores são idosos ou pessoas de outras faixas etárias que gostam de cultivar plantas. Assim, os focos estão concentrados em pratos de vasos que abrigam os vegetais”, reitera o diretor da Divisão de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, Daniel Godoy Tarcinalli.
Em relação ao Santa Edwiges e Jaraguá, Tarcinalli explica que muitos moradores trabalham com a venda de recicláveis. O diretor revela ainda que as próximas regiões que receberão a visita dos servidores serão as dos jardins Cruzeiro do Sul e Godoy. “Já posso adiantar que o perfil dessas áreas é semelhante ao do Altos da Cidade. Provavelmente, a maioria dos criadouros estarão nos pratos de plantas”, diz.
Bom exemplo
Diante da constatação de que os criadouros do mosquito da dengue se concentram nos pratos de plantas tanto no Altos da Cidade quanto no Beija-Flor, a reportagem do JC encontrou um bom exemplo nesses bairros. A aposentada Emerita Moreno de Freitas, 78 anos, cuida das plantas “como se fossem filhas” e exibe, orgulhosa, o trabalho que desenvolveu junto a elas ao longo de mais de meio século.
Dona Emerita mora com o marido na rua José Fernandes, no Altos da Cidade. Ela e resolveu fazer algumas adaptações no cultivo por conta da epidemia de dengue. “Os vasos ficam suspensos para evitar o acúmulo d’água embaixo deles. Além disso, eu molho as plantas duas vezes por semana e coloco pratos com areia dentro. Depois que termina de escorrer, eu jogo a areia fora e lavo os pratos”, conta.
A aposentada chegou até a se livrar de uma bromélia. Como tem de lavar sempre que se joga água, dona Emerita achou que o esforço não valia a pena. Na casa dela, ninguém pegou dengue.
“Eu acredito que todo mundo tem que fazer a sua parte. Eu faço a minha, com o maior prazer”, desabafa Emerita. Portanto, evitar água acumulada nos vasos é uma obrigação na casa dela (veja orientações na ilustração acima).
Mais casos
Na manhã dessa segunda (30), a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da assessoria de imprensa da prefeitura, confirmou mais 92 casos autóctones de dengue em Bauru. Diante disso, a cidade registra, até o momento, 1.545 ocorrências, sendo 1.511 autóctones, 34 importadas e três mortes.